Publicado 25/09/2025 06:30

As árvores na Amazônia crescem mais devido aos níveis mais altos de CO2

Cientistas na Colômbia medem uma árvore Ceiba gigante
PAULINE KINDLER

MADRID 25 set. (EUROPA PRESS) -

O tamanho médio das árvores na Amazônia aumentou em 3,2% a cada década, de acordo com a resposta ao aumento dos níveis de dióxido de carbono (CO2), sugere um novo estudo.

Uma pesquisa publicada na Nature Plants por uma equipe global de cientistas de florestas tropicais mostra que o tamanho médio das árvores nas florestas da Amazônia aumentou nas últimas décadas. A equipe de quase 100 pesquisadores monitorou o tamanho das árvores em 188 parcelas permanentes e descobriu que o aumento tem sido sustentado por pelo menos 30 anos.

O estudo é o resultado de uma colaboração internacional de mais de 60 universidades da América do Sul, do Reino Unido e de outros países, incluindo as Universidades de Birmingham, Bristol e Leeds.

A professora Beatriz Marimon, coautora do estudo, da Universidade do Mato Grosso, que coordenou grande parte da coleta de dados brasileiros no sul da Amazônia, comentou: "Esta é uma boa notícia. Ouvimos com frequência que as mudanças climáticas e a fragmentação ameaçam as florestas amazônicas. Mas, nesse meio tempo, as árvores em florestas intactas cresceram; até mesmo as maiores árvores continuaram a se desenvolver apesar dessas ameaças". O estudo constatou que tanto as árvores grandes quanto as pequenas aumentaram de tamanho, o que coincide com o benefício de fertilização do aumento do dióxido de carbono atmosférico.

A Dra. Adriane Esquivel-Muelbert, da Universidade de Cambridge e coautora principal do artigo da RAINFOR, que liderou a pesquisa durante seu tempo nas Universidades de Birmingham e Leeds, comentou: "As árvores grandes são extremamente benéficas na absorção de CO2 da atmosfera, e esse estudo confirma isso. Apesar das preocupações de que a mudança climática poderia afetar negativamente as árvores amazônicas e prejudicar o efeito de sumidouro de carbono, o efeito do CO2 no estímulo ao crescimento persiste. Isso demonstra a notável resiliência dessas florestas, pelo menos por enquanto".

A Dra. Rebecca Banbury Morgan, da Universidade de Bristol e coautora principal, acrescentou: "Nosso artigo também destaca o quanto o desmatamento na Amazônia é realmente destrutivo. As grandes árvores tropicais têm centenas de anos de idade. Não podemos simplesmente plantar novas árvores e esperar que elas tragam benefícios de carbono ou biodiversidade semelhantes aos da antiga floresta natural.

De acordo com pesquisas anteriores da rede RAINFOR, a floresta amazônica desempenha um papel fundamental na absorção do carbono que, de outra forma, estaria na atmosfera.

A FLORESTA INTEIRA MUDOU

"Sabíamos que a quantidade total de carbono armazenada nas árvores das florestas amazônicas intactas havia aumentado. O que este novo estudo mostra é que árvores de todos os tamanhos cresceram mais no mesmo período; a floresta inteira mudou", acrescentou o professor Tim Baker, da Universidade de Leeds, coautor principal do estudo.

Esse estudo é o primeiro do gênero a medir como o aumento de CO2 alterou sistematicamente a estrutura de tamanho das árvores nas florestas amazônicas. A equipe descobriu que, à medida que as árvores maiores cresceram, elas dominaram cada vez mais a competição por recursos.

Os autores observam que a nova pesquisa também tem outras implicações.

De acordo com o professor Oliver Phillips, da Universidade de Leeds, "O que acontece com as árvores grandes, inclusive como elas lidam com as crescentes ameaças climáticas e como dispersam suas sementes, agora é crucial. A única maneira de os gigantes permanecerem saudáveis é o ecossistema amazônico permanecer conectado. O desmatamento é um enorme multiplicador de ameaças e as matará se permitirmos isso.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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