Publicado 12/05/2026 09:18

O aquecimento global altera as interações entre aves e parasitas, com efeitos nas populações selvagens, segundo o MNCN

Da esquerda para a direita: Charão-comum (Parus major) e Pardal-comum (Passer domesticus), duas das nove espécies estudadas.
SANTIAGO MERINO

MADRID 12 maio (EUROPA PRESS) -

O aquecimento global está alterando as interações entre aves e parasitas, com possíveis efeitos sobre a demografia, a reprodução e a estabilidade das populações silvestres, de acordo com um estudo internacional no qual participa o Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC), publicado na revista PlosONE.

Para chegar a essa conclusão, os autores estudaram nove espécies de aves e 62 interações entre hospedeiro e parasita. Especificamente, basearam os resultados na comparação de dois períodos separados por mais de uma década, envolvendo 14 populações europeias distribuídas em uma faixa latitudinal que abrange desde o sul da Europa até a Escandinávia.

A partir desses dados, eles concluíram que, nos últimos anos, a intensidade das infecções parasitárias diminuiu e que essa redução da carga parasitária foi mais acentuada nas latitudes mais baixas, onde o aumento da temperatura e as secas foram maiores, enquanto no norte da Europa as mudanças na intensidade parasitária foram mais leves.

De acordo com o pesquisador da Estação Experimental de Zonas Áridas (EEZA-CSIC), Juan José Soler, também houve uma tendência de diminuição da presença de parasitas sanguíneos, que causam doenças como a malária aviária. No entanto, sua prevalência aumentou e, além disso, surgiram novos parasitas que não haviam sido detectados no primeiro período de amostragem.

“Nossos resultados sugerem que os efeitos das mudanças climáticas sobre os parasitas não são lineares nem iguais para todos os grupos. No caso desses parasitas sanguíneos, que são transmitidos por vetores, fatores como a disponibilidade de insetos, a umidade ou a resposta imunológica das aves influenciam”, destacou.

Além dos parasitas, o estudo analisou variáveis demográficas e reprodutivas das aves, como data e tamanho da postura ou da ninhada. De acordo com o especialista da Universidade Complutense de Madri, Alejandro Cantarero, embora as tendências não tenham sido estatisticamente significativas, os dados apontam para um adiantamento na data de postura dos ovos, algo que “é observado em outros estudos e está claramente relacionado ao aumento das temperaturas”.

Da mesma forma, registra-se uma redução no tamanho das ninhadas e uma diminuição no tamanho da postura em muitas das populações estudadas, “ajustes que nem sempre são suficientes para compensar as rápidas mudanças do ambiente”. Em linhas gerais, o MNCN explica que as mudanças e os desacoplamentos detectados neste estudo podem desencadear efeitos em cascata sobre a biodiversidade.

“O fato de o clima estar alterando as interações entre aves e parasitas de maneira diferente dependendo da latitude implica que não podemos esperar respostas uniformes à mudança climática, uma informação fundamental na hora de elaborar estratégias de conservação realistas diante do contexto de aquecimento acelerado que vivemos”, destacou o pesquisador do MNCN Santiago Merino.

Além disso, ele alerta que alguns parasitas aviários estão relacionados a patógenos que afetam outros animais, incluindo os seres humanos, pelo que compreender essas dinâmicas também é relevante do ponto de vista da saúde global.

“Comparando dados coletados ao longo de décadas e em amplos gradientes geográficos, podemos realmente entender como as mudanças climáticas estão reconfigurando as relações biológicas; daí a importância de manter esses programas de monitoramento de longo prazo”, conclui o pesquisador da Estação Biológica de Doñana, Jordi Figuerola.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado