Gabriel Luengas/EUROPA PRESS
PALMA, 12 ago. (EUROPA PRESS) -
As Ilhas Baleares viveram, na tarde desta quarta-feira, 12 de agosto, um eclipse solar total que reuniu milhares de pessoas em diferentes pontos de Maiorca, Menorca, Ibiza e Formentera, alguns dos locais mais privilegiados de toda a Espanha para testemunhar um dos fenômenos astronômicos do século.
Por volta das 19h35, conforme previsto, a Lua começou a cobrir o Sol. Às 20h, apenas uma das metades do astro era visível e, às 20h32 — com alguns segundos de diferença entre as ilhas —, chegou o momento tão esperado.
O Sol ficou completamente coberto pelo satélite por cerca de um minuto e meio, transformando o dia em noite e permitindo até mesmo a observação das estrelas, até que o processo inverso se iniciasse.
Ele foi se revelando gradualmente, voltando a brilhar à medida que se punha no horizonte e proporcionando, em muitos pontos do arquipélago, um espetáculo astronômico com poucos precedentes.
Foi o ponto alto de muitos meses de preparação por parte das autoridades e dos especialistas em astronomia, que, trabalhando lado a lado, elaboraram um plano para garantir a segurança em um dia marcado pela máxima pressão sobre o território.
Entre 00h00 e 20h00, quando o eclipse já havia começado, o Centro de Coordenação de Emergências 112 já havia registrado um total de 26 ocorrências relacionadas ao plano especial de emergências, no qual participaram cerca de 2.000 profissionais.
UMA MULTIDÃO ANSIOSA
Para os serviços de emergência, esses números são normais para um dia de agosto, embora não tenha sido um dia qualquer para a multidão de pessoas que se deslocou a diferentes locais do arquipélago para assistir ao eclipse.
De acordo com depoimentos coletados pela Europa Press, na orla marítima de Palma, nas muralhas de Eivissa, no cabo de Formentor e em praias como Es Trenc ou Es Marqués, entre muitos outros locais, reuniram-se centenas ou milhares de curiosos e entusiastas da astronomia que não quiseram perder o que alguns especialistas classificaram como o fenômeno do século.
Somente na Praia de Palma, onde desde as primeiras horas da manhã foram impostas restrições ao tráfego, a Prefeitura contabilizou cerca de 60.000 pessoas.
Perto dali, entre a praia de Can Pere Antoni e o bairro litorâneo de Molinar, centenas de pessoas, muitas delas em família ou com amigos, se reuniram à beira-mar, equipadas com cadeiras e algo para jantar.
Equipados com seus óculos de proteção homologados, esperaram com paciência e expectativa até que a Lua cobrisse completamente o Sol, um fenômeno que receberam com euforia e alguns gritos de emoção.
Mais ao sul, a região da Colônia de Sant Jordi e as praias de Es Trenc e Es Marqués foram se enchendo gradualmente desde o início da manhã.
A imagem, vista de longe, acabou sendo a de uma nuvem de guarda-sóis, cadeiras, toalhas e coolers na areia e de pessoas se refrescando no mar. Quem não encontrou espaço na areia optou por se acomodar nas rochas, onde passou longas horas; os mais privilegiados, no entanto, passaram a espera em suas embarcações de lazer.
ENXURRADA DE EMBARCAÇÕES EM ALCÚDIA
Outra das áreas em que o mar foi escolhido como local de observação por muitas pessoas foi o Port d'Alcúdia. Desde o início da tarde, a área de Aucanada foi se enchendo de embarcações particulares, de aluguel e turísticas.
À medida que a hora marcada se aproximava, muitas delas foram se deslocando para o centro da baía, de onde o eclipse pôde ser observado sem impedimentos meteorológicos.
Não muito longe dali, mas no alto das falésias do Cabo de Formentor — que prometiam ser um dos locais mais adequados para a observação do fenômeno astronômico —, centenas de pessoas se reuniram.
Tanto foi assim que muitos deles não se importaram em percorrer uma boa distância a pé depois que o ônibus os deixou a uma certa distância. Havia um grupo numeroso de estrangeiros, alguns dos quais haviam viajado expressamente para viver esse dia em Maiorca.
AS NUVENS ROUBARAM A CENA EM EIVISSA
Enquanto em Maiorca o céu esteve limpo e não impediu a observação do eclipse praticamente em nenhum momento, em Eivissa as nuvens roubaram parte do protagonismo.
Das muralhas de Dalt Vila, um dos pontos mais altos da capital e de onde muitas pessoas tentavam testemunhar o fenômeno astronômico, tudo parecia correr conforme o esperado até por volta das 20h10.
No entanto, as nuvens se interpuseram entre a Lua e o Sol, impedindo que se pudesse observar o eclipse solar total. Alguns, resignados, partiram então de volta para casa sem a lembrança prometida.
O município ibicenco de Sant Antoni de Portmany, mais especificamente a região de Ses Variades, foi outro dos locais escolhidos por centenas de pessoas.
Jovens, famílias e turistas se aglomeraram à beira-mar, alguns até com os pés na água, para vivenciar o eclipse em primeira fila.
PROHENS, DO 112
A presidente do Governo, Marga Prohens, não quis perder o eclipse, apesar de estar envolvida na coordenação do dispositivo de emergências durante todo o dia.
Acompanhada por diversos membros de sua equipe e comandantes dos serviços de emergência, ela observou o eclipse da cobertura da sede do 112, localizada no município de Marratxí.
Após uma breve pausa, realizaram a última reunião do Centro de Coordenação Operativa Integrada (Cecopi), onde fizeram um balanço dos incidentes ocorridos ao longo de todo o dia.
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