MADRID 18 mar. (EUROPA PRESS) -
Mudanças nas proteínas responsáveis pela regulação da água no cérebro podem afetar o nervo óptico e a retina, causando alterações visuais, conforme demonstrado por uma equipe de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Oftalmológica Ramón Castroviejo (UCM/IdISSC) e do Instituto de Pesquisa Biomédica Sols-Morreale (CSIC-UAM).
O estudo, publicado na revista 'Fluids and Barriers of the CNS', representa um "passo importante" na compreensão da relação entre o sistema visual e a hidrocefalia, que se caracteriza pelo acúmulo excessivo de fluido no cérebro e pode causar danos neurológicos e distúrbios visuais.
Os cientistas analisaram um modelo de camundongo com deficiência da proteína Kidins220, que é essencial para a sobrevivência e a função neuronal, e fizeram a descoberta "surpreendente" de que a falta dessa proteína não causava a perda de neurônios especializados na retina.
"Isso nos levou a analisar outra proteína regulada pela 'Kidins220', chamada Aquaporin-4 (AQP4), que é fundamental para manter o equilíbrio hídrico do cérebro. Descobrimos que no nervo óptico havia baixos níveis de AQP4, como ocorre em regiões do cérebro com deficiência de Kidins220, o que explica o acúmulo de líquido no cérebro", explicou o pesquisador do IIORC (UCM/IdISSC) e primeiro autor do artigo, Jose Antonio Fernández-Albarral.
Ao analisar as células de Müller, que regulam o balanço hídrico e nutrem os neurônios da retina, eles puderam verificar que os níveis de AQP4 eram mais altos, o que sugere que a retina poderia ter seus próprios mecanismos de defesa diante de mudanças no balanço hídrico, diferentes dos do cérebro, conforme detalhado pela pesquisadora do IIORC (UCM/IdISSC) Ana Isabel Ramírez.
Além de ampliar o conhecimento sobre a relação entre o cérebro e a retina, esse trabalho também oferece "novas pistas" sobre os possíveis mecanismos envolvidos na síndrome SINO, uma doença rara e quase desconhecida em crianças, que causa hidrocefalia, problemas motores, deficiência intelectual, obesidade e distúrbios visuais.
Essa patologia foi descoberta há menos de dez anos e é conhecida por ser causada por mutações no gene que codifica a proteína Kidins220, razão pela qual os pesquisadores enfatizaram a importância de realizar estudos nesse tipo de paciente usando tecnologias avançadas de imagem, como a tomografia de coerência óptica (OCT) para observar suas retinas.
Essas análises permitirão determinar se as diferentes variantes do gene Kidins220 estão associadas a mudanças específicas na retina desses pacientes, "o que ajudaria a entender melhor as alterações na visão das pessoas afetadas pela síndrome SINO e a tratá-las com novas terapias destinadas a melhorar a qualidade de vida dos pacientes".
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