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MADRID, 15 ago. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, instou o governo espanhol a “preocupar-se com o Marrocos” em vez de com a Itália, depois que Roma insistiu que só considerará suspender a suspensão do Acordo de Schengen quando os riscos diminuírem completamente diante da possibilidade de uma nova entrada irregular em massa de pessoas no território nacional espanhol neste sábado.
“Não estamos travando nenhuma batalha contra a Espanha; simplesmente controlamos cuidadosamente as chegadas e já impedimos a passagem de pessoas que não tinham direito de entrar na Itália. Em vez de se preocupar conosco, a Espanha deveria se preocupar com Marrocos: é lá que os problemas se originam, não em nossos controles, que servem para impedir que imigrantes ilegais e, pior ainda, potenciais terroristas, cheguem à Europa”, afirmou ele em entrevista ao jornal ‘Corriere della Sera’.
Tajani afirmou, assim, que as autoridades avaliarão se os “alertas” sobre uma possível entrada de migrantes em Ceuta vindos de Marrocos neste sábado “são bem fundamentados” para agir em conformidade. “Sem dramatizar a situação. O Espaço Schengen está suspenso há mais de dois anos com a Eslovênia justamente porque se trata de outra porta de entrada para a Itália e a Europa que está em risco”, defendeu durante a entrevista, divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores.
“Os serviços de inteligência espanhóis já alertaram sobre o risco de uma nova onda de chegadas a Ceuta e, com isso, a ameaça concreta do terrorismo islâmico. E se para eles isso é evidente, por que deveríamos subestimá-lo?”, argumentou.
Com relação à medida anunciada pela Alemanha de que devolverá à Itália os migrantes em situação irregular que entrarem pelas fronteiras desse país, ele explicou que o assunto está sendo debatido “enquanto se aguarda a definição, na Europa, das normas para a implementação do tratado”.
“Não há conflito entre nós; temos o mesmo objetivo: sim aos fluxos regulares, inclusive em grande escala se necessário, de trabalhadores estrangeiros. Não a medidas como a de Sánchez sobre anistias em massa, que incentivam a chegada de pessoas, inclusive desesperadas ou com más intenções.
Isso ocorre poucos dias depois de o ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, ter afirmado durante uma comissão parlamentar que a “única” motivação do governo italiano é “a proteção da segurança nacional”.
“Gostaria de reiterar que nossa decisão de restabelecer temporariamente os controles de fronteira, aéreos e marítimos nas fronteiras internas não é uma medida dirigida contra a Espanha ou qualquer outro parceiro. Está fora de questão qualquer ato desse tipo em relação à Espanha, país ligado a nós por laços históricos de amizade e irmandade”, disse ele.
Piantedosi também argumentou que os controles se dirigem “exclusivamente aos cidadãos de países terceiros provenientes de fora da UE”. “Isso não afeta de forma alguma os fluxos turísticos; os primeiros relatórios atestam que o impacto da medida sobre os cidadãos europeus tem sido nulo até o momento”, destacou.
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