Marta Fernández - Europa Press
MADRID 3 jun. (EUROPA PRESS) -
As associações MIR Espanha (AME) e Médicos Unidos por seus Direitos (MUD) manifestaram sua rejeição e “profunda preocupação” pela recente aprovação do anteprojeto do Estatuto-Quadro no Conselho de Ministros, situação diante da qual pediram o retorno ao “diálogo” porque, caso contrário, defenderiam uma “greve por tempo indeterminado”.
“O diálogo ainda é possível”, afirmaram ambas as organizações por meio de um comunicado conjunto, após o qual sinalizaram que, “para isso, é imprescindível ouvir aqueles que há meses vêm alertando que a abordagem atual não atende às necessidades reais da profissão médica nem do Sistema Nacional de Saúde (SNS)”.
Se as negociações não forem retomadas, “não teremos outra escolha a não ser intensificar as medidas de pressão e apoiar de forma decidida a greve por tempo indeterminado dos médicos e profissionais da área”, expuseram, ao mesmo tempo em que sublinharam que o atual momento é “um ponto de não retorno” para a profissão.
Nesse sentido, a AME e a MUD qualificaram como “grave erro político e institucional” o fato de “impulsionar essa reforma sem ter alcançado previamente um acordo com os médicos especialistas e os médicos residentes (MIR)”. Esses grupos são os “principais afetados por muitas das medidas previstas no texto”, declararam, especificando que os primeiros o são “por se tratar do marco normativo de sua situação profissional” e os segundos “porque o restante de sua vida profissional dependerá disso”.
“Durante meses, milhares de médicos participaram de concentrações, manifestações e jornadas de greve para transmitir ao Ministério da Saúde sua rejeição a diversos aspectos da proposta”, continuaram, acrescentando que “longe de iniciar uma negociação que permitisse aproximar posições, o Ministério da Saúde, com a ministra Mónica García à frente, optou por dar continuidade à tramitação da norma, ignorando o profundo mal-estar existente na profissão médica”.
"FALTA DE SENSIBILIDADE" COM O COLÉCTIVO
Na sua opinião, o facto de o texto ter chegado ao Conselho de Ministros "é mais uma demonstração de falta de sensibilidade para com o colectivo médico", o que "evidencia a necessidade de intensificar as medidas de pressão para abordar de forma decidida os problemas estruturais que continuam a afetar milhares de profissionais".
A esse respeito, destacou situações como “jornadas intermináveis, plantões obrigatórios, remunerações insuficientes, dificuldades para conciliar vida profissional e pessoal, déficit de supervisão na Formação Sanitária Especializada (FSE) e falta de reconhecimento das particularidades da profissão médica”.
“É especialmente preocupante que uma reforma desta magnitude avance sem contar com o apoio daqueles que garantem diariamente a assistência à saúde em hospitais, centros de saúde, pronto-socorros e serviços de emergência”, prosseguiram a AME e a MUD, que sublinharam que, por isso, “o conflito continua em aberto”.
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