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MADRID 30 jul. (EUROPA PRESS) -
O alergista David González de Olano, membro da Sociedade Espanhola de Alergologia e Imunologia Clínica (SEAIC), recomendou sempre procurar um especialista em caso de picadas de vespa que provoquem sinais de reação generalizada, como náuseas, vômitos, tontura, fadiga ou manifestações em diferentes partes do corpo.
O especialista destacou que o aparecimento de dor, vermelhidão, coceira ou inflamação na área afetada é “inevitável” e “normal”, de modo que “não há motivo para se preocupar com isso”. Por outro lado, quando surgem sintomas distantes do local da picada, o caso deve ser avaliado por um alergista.
Conforme ele explicou, o exame alergológico permite determinar se a reação foi provocada por uma alergia ao veneno, tentar identificar o inseto responsável e avaliar a indicação de um tratamento específico. Ter sofrido anteriormente uma reação generalizada é o principal fator de risco para apresentar novamente uma resposta com essas características.
González de Olano afirmou que as mudanças climáticas, com temperaturas mais altas durante períodos cada vez mais prolongados e invernos mais amenos, estão prolongando a temporada em que vespas e abelhas permanecem ativas. “À pergunta se as mudanças climáticas estão prolongando a temporada e o risco de picadas na Espanha, a resposta é sim”, afirmou.
Mesmo assim, ele esclareceu que a presença mais prolongada desses insetos não significa necessariamente que eles sejam mais perigosos ou que o veneno tenha mudado, mas que o principal impacto é o aumento do tempo durante o qual podem ocorrer encontros e picadas, o que obriga a manter as precauções além dos meses centrais do verão.
VESPA ASIÁTICA
A expansão da vespa asiática, ou “Vespa velutina”, traz novos desafios para os especialistas. “A vespa velutina é agressiva e, se se sentir ameaçada, vai picar”, alertou o alergista, que indicou que receber várias picadas pode aumentar consideravelmente a gravidade do quadro clínico, tanto em pessoas alérgicas quanto devido à própria quantidade de veneno injetada, por isso, a SEAIC recomendou não se aproximar nem tentar remover os ninhos sem a intervenção de profissionais.
A chegada dessa espécie também dificulta o diagnóstico, uma vez que, além das vespas e das polistes — os dois principais tipos de vespas de interesse alergológico que predominavam na Península Ibérica —, agora se somou essa nova espécie. “Agora temos uma terceira espécie; portanto, a menos que o paciente identifique, reconheça e saiba identificar qual foi a picada, isso dificulta um pouco mais o diagnóstico”, observou González de Olano.
Em caso de alergia ao veneno de abelha ou vespa, a imunoterapia com veneno de himenópteros é indicada em determinados pacientes, com o objetivo de fazer com que o sistema imunológico desenvolva tolerância ao veneno e que, diante de uma futura picada, uma reação que anteriormente teria sido generalizada se limite ao local da picada.
“De maneira geral, a imunoterapia consiste na administração controlada de doses progressivamente crescentes do veneno para alcançar uma tolerância imunológica do nosso sistema imunológico e fazer com que essas reações, generalizadas ou sistêmicas, acabem se tornando locais”, explicou o médico.
Ao contrário dos medicamentos utilizados para aliviar os sintomas após uma picada, a imunoterapia, que geralmente é administrada por cinco anos, atua sobre a causa e altera a evolução da alergia, sendo “o único tratamento” que consegue isso.
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