OVIEDO 11 ago. (EUROPA PRESS) -
A Secretaria de Saúde do Governo do Principado, por meio do Serviço de Saúde do Principado das Astúrias (Sespa), elaborou um protocolo destinado aos profissionais da atenção primária e dos serviços de emergência para a detecção e atendimento de possíveis lesões oculares associadas à observação do eclipse solar que ocorrerá nesta quarta-feira, dia 12 de agosto.
O documento, elaborado pelo oftalmologista Juan Jesús Barbón, do Hospital Universitário San Agustín de Avilés, e pela oftalmologista Raquel Salazar, do Hospital de Jarrio, visa oferecer uma resposta rápida e padronizada aos pacientes que apresentarem sintomas visuais após terem observado o fenômeno astronômico.
O guia distingue dois tipos principais de lesões: a retinopatia solar, que afeta a retina, e a ceratite actínica ou fotoceratite, que danifica a superfície do olho.
A retinopatia solar geralmente ocorre sem dor e pode se manifestar horas após a exposição, com visão embaçada, manchas no campo visual ou distorção das imagens. O protocolo estabelece como etapas iniciais avaliar a presença de dor, medir a acuidade visual de cada olho e coletar informações sobre o tempo de exposição, a proteção utilizada e o histórico oftalmológico do paciente.
Além disso, o protocolo inclui os exames básicos que podem ser realizados na atenção primária e no pronto-socorro e destaca que toda suspeita de retinopatia solar deve ser encaminhada à oftalmologia. O encaminhamento será urgente quando houver perda significativa da visão, escotoma central bilateral ou dor intensa e persistente.
A fotoqueratite afeta a córnea e a conjuntiva e provoca dor intensa, sensação de corpo estranho, lacrimejamento e fotofobia. Na maioria dos casos, a recuperação é completa em um prazo de 24 a 72 horas. O tratamento inicial é sintomático e inclui repouso, compressas frias, analgesia oral, lágrimas artificiais sem conservantes e retirada temporária das lentes de contato.
O protocolo desaconselha expressamente o uso domiciliar de anestésicos tópicos, pois eles podem retardar a cicatrização e ocultar possíveis complicações. Além disso, o documento detalha os medicamentos e o material de exame oftalmológico que devem estar disponíveis nos centros de atenção primária.
O Ministério da Saúde insiste que a melhor medida é a prevenção e lembra que o eclipse só deve ser observado com óculos homologados com filtro certificado pela norma ISO 12312-2. Óculos de sol convencionais e outros métodos caseiros, como radiografias, lentes escuras ou CDs, não oferecem proteção suficiente contra a radiação solar e não devem ser utilizados, segundo o Governo das Astúrias.
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