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MADRID 9 jul. (EUROPA PRESS) -
A Aliança pelo Sono voltou a reivindicar o desenvolvimento de uma estratégia nacional que aborde, a partir de uma perspectiva integral, preventiva e baseada em evidências científicas, os distúrbios do sono que afetam a população espanhola e representam um “problema preocupante de saúde pública que se estende a todas as esferas”.
A entidade pediu que se siga o exemplo da França, que há um ano estabeleceu a falta de sono como uma prioridade nacional na área da saúde com a implantação de um roteiro interministerial para promover um sono de qualidade, que inclui 25 medidas voltadas para a conscientização, hábitos saudáveis de sono e a criação de ambientes adequados.
Enquanto isso, os especialistas afirmaram que a Espanha continua sofrendo o “enorme impacto” da falta de sono, que não só tem consequências para a saúde, mas também nos âmbitos social e profissional, onde o insônia crônica está associada a uma perda geral de produtividade de 44 a 54 dias por ano devido ao absenteísmo e ao presentismo no trabalho, o que provoca uma perda anual de cerca de 12 bilhões de euros, o que equivale a 0,82% do PIB.
Além disso, esses trabalhadores têm maior probabilidade de cometer erros, subestimar os riscos, tomar decisões menos acertadas e sofrer acidentes de trabalho, o que pode resultar em lesões e até mesmo em deficiências.
ALTO CONSUMO DE BENZODIACEPINAS
A Aliança alertou que a falta de sono também fez com que a Espanha se tornasse o primeiro país do mundo em consumo de benzodiazepínicos, medicamentos para o tratamento da insônia. O consumo de hipnóticos e sedativos aumentou mais de 3% na última década, e seu uso sem receita médica também cresceu no último ano, de acordo com os dados mais recentes de 2025 publicados pelo Ministério da Saúde.
“Essas opções podem ter efeitos positivos no sono se forem usadas por um período máximo de quatro semanas. No entanto, esses medicamentos alteram a arquitetura do sono e seu uso prolongado acarreta consequências negativas, como deterioração da memória e da atenção, acidentes de trânsito, dependência e vício”, explicaram os especialistas.
Nesse contexto, a coordenadora do Grupo de Saúde da Aliança pelo Sono, Odile Romero, pediu que sejam oferecidas “outras alternativas mais adequadas” para tratar a insônia crônica. “Não podemos continuar com essa situação tão prejudicial”, ressaltou a chefe clínica de Neurofisiologia e coordenadora da Unidade do Sono do Hospital Vall d’Hebron e do Hospital Quirónsalud de Barcelona, além de ser membro da Sociedade Espanhola do Sono (SES).
RECURSOS PARA O CUIDADO DO SONO
A Aliança pelo Sono promoveu, no último ano, uma série de recursos para favorecer um sono de qualidade, entre os quais se destacam a “Pirâmide do Sono”, um guia educativo que organiza os hábitos diurnos e noturnos a serem seguidos para alcançar um sono de qualidade, e o “Decálogo de propostas para horários escolares saudáveis”, voltado para instituições de ensino com o objetivo de melhorar o sono de crianças e adolescentes.
Este ano, também foi apresentado o “Guia Prático de Terapia Cognitivo-Comportamental para o Insônia (TCC-I)” para facilitar uma intervenção rigorosa, segura e adequada à realidade clínica dos pacientes, e o documento “Trabalho em turnos e os cuidados com o sono: um desafio comum entre a saúde pública e a saúde ocupacional”, para facilitar a adaptação ao trabalho em turnos.
A plataforma destacou que continuará trabalhando para melhorar o bem-estar das pessoas por meio da educação e da defesa do sono e convidou as autoridades espanholas a considerarem o sono como um pilar fundamental nas políticas de saúde pública, no mesmo nível que a alimentação e a atividade física.
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