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MADRID, 17 set. (EUROPA PRESS) -
Cientistas detectaram o DNA de uma espécie marinha invasora no Ártico canadense, o que sugere que as águas da região não são mais frias o suficiente para formar uma barreira natural.
O estudo inovador, publicado na Global Change Biology por pesquisadores do British Antarctic Survey (BAS), fornece a primeira evidência de uma espécie de craca invasora não nativa no Ártico canadense.
A mudança climática está aquecendo o Ártico quase quatro vezes mais rápido do que em qualquer outro lugar da Terra. Como resultado, as águas do Ártico canadense estão perdendo sua barreira térmica contra espécies invasoras. Anteriormente, essas águas frias impediam que espécies invasoras se deslocassem para o norte e estabelecessem populações.
Os cientistas usaram a meta-codificação de barras de DNA ambiental (eDNA), uma técnica que permite a identificação de várias espécies em uma única amostra de água, para fazer a descoberta. À medida que os organismos se deslocam pela água, eles deixam rastros genéticos por meio de células da pele, detritos e outros materiais biológicos, conhecidos como DNA ambiental (eDNA). Os pesquisadores coletaram essas amostras de eDNA a bordo de navios de cruzeiro que operam nas movimentadas rotas marítimas do Ártico. Graças a essa técnica, os cientistas agora podem detectar espécies invasoras sem nem mesmo vê-las.
Os pesquisadores detectaram uma craca da baía (Amphibalanus improvisus), uma espécie marinha invasora que já predomina nas águas europeias e no Oceano Pacífico, contribuindo para a bioincrustação de navios, oleodutos e outras infraestruturas, bem como para distúrbios ecológicos.
A detecção dessa craca marca a primeira identificação desse animal no ambiente marinho do Ártico canadense, demonstrando que a meta-codificação do DNA ambiental (eDNA) é uma ferramenta eficaz para monitorar a chegada de espécies invasoras.
As espécies invasoras marinhas geralmente chegam ao Ártico canadense nos cascos dos navios e na água de lastro. Esse tráfego marítimo aumentou em mais de 250% desde 1990, e os cientistas agora estão investigando os riscos ecológicos crescentes que isso representa.
NOVAS ROTAS DE NAVEGAÇÃO
A autora principal, Elizabeth Boyse, ecologista do British Antarctic Survey, explica em um comunicado: "A mudança climática está na raiz desse problema. O número de navios está aumentando devido à diminuição do gelo marinho, abrindo novas rotas de navegação. Além disso, as espécies invasoras que os navios trazem para o Ártico também têm maior probabilidade de sobreviver e estabelecer populações devido ao aumento da temperatura da água.
As espécies invasoras apresentam uma série de desafios. Elas podem deslocar os organismos nativos, perturbando os ecossistemas e afetando as comunidades indígenas que dependem dos recursos marinhos para a segurança alimentar. Entre 1970 e 2017, o custo das espécies invasoras aquáticas foi estimado em US$ 345 bilhões, devido a danos à infraestrutura, perturbação de ecossistemas locais e iniciativas de gerenciamento.
Os cientistas agora determinarão se a craca detectada representa larvas transitórias ou uma população reprodutora. Os autores afirmam que o uso de DNA ambiental para detectar espécies não nativas em áreas pouco estudadas, em combinação com observações diretas de cientistas cidadãos e comunidades locais, poderia fornecer uma ferramenta de monitoramento fundamental para detectar espécies invasoras nessa área em rápida mudança.
O estudo foi publicado na Global Change Biology.
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