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MADRID 7 maio (EUROPA PRESS) -
A Associação Nacional de Empresas de Saúde Ambiental (ANECPLA) destacou a importância da prevenção baseada na Saúde Ambiental Aplicada, “que é capaz de minimizar os riscos biológicos de forma eficaz”, e pediu calma diante do surto de hantavírus registrado a bordo de um cruzeiro com destino às Ilhas Canárias, com três mortes confirmadas e vários casos sob investigação.
O diretor-geral da ANECPLA, Manuel García Howlett, afirmou que estamos diante de um exemplo de como os riscos biológicos associados a vetores “podem se manifestar em ambientes globalizados e altamente movimentados”, mas também de como a prevenção, baseada na Saúde Ambiental Aplicada e na abordagem ‘One Health’, pode ser útil para minimizar o risco de surgimento desse tipo de surto.
Este incidente, que está sendo analisado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta o navio MV Hondius e colocou a Saúde Ambiental Aplicada na “linha de frente” contra doenças zoonóticas.
A associação insistiu que instalações como navios, hotéis, armazéns ou infraestruturas logísticas “devem contar com protocolos rigorosos de vigilância, gestão de pragas e avaliação contínua do risco biológico”.
O hantavírus é uma infecção viral transmitida fundamentalmente por roedores por meio de suas excreções, mas com uma variante capaz de se transmitir de pessoa para pessoa, conhecida como “cepa Andes”, à qual foi atribuído este surto.
Essa doença zoonótica pode apresentar quadros clínicos variados, desde a ausência de sintomas até a morte do paciente; de fato, sua letalidade pode chegar a cerca de 40% nos surtos causados por suas formas mais graves.
Esse vírus é transmitido principalmente pela inalação de partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva de roedores infectados, especialmente em espaços fechados ou mal ventilados. Embora a transmissão entre pessoas seja “extremamente rara”, a gravidade da doença e a ausência de tratamento específico tornam a “prevenção a ferramenta mais eficaz”, conforme afirmado pela ANECPLA.
UMA BARREIRA CRÍTICA CONTRA AMEAÇAS INVISÍVEIS
“A Saúde Ambiental não é um complemento, é uma barreira crítica contra ameaças invisíveis. Somente por meio da intervenção de profissionais especializados e em coordenação com as autoridades sanitárias podemos minimizar o risco de surtos com impacto na saúde pública”, destacou Manuel García Howlett.
Nesse sentido, o setor de cruzamentos constitui um ambiente “especialmente sensível” do ponto de vista sanitário, uma vez que centenas ou até milhares de pessoas convivem durante dias em espaços fechados, compartilhando sistemas de água, alimentação, climatização e gestão de resíduos.
Nesse contexto, a gestão de vetores e pragas torna-se um “elemento essencial” para prevenir doenças infecciosas, contaminações alimentares e outros riscos à saúde. Por isso, a implementação de um Plano de Gestão Integrada de Pragas consolidou-se como um padrão “indispensável” na operação de navios de passageiros.
Conforme indicado pela ANECPLA, esse modelo combina prevenção, monitoramento e intervenção, priorizando “a antecipação em detrimento das abordagens reativas tradicionais”. Nesse contexto, seu objetivo é identificar riscos antes que se materializem, agir sobre as causas e garantir a rastreabilidade de todas as ações.
Além disso, eles lembraram que a presença de pragas a bordo não só representa um risco imediato, mas também pode resultar em restrições operacionais em portos internacionais, com “importantes consequências sanitárias e econômicas”.
PREVENÇÃO, MANUTENÇÃO PREVENTIVA E INTERVENÇÃO IMEDIATA
Nessa linha, García Howlett sustentou que a eficácia de um Plano de Gestão Integrada de Pragas em cruzeiros se baseia em “três pilares fundamentais”: a formação da tripulação (para a detecção precoce de riscos), a manutenção preventiva contínua (com o apoio de empresas especializadas) e a capacidade de intervenção imediata a bordo (em ambientes isolados, como a navegação em alto mar).
Ao mesmo tempo, ele declarou que um sistema bem implementado não apenas protege a saúde dos passageiros e da tripulação, mas também “reforça a confiança do viajante e o compromisso do setor com a sustentabilidade”. A ANECPLA lembrou que, apesar das rigorosas medidas preventivas, “o risco zero não existe”.
“As mudanças globais e a pressão sobre os ecossistemas estão favorecendo o surgimento de novos riscos e a intensificação de outros já conhecidos. A Saúde Ambiental é, hoje mais do que nunca, um pilar estratégico para nos anteciparmos a eles”, acrescentou o ambientalista.
A associação alertou que o controle de ratos enfrenta atualmente, entre outros, dois “grandes desafios”. Por um lado, o desenvolvimento de resistências biológicas a determinados rodenticidas anticoagulantes, tradicionalmente utilizados para o seu controle, e, por outro, as crescentes restrições normativas europeias ao uso desses produtos, que limitam concentrações, aplicações e contextos de utilização.
“As resistências reduzem a eficácia de alguns tratamentos e obrigam a repensar as estratégias de gestão. A isso soma-se uma regulamentação cada vez mais exigente, que é necessária do ponto de vista ambiental, mas que requer maior planejamento, conhecimento técnico e recursos”, acrescentou o diretor-geral da ANECPLA.
Diante desse cenário, a Associação Nacional de Empresas de Saúde Ambiental insistiu na necessidade de apostar em uma gestão integrada de pragas, baseada na prevenção, na limpeza e higiene urbana, no controle técnico profissional e na coordenação entre os órgãos públicos, empresas especializadas e a população.
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