MADRID 19 jun. (EUROPA PRESS) -
A membro da Área de Fisioterapia Respiratória da Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR) e codiretora do “SEPARPacientes”, Ana Balañá Corberó, afirmou que a esclerose lateral amiotrófica (ELA) “costuma ser identificada por suas consequências sobre a mobilidade, mas a deterioração respiratória é um dos aspectos mais determinantes da doença”.
“Detectar precocemente as alterações na função respiratória e agir antes que surjam complicações é fundamental para melhorar a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes”, afirmou por ocasião da comemoração, neste domingo, 21 de junho, do Dia Mundial dessa patologia. Na opinião dessa sociedade científica, essa realidade é “frequentemente desconhecida”.
Nesse sentido, a SEPAR explicou que “trata-se de uma doença neurológica” na qual “as complicações respiratórias constituem a principal causa de morte natural nesses pacientes e condicionam de forma decisiva sua qualidade de vida e prognóstico”. Essa patologia “neurodegenerativa progressiva” afeta “os neurônios motores responsáveis pelo controle dos músculos voluntários”, ressaltou.
“À medida que avança, compromete funções essenciais, como a mobilidade, a fala, a deglutição e a respiração”, continuou, acrescentando que “na Espanha, estima-se que cerca de 4.000 pessoas vivam com essa doença e que, a cada ano, sejam diagnosticados cerca de 900 novos casos”. Nesses casos, “o comprometimento respiratório surge como consequência da fraqueza progressiva dos músculos responsáveis pela ventilação”, afirmou.
A esse respeito, ele destacou que “embora a velocidade de progressão possa variar entre os pacientes, todos acabarão desenvolvendo algum grau de insuficiência respiratória crônica ao longo da evolução da doença”. Por isso, é “indispensável” um acompanhamento especializado “desde as fases iniciais em unidades multidisciplinares, sempre que possível”, afirmou.
Nesse contexto, ele informou que “um dos primeiros sinais de deterioração costuma ser a hipoventilação noturna, que pode se manifestar por meio de sono não reparador, despertares frequentes, dores de cabeça matinais, sonolência diurna ou sensação de falta de ar”. “No entanto, à medida que a doença progride, surgem outras complicações igualmente relevantes relacionadas à incapacidade de gerar uma tosse eficaz”, declarou.
Assim, ele afirmou que “a perda de força muscular dificulta a expulsão das secreções brônquicas, favorecendo infecções respiratórias, atelectasias e episódios de insuficiência respiratória aguda”. Além disso, ele lembrou que “o comprometimento da musculatura bulbar altera a deglutição e aumenta o risco de broncoaspiração, uma das complicações mais frequentes que podem representar situações de risco vital”.
IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA
“A incapacidade de eliminar corretamente as secreções respiratórias é um dos principais problemas enfrentados pelas pessoas com ELA”, insistiu Balañá Corberó, que, diante disso, destacou que “a fisioterapia respiratória permite adaptar técnicas e dispositivos a cada fase da doença para melhorar a tosse, facilitar a drenagem das secreções e prevenir complicações potencialmente graves”.
Na mesma linha, a SEPAR destacou “o conjunto de técnicas dos fisioterapeutas respiratórios”, que “desempenha um papel cada vez mais relevante”. “A abordagem inclui técnicas para facilitar a eliminação de secreções, orientação sobre o uso de dispositivos de assistência mecânica à tosse, manejo da sialorreia e acompanhamento das alterações respiratórias decorrentes do comprometimento neuromuscular”, explicou.
Além disso, ressaltou que a ventilação mecânica domiciliar constitui “um dos tratamentos fundamentais na abordagem respiratória da ELA”. Essa ventilação é “indicada e supervisionada pelas Unidades de Pneumologia” e “ajuda a tratar a insuficiência respiratória decorrente da fraqueza muscular, melhora os sintomas, favorece o descanso noturno e contribui para prolongar a sobrevida”.
Por fim, e após afirmar que é necessário “garantir que todos os pacientes tenham acesso precoce a equipes multidisciplinares especializadas, capazes de abordar de forma coordenada as diferentes manifestações da doença”, ele destacou a importância do acompanhamento “pelas Unidades de Pneumologia”, algo “essencial” para “monitorar a função respiratória, indicar e ajustar a ventilação mecânica domiciliar e antecipar-se às complicações decorrentes da insuficiência respiratória”.
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