MADRID 27 jul. (Portaltic/EP) -
O maior desafio dos óculos inteligentes da Apple será livrar-se do estigma relacionado à privacidade que os óculos da Meta causaram e que já resultou em sua proibição em locais públicos, como tribunais, áreas infantis e banheiros.
O jornalista da Bloomberg, Mark Gurman, em seu boletim “Power On”, revelou detalhes sobre um dos maiores desafios que a Apple enfrenta com seus óculos inteligentes (codinome N50), que a empresa planeja apresentar na WWDC de junho de 2027, com lançamento previsto para o final daquele mesmo ano.
O atraso na chegada dos óculos inteligentes da Apple deveu-se à preocupação gerada pela invasão da privacidade do público em geral, que desconfia dos óculos da Meta, o que resultou em proibições em tribunais, como nos tribunais de Nova York, ou em cassinos, banheiros e áreas infantis dos cruzeiros da Royal Caribbean Cruises.
Por esse motivo, as equipes de “hardware” da Vision da Apple, responsáveis pelo desenvolvimento dos óculos, consideram a privacidade a prioridade número um, devido à aversão que esse tipo de “gadget” está causando nas pessoas.
Gurman destaca que alguns consumidores se sentem desconfortáveis quando estão perto de pessoas que usam esse tipo de “gadget” com câmera, principalmente porque não sabem ao certo se estão gravando ou não.
Isso se deve ao uso indevido que os usuários têm feito dos óculos da Meta, já que alguns os manipularam para que o dispositivo não exiba o LED que indica que um vídeo está sendo gravado.
Embora a Meta tenha adicionado proteções para desativar a gravação caso a luz indicadora tenha sido manipulada, o alarme continua soando em relação a uma categoria de produtos na qual a Apple vai apostar pesado no ano que vem. Um ano crucial, pois faz parte de um dos ciclos de produtos mais importantes de sua história, já que será o ano do vigésimo aniversário do iPhone.
Diante desse panorama, segundo informações obtidas por Gurman, as propostas da Apple para seus óculos inteligentes irão desde priorizar o processamento local no próprio dispositivo até dispensar funções de reconhecimento facial, ou a possibilidade de desenvolver novos recursos de privacidade, tanto de “hardware” quanto de “software”, que não estão disponíveis em nenhum dos produtos atuais da Apple.
De fato, já está em andamento um protótipo no qual a câmera foi completamente removida e que oferece as experiências mencionadas. Há outro modelo, segundo Gurman, no qual o sistema completo de câmeras serviria apenas para observar o mundo ao redor do usuário a fim de consultar a IA, e a opção de tirar fotos e gravar vídeos seria desativada. De certa forma, isso é semelhante aos novos AirPods nos quais a Apple já está trabalhando e que vêm equipados com câmera, voltados para as funções de inteligência visual do iPhone.
A empresa de tecnologia já sabe que precisará de vários anos para atualizar o “software”, aperfeiçoar as diretrizes e colaborar com os órgãos reguladores para otimizar a experiência que seus óculos proporcionarão, embora isso não impeça que alguns usuários continuem fazendo uso indevido deles.
Além disso, se a empresa conseguir que seu gadget seja um grande sucesso, os benefícios de usar os óculos da Apple serão múltiplos, já que os usuários poderão ter acesso a uma experiência sem usar as mãos com a Siri, reprodução de música e chamadas, além de uma autonomia que lhes permitirá usá-los durante todo o dia.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático