Alberto Ortega - Europa Press
MADRID 19 maio (Portaltic/EP) -
A distância que existe entre a promessa tecnológica de agilizar os processos internos das empresas graças a uma tecnologia tão disruptiva quanto a inteligência artificial (IA) generativa costuma ser afetada pela lentidão da “burocracia interna”, que freia essas mudanças que devem ocorrer em todos os departamentos.
A mesa redonda “Transformação empresarial: da promessa tecnológica ao impacto real”, da II Jornada Tecnológica da Europa Press realizada nesta terça-feira, apresentou algumas das chaves* sobre como as “startups” se apresentam como o motor de novos negócios em empresas nas quais os movimentos costumam ser mais lentos devido à própria estrutura ou operação dessas empresas.
A coordenadora da Área na Subdireção-Geral de Cidadania, Talento e Empreendedorismo Digital, Cristina Roca, afirma que, no Ministério da Transformação Digital, acreditam que são necessários três fatores-chave. O primeiro é garantir que o ambiente seja favorável para que as startups nasçam e cresçam. O segundo é o financiamento, já que a maioria fracassa por falta de recursos, e o terceiro é a formação.
Entre as medidas adotadas para criar esse ambiente favorável às startups estão leis como a aprovada em 2022 (Lei das Startups), que reduz as barreiras administrativas para que uma startup possa ser criada em menos de 24 horas, ou a criação do Visto de Nômade Digital, que ajuda a atrair talentos empreendedores para a Espanha.
Além disso, “em 2024 foi criado o Fórum Nacional de Empresas Emergentes, que busca basicamente favorecer o ecossistema empreendedor e identificar as barreiras que ele enfrenta”, destacou Cristina Roca.
A alavanca da mudança para o sucesso da LaLiga foi e continua sendo a inteligência artificial, que promove a inovação e a tecnologia dos clubes e de todos os aspectos relacionados ao setor esportivo.
“Criamos um departamento de inteligência artificial para promover essa tecnologia. Fomos a primeira empresa do setor esportivo a promover a tecnologia de IA. “Utilizamos tanto a inteligência artificial quanto o aprendizado de máquina nas ferramentas e nos projetos em que trabalhamos”, afirmou o diretor de Tecnologia, Inovação e Inteligência Artificial da LaLiga, Prasanna Kumar.
A LaLiga mede o impacto real do uso dessa tecnologia com Alex, seu ‘influenciador’ virtual, ou com o projeto que, graças ao uso da inteligência artificial, gerencia o calendário dos jogos. A LaLiga reforça o uso da IA entre seus funcionários, adaptando-a à sua cultura de trabalho para que eles saibam como lidar com um ambiente de incerteza tecnológica.
O diretor de Estratégia da Sngular, Julián de Cabo, contribui com sua perspectiva sobre o impacto real de uma tecnologia como a inteligência artificial ao comentar: “Esquecemos que transformar significa mudar coisas, descartar o que não funciona e substituí-lo por coisas novas, algo a que as organizações, por definição, tendem a reagir com relutância”.
Ele indica que, na verdade, essas ondas de mudanças, como a que vivemos atualmente com a IA generativa, a que se viveu com a transformação digital ou com a revolução da Internet, são pontos de inflexão que permitem às PMEs remodelar seus negócios, mas sempre que o foco for colocado no que realmente importa, já que, em muitas ocasiões, as organizações se equivocam completamente.
Segundo suas palavras, “É fundamental que os dirigentes da empresa entendam o que essa tecnologia traz de novo, que é a primeira premissa que geralmente acaba sendo um erro”. E ele ressalta que as organizações, normalmente, quando surge um perfil disposto a mudar tudo, procuram colocá-lo em um canto no fundo do corredor para que não incomode muito, em vez de apostar nele.
Na mesa redonda, também foi abordado um tema-chave para a transformação tecnológica das empresas: como elas devem apostar nas startups como fornecedoras ou mesmo como motores de novos negócios nessas organizações de grande porte.
Cristina Roca defende que elas desempenham um papel importante graças à sua flexibilidade, capacidade de adaptação e especialização. Trata-se de ser um parceiro estratégico em empresas que são mais relutantes a mudanças rápidas: “É preciso fazer isso em conjunto com as startups, com o ecossistema empreendedor, porque, no fim das contas, essas empresas não só trazem tecnologia e inovação, mas também uma cultura de flexibilidade e adaptação ao ambiente, que são qualidades muito importantes no contexto em que vivemos atualmente”, acrescenta.
O empreendedorismo feminino também enfrenta desafios atualmente, e os dados comprovam isso. De acordo com o relatório da Fundação Alternativas do ano passado, apenas 20% das empresas são fundadas por mulheres. Cristina Roca esclarece que “existem certas barreiras estruturais. A primeira delas é a falta de financiamento. Apenas 3% do investimento em capital de risco é destinado a empresas fundadas por mulheres. Isso se deve à falta de credibilidade na hora de apresentar projetos ou à escassa representação feminina nos comitês de investimento dos fundos".
Cristina Roca se refere às medidas de apoio com estas palavras: "Até o momento, já concedemos mais de 280 empréstimos no valor de mais de 42 milhões de euros. O objetivo é reduzir as barreiras estruturais, como o financiamento, sem esquecer a importância da mentoria estruturada, que exemplifica a importância das figuras de referência, já que 43% das mulheres que receberam mentoria e possuem uma empresa conseguem expandi-la em menos de três anos”.
A LaLiga enfrenta seus próprios desafios, aos quais se depara com soluções próprias para gerar vantagem competitiva. Essa é sua principal diferença, já que, em vez de depender de outras tecnologias, prefere criar suas próprias tecnologias como um aspecto crucial da organização.
Prevê-se que, no futuro próximo, haja um maior número de automatizações baseadas em inteligência artificial para melhorar a eficiência operacional, tanto dos clubes quanto das comissões técnicas e até mesmo dos jogadores, já que estes poderão melhorar seu desempenho com métricas-chave fornecidas pelos modelos de IA.
De fato, as equipes que compõem as organizações e as PMEs estão sendo afetadas por demissões. Um momento ao qual Julián de Cabo se referiu como uma desculpa para demitir dezenas de trabalhadores, quando anteriormente deveria ter sido realizada uma reorganização na equipe.
O importante é saber se a empresa libera recursos ao aplicar um plano de demissões e os utiliza para a formação e requalificação da força de trabalho com que conta. E essa “requalificação” baseia-se não apenas em apresentar bons resultados em um exame, mas em como o trabalhador (ou, no caso de seus alunos, ao ser professor em seu tempo livre) utiliza a inteligência artificial.
O encerramento do evento contou com a presença do diretor de Inovação, IA e Empresa da Red.es, Víctor Rodrigo, que citou o livro “A Terceira Onda”, de Alvin Toffler, para afirmar que estamos na “quarta onda” das transformações da humanidade, a onda da IA. A título de resumo, ele destacou que não se trata de “colocar tecnologia sobre processos antigos, nem de digitalizar o que já existia sem se perguntar se faz sentido digitalizar o que estávamos fazendo”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático