Publicado 12/01/2026 09:58

Analisam a tropicalização do Mediterrâneo espanhol e alertam para um processo desigual entre regiões

Exemplar de Canthigaster capistrata nas águas do mar de Alborán
IEO-CSIC

MÁLAGA 12 jan. (EUROPA PRESS) - O Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO-CSIC) publicou um estudo que reavalia o impacto do aquecimento marinho nas comunidades de peixes do Mediterrâneo espanhol.

A investigação confirma sinais de tropicalização no Estreito e no Mar de Alborán, enquanto que na zona levantino-balear o fenómeno não se observa com clareza, apesar de se ter registado um forte aumento térmico nas últimas décadas.

O trabalho, liderado pelo oceanógrafo Manuel Vargas-Yáñez do Centro Oceanográfico de Málaga do IEO-CSIC, foi publicado na revista Journal of Marine Science and Engineering.

O estudo utiliza pela primeira vez para esta análise os dados obtidos pelas campanhas de avaliação dos recursos pesqueiros pelo IEO durante várias décadas, além de um vasto conjunto de dados de temperatura obtidos de bases de dados internacionais, bem como dos próprios programas de monitorização do Mediterrâneo mantidos pelo Instituto, indicaram em comunicado.

Vargas-Yáñez explicou que “nossos resultados mostram que a tropicalização não é tão simples quanto pensar que o mar está esquentando e peixes tropicais estão chegando” e acrescentou que “em algumas regiões, vemos espécies que toleram águas mais quentes, mas em outras, detectamos a chegada de peixes provenientes de mares mais frios ou de outras zonas mediterrâneas. O aquecimento é apenas uma parte da história”. O estudo confirma que no Estreito e em Alborán foram detectadas espécies cuja tolerância térmica é claramente superior à dos peixes nativos, como o peixe-leão (Pterois miles), o tubarão-baleia (Rhincodon typus) ou peixes tropicais do Atlântico, como o Paranthias furcifer.

No entanto, na zona levantino-balear ocorre o contrário: várias das novas espécies registradas são de águas frias ou simplesmente eram desconhecidas pela ciência, pelo que não se pode falar de tropicalização generalizada.

“As evidências científicas mostram que muitos registros não são invasões tropicais, mas descobertas tardias, migrações de espécies de águas frias ou introduções causadas por atividades humanas”, enfatizou Vargas-Yáñez. UM FENÔMENO COMPLEXO COM IMPLICAÇÕES PARA A GESTÃO MARINHA

Os autores destacam que a chegada de novas espécies, independentemente de sua origem térmica, pode alterar as cadeias tróficas, introduzir novas interações ecológicas e modificar habitats essenciais.

A investigação sublinha a importância de reforçar a vigilância científica no Mediterrâneo espanhol, apoiando-se em redes de monitorização biológica e pesqueira, programas de ciência cidadã e novas linhas de trabalho baseadas na genética e estudos de reprodução, incluindo a deteção de ovos e larvas de espécies exóticas.

Segundo os autores, apenas uma estratégia integral permitirá diferenciar entre espécies que se estabelecem de forma permanente e aquelas que aparecem ocasionalmente, bem como antecipar possíveis impactos ecológicos e de gestão pesqueira.

Por último, eles apontaram que esse esforço requer colaboração internacional e a continuidade dos programas de monitoramento liderados pelo IEO-CSIC no âmbito das campanhas oceanográficas e das observações de longo prazo realizadas no Mediterrâneo espanhol.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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