MADRID 17 jun. (Portaltic/EP) -
A soberania em matéria de inteligência artificial (IA) tornou-se uma das principais necessidades das empresas atualmente; no entanto, a maioria encontra-se presa a sistemas de IA que não conseguem controlar tão facilmente, em parte devido à sua dependência não reconhecida de fornecedores, modelos e infraestruturas de terceiros.
A IBM divulgou os resultados de seu novo estudo global “The Calculus of AI Sovereignty”, realizado pelo IBM Institute for Business Value, que destaca a importância da soberania na implementação de tecnologia de IA nas empresas, no contexto de um cenário político e tecnológico em constante evolução.
Foi o que explicou a diretora de pesquisa da TechMarketView, Kate Hanaghan, que moderou uma mesa redonda com especialistas para abordar a soberania digital e o futuro tecnológico da Europa, com base nos dados coletados pela IBM.
Especificamente, o relatório, que reúne dados de 370 altos executivos da região EMEA (Europa, Oriente Médio e África), revela que 83% dos diretores executivos em nível global concordam que a soberania em matéria de IA é “essencial” para a estratégia empresarial.
Em contrapartida, apenas 10% dos entrevistados sabem exatamente de quais fornecedores, modelos e infraestruturas de IA sua empresa depende. Isso aponta para uma situação de dependência que vai além: 73% dos executivos admitem que teriam dificuldade em mudar de fornecedor ou de modelo principal de IA, o que reflete uma grande falta de soberania.
Segundo 70% dos entrevistados, isso se deve, em parte, ao fato de que cumprir os requisitos de residência e soberania de dados nas diferentes regiões geográficas “é um desafio”, o que complica a migração de sistemas de IA ou de dados entre diferentes ambientes.
Outro exemplo da dependência que as empresas enfrentam atualmente é que 81% dos executivos reconhecem que, se um provedor principal de IA sofresse uma interrupção de sete dias ou mais, o impacto seria “grave ou crítico”, já que suas operações comerciais ficariam “praticamente paralisadas”.
Como consequência, as empresas entrevistadas sofreram, em média, sete interrupções operacionais relacionadas à IA nos últimos dois anos, sendo os serviços dos fornecedores a principal causa dessas interrupções.
Devido a essa situação, a maioria dos entrevistados atribuiu grande importância à capacidade de poder escolher de quem depende no que diz respeito à IA. Tanto é assim que 71% dos executivos afirmam que “aceitariam um aumento de 20% nos custos” para manter os fornecedores de IA, se isso melhorasse a flexibilidade estratégica.
“Atualmente, apenas uma parte dos executivos compreende realmente sua dependência da IA”, afirmou a esse respeito, no prólogo do relatório, a vice-presidente sênior e presidente da IBM para a EMEA e APAC, Ana Paula Assis, ao mesmo tempo em que avaliou que “a lacuna entre a adoção e o controle está se ampliando justamente no momento em que a IA está se tornando indispensável” para as organizações.
A DIVERSIDADE DE FORNECEDORES É INVOLUNTÁRIA
Além da dependência, o estudo também revela um cenário em que as empresas contam com vários fornecedores de IA, embora se trate de uma diversidade de fontes involuntária.
Especificamente, mais de um quarto dos entrevistados na região EMEA possui pelo menos quatro fornecedores distintos de IA. No entanto, isso se deve principalmente a uma necessidade geográfica (67%), já que os requisitos normativos e de conformidade enfrentados pelas empresas, por exemplo, na União Europeia, exigem o uso de diferentes fornecedores em distintas regiões.
Existem também outras razões para essa diversidade de fornecedores, como o fato de as unidades de negócios de uma empresa tomarem decisões de forma independente — o que ocorre em 68% dos casos — ou a complexidade dos sistemas legados (53%).
ONDE RESIDE A SOBERANIA
Levando em conta esses dados e conforme mencionado durante a mesa redonda, a soberania digital e a IA no contexto europeu enfrentam a urgência de reduzir a dependência tecnológica em relação a potências estrangeiras.
Isso se deve ao fato de que, como observou o vice-presidente de dados e IA da empresa de tecnologia Cegeka, Gregory Verlinden, atualmente mais de 75% da infraestrutura de IA está nos Estados Unidos e o restante, em sua maioria, na China; a Europa detém apenas 5%.
Nesse sentido, no caso da Europa, ele avaliou que, embora a legislação seja “útil” — referindo-se a regulamentações como a proposta de Lei de Desenvolvimento de Nuvem e IA (CADA), que visa reforçar a soberania e a autonomia do continente por meio da expansão da infraestrutura de centros de dados —, “o problema de fundo é o risco empresarial”.
Assim, ele destacou que a infraestrutura de IA deve ser vista como “uma necessidade fundamental da sociedade”, algo semelhante à água ou à eletricidade e, portanto, deve-se levar em conta que, se essa estrutura falhar, “setores críticos, como as fábricas de produtos químicos, poderiam enfrentar desafios maiores”.
Por sua vez, o vice-presidente sênior e diretor de Serviços Centrais da Finanz Informatik, Pietro Montemurri, destacou que a soberania não se limita a saber se os dados estão fisicamente na Europa ou nos Estados Unidos, mas deve abranger desde o hardware (projeto de ‘mainframes’, CPU e GPU) e a própria plataforma (nuvem privada ou pública), até o ‘software’ e a integração da IA.
A NUVEM HÍBRIDA COMO SOLUÇÃO PARA IMPULSIONAR A SOBERANIA
Assim, os palestrantes concordaram que o modelo do futuro é a nuvem híbrida, que permite combinar a agilidade da nuvem pública com a autonomia da privada. No entanto, como Gregory esclareceu, para utilizar essa nuvem é necessária uma classificação adequada dos dados por parte das organizações.
“Para as empresas, a combinação de tecnologia de código aberto e controle é o que permite a soberania seletiva: obter o nível adequado de autoridade onde mais importa, sem ter que arcar com o custo da independência total em todas as áreas”, afirmou Assis a esse respeito.
Por sua vez, a diretora de negócios de Nuvem Híbrida Soberana e IA na IBM EMEA, Nina Wilhelmse, também participou da mesa redonda para destacar a necessidade de liderança governamental e como, especificamente os governos europeus, devem “liderar pelo exemplo, especialmente em setores sensíveis como a saúde”.
Com tudo isso, todos os palestrantes concordaram que a soberania da IA na Europa é vista, não como uma barreira, mas como uma oportunidade para criar soluções seguras e centradas no cliente que garantam a autonomia a longo prazo “sem abrir mão do progresso tecnológico global”.
VANTAGENS DE UM MAIOR CONTROLE DAS EMPRESAS SOBRE SUA IA
Por fim, o estudo da IBM também destaca as vantagens que as organizações obtêm quando têm maior controle sobre sua IA, como, por exemplo, registrar menos tempos de inatividade da IA.
Assim, os entrevistados afirmam que, dessa forma, conseguem proteger em 55% a mais seu lucro operacional, em comparação com as interrupções causadas pelos serviços de IA dos quais dependem.
No entanto, é preciso levar em conta que esse é o caso de apenas uma pequena parte das empresas entrevistadas. Apenas 7% operam nesse nível, revelando mais uma vez a lacuna que existe “entre as organizações que desenvolvem sistemas de IA adaptáveis e aquelas que estão limitadas por sua dependência”, conforme concluiu a IBM.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático