OVIEDO 12 ago. (EUROPA PRESS) -
Faltam poucas horas para o início do eclipse total de Sol que transformará o dia em noite, e no Principado das Astúrias os mais previdentes já têm tudo preparado para vivenciar o evento do século. Em Oviedo, com uma temperatura que chega a quase 30 graus, as pessoas já estão preparadas à sombra das árvores no Parque do Oeste — local que o governo escolheu como o melhor de Oviedo para observar o fenômeno — e até fazem as primeiras especulações sobre como vão vivenciar o momento.
“Há apostas de que eu vou chorar”, admitiu Enrique, um dos curiosos que já está, junto com sua família, há várias horas acampado no parque. No caso deles, o eclipse total de Sol serviu para reunir várias gerações vindas de diferentes partes da Espanha e da França. “Aproveitamos para passar o dia em família; eles vieram da França e não nos vemos com muita frequência”, explica Sonia.
O calor que faz desde o meio-dia na capital asturiana não impediu essa família, cujos membros residem, em parte, na Extremadura: “Está quente, mas há uma brisa e a gente aguenta”, conta Sonia.
Sobre o eclipse, Enrique explica que, em sua família, já fizeram as previsões sobre as emoções que esse evento vai despertar. “Pelo que entendi, isso deve me fazer chorar”, garantiu. Quem faz a aposta é Sophie, que mora na França e, em 2024, pôde assistir a um eclipse total no Canadá. “Foi um momento incrível, não esperávamos encontrar tanta gente”, garantiu ela. Nas Astúrias — onde mora temporariamente enquanto cursa a residência médica —, ela esperava ver mais gente no Parque do Oeste, mas observou muitas pessoas falando sobre o eclipse pela cidade. “Tem um clima muito legal”, destacou.
A família tem tudo preparado para o eclipse: depois de um almoço no campo, como aqueles que fazia muito tempo que não faziam, já estão equipados com óculos, filtros e telescópio para garantir a observação de um evento que não ocorre nas Astúrias desde 1905.
UMA MÁSCARA DE ESTRELAS E ÓCULOS DE PROTEÇÃO
Em outro ponto do parque, mas também voltados para o oeste, está a família formada por Ana, Carlos e seus dois filhos. A mais velha das meninas garante que vai colocar “óculos especiais” para vivenciar esse acontecimento histórico. Junto com os pais, ela fez uma máscara com estrelas desenhadas, na qual os óculos ficam encaixados.
Como as previsões meteorológicas indicavam que o céu ficaria nublado na costa, essa família, vinda de Avilés, optou por “ir para o interior” e montar seu pequeno acampamento em Oviedo. “Estávamos considerando vários locais, pensamos em assistir na costa, mas, ao ver a previsão do tempo, decidimos ir para o interior”, contou Ana.
“Temos verificado e acreditamos que vamos conseguir ver”, confia Carlos, que explicou que escolheram o Parque del Oeste por ser um dos locais recomendados pelas autoridades. Eles também esperam que a previsão de nuvens e claros — que ameaça impedir a visão do eclipse — deixe em Oviedo mais claros do que nuvens, para que possam aproveitar esse evento em família.
TRÍO DE ECLIPSES
O eclipse total de Sol de 12 de agosto é o primeiro do Trio de Eclipses (2026-2027-2028), uma sequência sem precedentes que colocará a Espanha como epicentro astronômico mundial durante três anos consecutivos.
O segundo, em 2 de agosto de 2027, é considerado pela comunidade científica como o mais longo do século XXI visível da Europa, com até cinco minutos de escuridão total em Ceuta. O terceiro, em 26 de janeiro de 2028, formará um anel de fogo sobre a Península, do sudoeste ao nordeste.
Nesse dia, a faixa de escuridão entrará pelo noroeste da Península e atravessará o país de oeste a leste, passando pela Galícia, Astúrias, Cantábria, Castela e Leão, La Rioja, País Basco, Navarra, Aragão, Comunidade de Madri, Castela-La Mancha, Catalunha, Comunidade Valenciana e Ilhas Baleares.
Há 121 anos, em 30 de agosto de 1905, as Astúrias ficaram às escuras em pleno meio-dia por alguns breves segundos. O fenômeno pôde ser observado de praticamente toda a região das Astúrias, uma vez que, assim como nesta ocasião, ela se encontrava bem no centro da faixa de totalidade. Esse evento, para o qual a Universidade de Oviedo publicou um guia divulgativo — agora reeditado por ocasião do eclipse de 2026 —, constitui o antecedente mais próximo do que ocorrerá nesta quarta-feira.
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