Jesús Hellín - Europa Press
Eles também pedem um contato direto e regular com os médicos para otimizar o tratamento dos pacientes.
MADRID, 25 set. (EUROPA PRESS) -
A farmacêutica María José Cejudo, diretora de uma farmácia em Villaverde Bajo (Madri), exigiu que as administrações públicas remunerem os serviços prestados pelas farmácias, além da distribuição de medicamentos, a fim de "valorizar" os recursos e o tempo que gastam com eles.
"Tudo o que não tem um preço, não lhe damos valor", disse o farmacêutico nesta quinta-feira durante a reunião informativa 'As vozes da farmácia', organizada pela Europa Press com a colaboração da Bidafarma no âmbito do Dia Mundial do Farmacêutico.
Cejudo propôs a opção de que esses serviços, que vão além da dispensação de medicamentos e incluem a medição de parâmetros como a pressão arterial, a verificação de armários de remédios, o atendimento domiciliar ou a educação em saúde, entre outros, sejam pagos da mesma forma que a retirada de medicamentos, que é feita por meio de um co-pagamento baseado na renda.
A farmacêutica Raquel Casado, que trabalha em Buitrago del Lozoya (Madri), concorda com a opção apresentada por seu colega. "Há momentos, por exemplo, no caso dos sistemas de dosagem personalizada (PDS), em que algumas pessoas não valorizam isso, porque quando elas vêm à farmácia e você dá a elas, parece que é sua obrigação, mas agora não é minha obrigação, é algo que faço porque acredito que é bom para o paciente", acrescentou.
Na mesma linha, a farmacêutica Ana Núñez, proprietária de uma farmácia no shopping center de Torrelodones (Madri), destacou que as farmácias também são responsáveis por ter uma equipe profissional, o que envolve gastos com salários. "Portanto, é claro que eles precisam ser remunerados de alguma forma. Minha equipe trabalha com muita vocação, mas tem que viver disso", ressaltou.
QUATRO MODELOS, DESAFIOS COMUNS
A reunião informativa deu voz a quatro modelos diferentes de farmácia na região de Madri, como farmácias rurais, farmácias centrais e urbanas, farmácias de bairro e aquelas localizadas em shopping centers. Apesar de suas diferenças no perfil do paciente que atendem ou nos serviços que prestam, os farmacêuticos concordaram sobre os desafios que enfrentam.
Nesse sentido, Isabel Guillén, que administra uma farmácia no Paseo de la Habana, em Madri, destacou que uma das limitações em seu trabalho diário é a falta de comunicação com médicos e enfermeiros, uma relação que ela descreveu como "muito complicada".
"Principalmente porque os pacientes muitas vezes vêm do centro de saúde e querem que você dê a eles a medicação agora, e talvez essa medicação, como o médico a prescreveu, não possa ser dada a eles. Não podemos mudar isso por lei, então não temos muito espaço de manobra", disse.
Para a farmacêutica María José Cejudo, a solução está em "sistematizar" a comunicação entre os profissionais, mantendo contato direto ou, pelo menos, realizando reuniões regulares, para agilizar esse tipo de questão. "Se eles são especialistas em doenças e nós somos especialistas em medicamentos, o que precisamos é de vontade de nos sentarmos juntos", enfatizou.
Nas farmácias rurais, embora possa haver mais proximidade entre o farmacêutico e o médico, a realidade é que "muitas vezes a distância se mantém", segundo Raquel Casado. Um dos problemas identificados pela profissional está relacionado à elaboração dos DPSs, que são voltados principalmente para os idosos.
"E muitas vezes eles não conseguem nos dizer: 'Fui ao médico e mudaram minha medicação'. Então a gente tem que saber, antes de dar a medicação, se eles foram ao médico, se a medicação deles foi trocada, porque se você não tiver conhecimento disso, você pode estar preparando uma medicação que o médico trocou há 15 dias", explicou, ressaltando que o contato direto com o médico, ou simplesmente um sistema de alerta eletrônico, reduziria esse trabalho.
BUROCRACIA E ESCASSEZ
Outro problema sobre o qual os farmacêuticos presentes na reunião concordaram foi a burocracia excessiva envolvida em seu trabalho diário, que, segundo eles, tira muito tempo do atendimento ao paciente e poderia ser resolvido com o uso da tecnologia.
"Como a sociedade está avançando tão rapidamente na tecnologia, poderíamos fazer o mesmo, não é mesmo? E também temos os meios apropriados com a rastreabilidade de medicamentos, em outras palavras, podemos fazer muitas coisas para acelerar as tarefas que estamos fazendo há cem anos", disse María José Cejudo.
Com relação aos problemas de escassez de medicamentos, os farmacêuticos explicaram que isso significa uma carga de trabalho adicional em sua semana para conseguir reunir os medicamentos necessários aos pacientes, conversando com outras farmácias que os têm e em contato permanente com os distribuidores.
Eles comentaram que essa falta de suprimento é "um pouco frustrante", especialmente para o paciente, pois muitas vezes ele tem de voltar ao médico para obter uma receita de outro medicamento e, em algumas ocasiões, isso leva ao não cumprimento do tratamento.
Nesse sentido, eles expressaram seu apoio à Lei de Medicamentos, que está sendo elaborada atualmente, para incluir a possibilidade de os farmacêuticos poderem substituir a forma farmacêutica caso a prescrita pelo médico não esteja disponível.
PRESTAÇÃO DE MAIS SERVIÇOS
"Gostaríamos de poder ajudar, fazer mais prevenção, mais adesão ao tratamento. Dessa forma, eliminaremos a saturação do Sistema Nacional de Saúde em muitos casos e evitaremos internações hospitalares, por exemplo", enfatizou Isabel Guillén, pedindo mais ajuda e recursos às administrações.
Nesse sentido, Ana Núñez enfatizou que as farmácias devem chamar a atenção das autoridades para o fato de que elas são um recurso do sistema de saúde que pode ser utilizado.
Núñez se referiu à ajuda que as farmácias poderiam oferecer participando, por exemplo, de testes de rastreamento de câncer de cólon, uma ação já em andamento em outras comunidades. "Quando você saiu de casa hoje e pegou o metrô, andou pela rua (...), por quantas farmácias você passou? Como é fácil para você entrar em qualquer uma delas com seu cartão de saúde, pegar um teste de triagem e fazê-lo", disse ele.
"Acredito que as estatísticas que o sistema de saúde teria em termos de triagem de doenças graves que podem ser evitadas ou sobre as quais podemos agir antes que elas apareçam são enormes", acrescentou.
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