Andre M. Chang / Zuma Press / Europa Press
MADRID 14 set. (Portaltic/EP) -
Os líderes dos principais laboratórios de Inteligência Artificial (IA) estão pedindo um pacto para conter a competição frenética em que se encontram imersos, e estão estudando a criação de um órgão responsável por controlar sistemas de IA que, de acordo com os avanços alcançados neste ano, poderiam causar prejuízos de milhões caso apresentem falhas.
O artigo publicado neste sábado pelo CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendendo a desaceleração do ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial, recebeu o apoio de algumas das figuras mais importantes do setor de IA, como o CEO da OpenAI, Sam Altman; o chefe da unidade de IA do Google, Demis Hassabis; e o CEO da SpaceX, Elon Musk.
Entre as reações está a de Hassabis, que publicou no X (antigo Twitter) seu apoio ao apelo de Amodei, enquanto Altman seguiu o mesmo caminho na rede social ao compartilhar que “o progresso tem sido rápido e continuará sendo. Mas deveria ser mais lento”, lembrando que a pressão entre os gigantes não deveria justificar uma possível imprudência.
No texto de Amodei, pode-se ler que, devido ao perigo que pode representar o desalinhamento dos modelos de IA — que, desde este verão, avançaram exponencialmente em seu desempenho e capacidades, provocando casos únicos como o ataque de um enxame de agentes de IA da OpenAI ao Hugging Face —, ele propõe um plano de três etapas para desacelerar o desenvolvimento de modelos avançados e impor medidas de segurança e avaliação que acompanhem seu progresso.
Segundo o The Washington Post, antes do apoio e da publicação do ensaio de Amodei, a Anthropic, a OpenAI e o Google vinham debatendo a possível criação de um novo órgão autorregulatório independente que se encarregaria de impor medidas de segurança padrão em um setor que evolui em ritmo acelerado.
Esse órgão seria semelhante aos de outros setores, conforme mencionado por Amodei, que citou como exemplo a Autoridade Reguladora da Indústria Financeira (FINRA), que, como organização privada e sem fins lucrativos autorizada pelo Congresso dos Estados Unidos, é responsável por supervisionar e autorregular as corretoras de valores mobiliários e as corretoras de bolsa do país.
Trata-se de um órgão inédito, idealizado pelas próprias empresas do Vale do Silício, que aceleraram o avanço de uma tecnologia que agora elas mesmas desejam conter. De fato, o próprio Amodei sugeriu solicitar uma isenção “limitada” nas leis de concorrência dos Estados Unidos que lhes permita chegar a um acordo e coordenar esses limites de segurança.
No entanto, esses apelos por desaceleração e novas regras para o setor intensificarão a tempestade política que o governo dos Estados Unidos enfrenta. O próprio presidente, Donald Trump, mostrou-se contrário a frear o desenvolvimento, ao declarar: “Estamos superando a China em IA, somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero que continue assim”.
Da mesma forma, há vozes críticas na indústria e entre alguns concorrentes, bem como no governo dos Estados Unidos, que apontam que uma desaceleração acordada entre os gigantes do setor, além de funcionar como um “cartel” para bloquear concorrentes menores, prejudicaria a vantagem estratégica do país diante de potências rivais como a China.
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