MADRID 13 nov. (EUROPA PRESS) -
Nos últimos dias, a intensa atividade solar voltou a chamar a atenção para um dos fenômenos naturais mais espetaculares: a aurora boreal. As imagens compartilhadas de diferentes partes do planeta coincidem com a tempestade geomagnética que as agências espaciais estão mantendo sob vigilância e que, de acordo com informações divulgadas por alguns serviços científicos europeus, poderia até ser sentida em latitudes mais baixas do que o habitual, como é o caso da Espanha.
Esse aumento na visibilidade não é uma coincidência. O National Geographic Institute (IGN) explica que as tempestades geomagnéticas - causadas pela chegada de partículas carregadas após uma explosão solar - podem intensificar e ampliar o alcance das auroras, permitindo que elas apareçam fora das zonas polares em episódios específicos.
Nesse contexto, é possível que aqueles que tentaram fotografar o fenômeno tenham notado diferenças entre o que viram a olho nu e o que foi capturado por uma câmera de celular. Os especialistas da NASA e da Aurora Reykjavik explicam por que os dois registros - o olho humano e o sensor digital - nem sempre coincidem e quais fatores explicam a diferença.
O QUE É UMA AURORA E POR QUE ELA APARECE DURANTE AS TEMPESTADES SOLARES?
De acordo com o NGI, as auroras ocorrem quando uma grande quantidade de partículas carregadas do Sol atinge a Terra após uma explosão solar ou ejeção de massa coronal. Essas partículas são desviadas pelo campo magnético da Terra para as áreas próximas aos polos, onde entram em contato com gases nas camadas superiores da atmosfera.
Essa colisão é o que causa a emissão de luz e, portanto, o aparecimento da aurora boreal no hemisfério norte e da aurora austral no hemisfério sul. O gás com o qual elas interagem determina sua cor: a NASA explica que o oxigênio geralmente produz tons verdes e vermelhos, enquanto o nitrogênio gera flashes azuis ou roxos.
As auroras são comuns em altas latitudes, mas o IGN lembra que, durante tempestades geomagnéticas intensas, elas podem ser vistas muito mais ao sul. O caso extremo foi o "evento Carrington" de 1859, quando as auroras foram observadas em toda a Europa, América Central e Havaí, com um registro histórico também na Espanha.
O QUE O OLHO HUMANO VÊ VERSUS O QUE A CÂMERA CAPTURA
Uma das perguntas mais comuns é por que uma aurora parece fraca ou esbranquiçada a olho nu, mas aparece no celular como uma exibição de cores intensas. Aurora Reykjavik explica que é possível ver as auroras a olho nu, mas que "a possibilidade de vivenciar toda a sua beleza depende da intensidade do fenômeno, da poluição luminosa e do local de observação".
A principal diferença está no funcionamento dos nossos olhos em relação ao funcionamento de uma câmera. A NASA ressalta que os sensores dos telefones celulares podem acumular luz por vários segundos por meio de exposição prolongada, algo que o olho humano não consegue fazer. Isso faz com que a câmera gere uma imagem mais saturada, mais brilhante e mais nítida do que a que realmente percebemos.
Além disso, em situações de pouca luz, os sensores digitais tendem a intensificar os tons de verde e roxo, enquanto o olho humano tende a discernir principalmente a luz esverdeada suave. Portanto, nas noites em que a aurora é fraca, a câmera mostrará cores que o observador não percebe.
ONDE ELAS PODEM SER MELHOR VISTAS E QUAIS FATORES INFLUENCIAM A VISIBILIDADE?
O local é decisivo: quanto maior a latitude, maior a probabilidade. Islândia, Noruega, Finlândia ou Canadá ficam sob o chamado "oval auroral", a região circular ao redor dos polos onde o fenômeno aparece regularmente. O Aurora Reykjavik lembra que a baixa poluição luminosa na Islândia também favorece observações mais claras.
Mesmo assim, tempestades geomagnéticas extremas podem expandir o oval em direção às latitudes médias. Isso explica por que, em episódios muito específicos, as auroras são visíveis de partes da Europa onde normalmente não aparecem.
A visibilidade também depende do índice Kp, uma medida internacional de atividade geomagnética em uma escala de 0 a 9. De acordo com a NASA, quanto maior o valor do índice, maior a probabilidade de o fenômeno ser visível em regiões distantes dos polos.
COMO FOTOGRAFAR AURORAS SEM QUE A IMAGEM SEJA ENGANOSA
A NASA oferece várias recomendações para obter imagens realistas do fenômeno sem que a câmera "invente" cores excessivas. Essas recomendações incluem:
Reduzir ligeiramente o tempo de exposição para evitar a saturação.
Use um tripé para evitar a trepidação da câmera ao fotografar à noite.
Tente usar um ISO baixo para minimizar o ruído na imagem.
Afaste-se das fontes de luz artificial para evitar alterar os tons.
O Aurora Reykjavik também aconselha a observar o céu em áreas abertas e escuras e a ter paciência: o fenômeno pode se intensificar ou desaparecer em questão de minutos.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático