Publicado 16/07/2026 09:46

Alternativas ao scroll infinito que permitem uma experiência nas redes sociais mais consciente do tempo

Recurso de redes sociais
UNSPLASH/MANAS RB

MADRID 16 jul. (Portaltic/EP) -

As redes sociais acostumaram seus usuários a ver um conteúdo atrás do outro, sem dar tempo para pensar, com recursos como o “scroll” infinito ou a reprodução automática de vídeos, mas existem alternativas de design que tornam a experiência mais consciente do tempo que se passa nelas.

A rolagem infinita, a reprodução automática, as notificações push e os sistemas de recomendação personalizados do Instagram e do Facebook estão na mira da Comissão Europeia por fazerem parte de um design viciante que pode custar à Meta uma multa milionária.

Esses recursos vêm sendo alvo de críticas há anos por sua capacidade de prender os usuários, fazendo com que passem horas nas redes sociais, e, em fevereiro, levaram o diretor executivo da Meta, Mark Zuckerberg, a defender que sua rede social Instagram foi projetada para ser útil, no âmbito de um julgamento histórico sobre o vício em redes sociais nos Estados Unidos.

Dentre esses recursos, um dos mais polêmicos é o chamado “scroll” infinito, a ação de deslizar pela tela de baixo para cima para continuar vendo novos conteúdos, o que faz com que os espanhóis percam, em média, quase dois dias por mês, conforme alertou um relatório da OnePlus publicado no ano passado.

Essa forma de consumir conteúdo não é inofensiva; mais da metade dos usuários reconhece ter sentido efeitos adversos, como cansaço, ansiedade ou culpa, após passar tempo demais deslizando na tela de seus celulares, e até 28% afirmam que isso diminui sua capacidade criativa.

O “scroll” infinito está presente no Instagram e no Facebook, mas também em outras plataformas como o TikTok, principalmente para vídeos de curta duração. Sua ampla difusão torna difícil pensar em alternativas menos prejudiciais, mas elas existem, como a possibilidade de virar a página para carregar novos conteúdos — um design que o Google retomou há dois anos para os resultados de seu mecanismo de busca.

Até mesmo o Instagram, uma das plataformas investigadas pela Comissão Europeia, já teve no passado um design menos agressivo, baseado em “um ‘feed’ cronológico no qual o conteúdo era determinado pelas contas que cada usuário decidia seguir e com as quais interagia”, lembra a gerente de comunicação da Qustodio, Emily Lawrenson, em declarações à Europa Press.

Embora essa lógica ainda esteja presente na rede social, a diretora explica que “a diferença é que hoje esse conteúdo coexiste com recomendações, anúncios e publicações selecionadas por algoritmos com base no que a plataforma considera que pode interessar ao usuário”.

Além de carregar o conteúdo em páginas — o que exige que o usuário clique nelas —, a experiência do Instagram e de outras redes sociais poderia se tornar “mais equilibrada” se fossem adicionadas “pequenas mudanças”, como permitir que o usuário escolha seus temas de interesse, a possibilidade de alternar entre o ‘feed’ das contas seguidas e outro de descoberta, acrescenta Lawrenson.

A reprodução automática de vídeos é outra das funcionalidades questionadas e que complementa e facilita a rolagem infinita, já que não espera que os usuários cliquem no vídeo que desejam assistir para que a reprodução comece, impulsionando o consumo contínuo de conteúdo.

Desativar a reprodução automática ou incorporar avisos como “você já viu todo o conteúdo novo” são outras propostas citadas pela diretoria da Qustodio que permitem limitar a rolagem infinita.

CONTEÚDO NOVO CONTINUAMENTE

A necessidade de rolar a tela também é impulsionada pelo próprio conteúdo exibido no feed, que é uma mistura do que vem das contas que os usuários seguem com recomendações selecionadas automaticamente pelo algoritmo da plataforma, para que sempre haja algo novo a ser descoberto.

De modo geral, esse algoritmo se baseia na atividade dos usuários, ou seja, nas publicações nas quais eles clicam, marcam um “Curtir” ou dedicam mais tempo, entre outros fatores, com o objetivo de que os conteúdos exibidos correspondam aos seus interesses, para que possam descobrir coisas novas.

Ele é considerado um elemento opaco, cujo funcionamento real não é conhecido, sobre o qual os usuários têm pouco ou nenhum controle, além de apagar periodicamente o histórico de buscas ou indicar que um conteúdo não é do seu interesse — se essa opção existir —, para ajustar a relevância dos conteúdos.

Algumas empresas de redes sociais e serviços de streaming introduziram, no último ano, controles que permitem ajustar, até certo ponto, esse algoritmo, por meio da seleção de categorias ou temas gerais, como ocorre no Pinterest, no TikTok e, em fase de teste, no Instagram; ou por meio de solicitações diretas, seguindo o exemplo das orientações dos “chatbots” de inteligência artificial generativa, como no Threads ou no Spotify.

PAUSAS PARA RESPIRAR UM POUCO

As empresas de plataformas sociais também introduziram ferramentas de bem-estar digital com o pretexto de ajudar os usuários a reduzir o tempo que passam rolando a tela, permitindo configurar uma notificação para fazer uma pausa, que, em muitos casos, pode ser ignorada e desativada.

Como explica a gerente de comunicação da Qustodio, “os recursos de bem-estar digital só alcançam uma adoção real quando têm um efeito tangível sobre o uso do aplicativo. Não é a mesma coisa uma notificação pop-up que simplesmente sugere fazer uma pausa ou lembra dos efeitos do uso excessivo e um limite de tempo acompanhado de um bloqueio efetivo que impeça a continuação do uso do aplicativo”.

No nível do sistema operacional, há mais opções para se desconectar, como as oferecidas pelo Android, que incluem um temporizador de tempo de uso para aplicativos específicos, um modo de descanso e um modo sem distrações para silenciar temporariamente os aplicativos mais perturbadores.

Com o Android 17, surgiu um recurso mais restritivo, que introduz um “ponto de pausa”, ou seja, um momento de reflexão ao abrir um aplicativo com potencial de distrair (como uma rede social), para que o usuário tenha dez segundos para respirar, configurar um temporizador de uso ou sair do aplicativo.

Esse ponto de pausa também dá um tempo ao usuário para que ele decida se deseja desativar essa função, já que ela exige a reinicialização do dispositivo para concluir a ação.

No caso do iOS, as ferramentas de bem-estar digital permitem definir um tempo máximo de uso diário para determinados aplicativos, bem como bloquear a ação de “adicionar mais um minuto” quando esse limite de tempo for atingido.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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