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MADRID 1 jul. (Portaltic/EP) -
A Apple e a Comissão Europeia realizaram uma reunião para explorar formas que permitam o lançamento do Siri AI na União Europeia sem violar a Lei dos Mercados Digitais (DMA), conseguindo um “diálogo construtivo” para continuar trabalhando em uma solução.
A empresa de Cupertino apresentou a Siri AI, sua tão esperada versão renovada de sua assistente mais inteligente e integrada, impulsionada pela nova geração da Apple Intelligence, no âmbito de sua conferência anual WWDC 26, no início de junho.
A empresa de tecnologia deixou claro desde o início que o Siri AI não estaria disponível para os usuários da União Europeia devido à DMA e ao fato de que a nova versão do Siri ainda não é compatível com suas exigências. Portanto, não se espera que ela esteja disponível nos iPhones, Apple Watches e iPads dos cidadãos europeus, embora o objetivo da Apple seja “continuar trabalhando com os reguladores da UE” para encontrar uma maneira de viabilizar o lançamento do Siri AI na UE.
Justamente nesse contexto, o diretor executivo da Apple, Tim Cook, e a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, se reuniram nesta semana para discutir as complicações do lançamento da Siri AI na UE.
Isso foi divulgado pelo Financial Times, com base em declarações de um porta-voz da União Europeia, que afirmou que a reunião se destacou por ter proporcionado uma “troca construtiva sobre temas de interesse comum, sobre os quais o trabalho continua”.
Especificamente, durante o encontro, ambas as partes tentaram aproximar suas posições sobre como a Apple poderia lançar a versão renovada da Siri na Europa, sem infringir a DMA e, consequentemente, receber multas milionárias. Embora não tenham divulgado mais informações sobre os assuntos discutidos, trata-se de uma nova aproximação entre a empresa de tecnologia e os órgãos reguladores.
A razão pela qual a Apple não pode lançar a Siri AI para os usuários europeus é que, para cumprir a DMA, ela deveria permitir que assistentes de IA de terceiros tivessem acesso aos dados dos dispositivos da Apple, da mesma forma que a Siri. No entanto, a empresa alega que permitir que qualquer sistema tenha acesso “praticamente ilimitado ao dispositivo”, sem a privacidade que a Siri AI garante, representa um risco à segurança dos usuários.
Vale lembrar que a Apple já havia apontado, em ocasiões anteriores, que há uma falta de compromisso por parte da UE. Conforme explicou o vice-presidente sênior de Engenharia de Software da Apple, Craig Federighi, na ocasião do lançamento da Siri AI, a falta de disposição para “participar de forma construtiva em soluções que preservem a privacidade e a segurança” faz com que, atualmente, a empresa não possa oferecer uma data prevista para a disponibilidade da Siri AI no iOS e no iPadOS na UE.
Da mesma forma, a fabricante do iPhone alega que, por sua vez, já ofereceu possíveis soluções, como o Trusted System Agent, “um intermediário que permitiria aos assistentes virtuais acessar com segurança os mesmos recursos e funções que o Siri AI para dispositivos na UE”.
Por sua vez, a Comissão Europeia considera que a Apple pretende obter uma isenção de suas obrigações perante a DMA, o que prejudicaria a concorrência leal. “A Comissão não concederá nenhuma isenção, da mesma forma que um policial não isentaria um motorista de respeitar o limite de velocidade”, afirmou na ocasião o porta-voz comunitário para Soberania Tecnológica, Thomas Regnier.
“A proposta da Apple de adiar a interoperabilidade de agentes de IA de terceiros enquanto seu produto estivesse disponível para os usuários teria representado o risco de consolidar seu serviço antes que outros tivessem a oportunidade de competir por pelo menos dois anos, se não mais”, conforme declarou um funcionário da Comissão Europeia e foi divulgado pelo veículo de comunicação citado.
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