Publicado 30/10/2025 09:31

All.Can Espanha pede um plano nacional para permitir que os sobreviventes de câncer de longa duração tenham uma vida "plena"

Da esquerda para a direita: membros do Comitê Científico do All.Can Spain, Rafael López, Guadalupe Fontán e David Trigos.
ALL.CAN SPAIN

Eles propõem seis recomendações para lidar com as consequências físicas, psicológicas e sociais para dois milhões de pessoas.

MADRID, 30 out. (EUROPA PRESS) -

A plataforma All.Can Spain solicitou nesta quinta-feira um plano nacional para oferecer atendimento integral aos sobreviventes de câncer de longa duração, que já são dois milhões na Espanha, para que possam viver mais tempo e "plenamente", abordando tanto as consequências físicas quanto psicológicas e sociais da doença.

Para realizar esse plano, a organização apresentou um relatório com seis recomendações a serem incluídas, como o desenvolvimento e a implementação de planos de acompanhamento individualizados para esse tipo de paciente.

A membro do Comitê Científico do All.Can Spain e coordenadora do Instituto de Pesquisa em Enfermagem do Conselho Geral de Enfermagem, Guadalupe Fontán, destacou durante uma coletiva de imprensa que esses planos devem ser adaptados ao estágio de vida de cada pessoa e que devem ser atualizados para atender às necessidades em constante mudança dos pacientes.

Esse monitoramento deve ser realizado por equipes multidisciplinares, o que ajudará não apenas a melhorar a qualidade de vida dos sobreviventes de câncer, mas também a detectar possíveis recaídas em um estágio inicial.

"Esses planos devem ser acompanhados de indicadores de monitoramento e da publicação de resultados em cada comunidade autônoma e em nível nacional (...) para serem compartilhados e que servirão de base para novos progressos", acrescentou.

Fontán também enfatizou a importância de incentivar a adesão ao tratamento e promover hábitos saudáveis, que são "fundamentais" justamente para evitar recaídas e o surgimento de outras doenças.

"Ser capaz de trabalhar esses hábitos desde muito cedo ajudará a evitar o aparecimento de segundas neoplasias, a chegar em melhores condições e não apenas a ganhar anos, mas a ganhar qualidade de vida", disse Fontán.

CRIAÇÃO DE UM SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES

O especialista também defendeu a criação de um sistema nacional de informações para sobreviventes de câncer de longa duração, a fim de realizar um monitoramento personalizado e um planejamento estratégico para fornecer esse atendimento, de forma a abordar as desigualdades territoriais, sociais e de emprego.

"Poderia nos fornecer os dados para podermos aprofundar a pesquisa e, portanto, continuar gerando novas evidências, para podermos ter essa análise de dados e estabelecer modelos preditivos para o futuro, o uso da Inteligência Artificial.... Isso também nos daria a base para podermos lutar contra a desinformação", explicou.

O membro do Comitê Científico do All.Can Spain e coordenador da Academia Europeia de Pacientes EUPATI, David Trigos, destacou a importância de incluir no plano uma melhoria na comunicação e a articulação de um sistema sólido de apoio psicossocial para os pacientes.

Nesse sentido, ele expressou a necessidade de se concentrar no paciente como pessoa, levando em conta suas sequelas físicas e emocionais. Ele também pediu uma maior coordenação entre os diferentes níveis de atendimento, desde a atenção primária até o atendimento hospitalar, embora tenha enfatizado que a atenção primária deve ser fortalecida porque será a "companheira de viagem" dos sobreviventes.

Trigos pediu o fortalecimento dos profissionais dessas duas áreas, incluindo enfermeiros e farmacêuticos, pois eles trabalham "diretamente" e orientam o paciente, e enfatizou a importância de um acompanhamento mais humano.

A última recomendação consiste na implementação de programas de apoio à reintegração social, já que os problemas desse tipo de paciente incluem a dificuldade de levar uma vida "plena".

"Essa é uma cadeia de coisas que temos que fazer e, se as implementarmos, elas melhorarão muito a vida das pessoas (...) o que estamos buscando não é apenas que a pessoa viva mais, mas que viva plenamente, que viva bem. Acho que esse é o ponto principal de tudo isso, que essa pessoa tem que ter uma vida completamente normal", insistiu Trigos.

A NECESSIDADE DE CRIAR UM REGISTRO NACIONAL

Por sua vez, o membro do Comitê Científico do All.Can Spain e presidente da Associação Espanhola de Pesquisa sobre o Câncer (ASEICA), Dr. Rafael López, solicitou a criação de um registro nacional de pacientes com câncer e sobreviventes de longa duração, pois os dados atuais são estimativas baseadas em registros que não abrangem toda a população.

"Estamos na era da medicina de precisão, da medicina individualizada, e cada paciente é diferente e precisa de planos individuais específicos para criar um sistema de informações. Precisamos de um sistema de informações, pois, caso contrário, estaremos ficando cegos", disse López, que também é chefe do Serviço de Oncologia Médica do Complexo Hospitalar Universitário de Santiago de Compostela.

Os especialistas informaram sua intenção de apresentar essas recomendações ao Ministério da Saúde e aos Departamentos de Saúde das diferentes comunidades autônomas, como fizeram com seus dois relatórios anteriores.

Eles também enfatizaram que essas recomendações foram levadas em consideração, como foi o caso da apresentação do último Plano de Oncologia apresentado pelo País Basco, no qual essa mesma organização é mencionada.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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