MADRID 5 ago. (Portaltic/EP) -
A inteligência artificial não basta apenas para melhorar a produtividade: as empresas que estão obtendo um impacto real em seus resultados são aquelas que redesenharam seu modelo de negócios para colocá-la no centro de suas operações, com o surgimento do modelo “AI-First”.
O relatório “The AI-First Operating System: A Blueprint for Operating and Business Model Innovation”, elaborado pela consultoria global Kearney e pelo Fórum Econômico Mundial — e que pode ser baixado do site do Fórum Econômico Mundial —, destaca como a IA se tornou um desafio de transformação empresarial e que as empresas que conceberam suas operações em torno dessa tecnologia são as que estão obtendo maior impacto.
Este estudo, baseado na análise de mais de 50 empresas “AI-First” e em mais de 150 entrevistas, workshops e consultas com especialistas, identifica um novo modelo operacional no qual houve uma transição do paradigma “AI-Enabled” para o “AI-First”, com empresas que estão obtendo maior retorno sobre seus investimentos em IA.
O modelo se baseia no fato de que tanto as operações quanto a tomada de decisões e a criação de valor geram melhor desempenho em ciclos de inovação mais rápidos, escalabilidade com equipes reduzidas e a criação de novos produtos que se tornam melhores com o uso, graças a sistemas de aprendizado contínuo.
De fato, os dados coletados mostram que 82% dos tomadores de decisão já utilizam IA semanalmente; no entanto, com um investimento global que ultrapassou 250 bilhões de dólares no ano passado, apenas 25% das empresas afirmam que “estão causando um impacto empresarial significativo”.
“Cada vez mais pessoas utilizam assistentes de IA como o ChatGPT, da OpenAI; o Claude, da Anthropic; o Gemini, do Google; ou o Copilot, da Microsoft. É um primeiro passo importante, pois permite melhorar a produtividade individual. No entanto, parar por aí mal faz diferença no balanço financeiro”, destacou José Cantera, sócio e responsável pela IA na Kearney.
“Muitas empresas espanholas já começaram a incorporar essas ferramentas, mas o desafio agora é muito mais ambicioso: fazer com que a IA deixe de automatizar tarefas isoladas e passe a operar processos completos”, afirma Cantera sobre a mudança que as organizações precisam adotar para se juntar àquelas que já estão obtendo benefícios com o chamado ‘AI-First’.
O AI-First consiste em cinco pilares, dos quais o primeiro se caracteriza por integrar a IA na tomada de decisões, acelerar o aprendizado e a otimização contínua, enquanto o segundo consiste na construção de uma base tecnológica adaptável (que envolve infraestruturas flexíveis que evoluam no ritmo dos avanços em IA).
O terceiro pilar é o redesenho das operações em torno da inteligência, o que implica repensar processos completos (priorizando fluxos de trabalho de alto volume), em vez de simplesmente adicionar a IA a esses processos já existentes. Isso leva ao quarto pilar: repensar a colaboração entre pessoas e IA.
Esse pilar significa que os membros das equipes da organização devem se concentrar no julgamento crítico, na criatividade, na supervisão e na capacidade de resolução de problemas, assim como devem ser criadas equipes como Segurança de IA ou IA integrada ao cliente.
Por fim, a IA facilita a geração de valor por meio de novas ofertas, a possibilidade de melhorar a experiência do cliente (passando do formato de chat para interfaces de voz ou contextuais) e abre novos caminhos de crescimento, como o comércio baseado em agentes (que avaliam e realizam transações em nome de empresas e consumidores).
O relatório oferece uma visão sobre o desempenho que as empresas “AI-First” estão obtendo e, no setor de seguros comerciais, certos processos foram reduzidos de 28 dias para 2,8 horas, enquanto outras empresas nativas em IA alcançaram US$ 100 milhões em receita recorrente anual em questão de meses, em comparação com os quatro ou oito anos que eram necessários anteriormente.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático