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MADRID, 11 jul. (EUROPA PRESS) -
As autoridades da região etíope de Tigray, no norte da Etiópia, consideraram “frustrado” o acordo assinado em 2022 em Pretória (África do Sul) com o governo etíope, ao qual acusam de preparar a retomada de um dos conflitos mais sangrentos da história recente da África, que em apenas dois anos deixou entre 100.000 e 800.000 mortos, dependendo das estimativas oficiais etíopes e de um levantamento da União Africana.
“Embora Tigray tenha feito muito para implementar o Acordo de Paz de Pretória, este entrou em colapso devido aos obstáculos e às ações destrutivas criadas pelo regime”, lamentou o novo governo de Tigray, novamente nas mãos da Frente Popular para a Libertação de Tigray, a organização político-militar que enfrentou o Exército etíope e seus aliados em 2020.
Após o acordo de Pretória, Tigray permaneceu administrada temporariamente por um governo provisório aceito pelas autoridades federais do país até o retorno da TPLF no início do mês de maio; o retorno de uma autoridade que denunciou inúmeras vezes o governo etíope e seu primeiro-ministro, Abiy Ahmed, por descumprir os termos acordados em Pretória e por manter a região em um estado de completa marginalização.
O governo federal, por sua vez, não reconheceu a administração restabelecida e insistiu que a única autoridade vigente na região é a Administração Regional Provisória de Tigray, estabelecida em virtude do Acordo de Pretória e agora substituída pelo TPLF.
O TPLF, em seu comunicado deste sábado, acusa a Etiópia de alimentar a tensão há meses, primeiro “difundindo propaganda de ódio contra Tigray por meio de seus líderes e patrocinadores políticos e militares” para, por fim, recorrer a “ataques com drones, aproximações militares e confrontos diretos”.
“Portanto, não é apenas nosso direito moral e legal, mas também nosso dever fortalecer nossa capacidade interna e nossa autossuficiência em todos os aspectos, seja para o diálogo pacífico, seja para combater o desastre que se aproxima”, alerta o TPLF.
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