MADRID 9 out. (EUROPA PRESS) -
As águas dos sistemas de irrigação agrícola podem ser um reservatório ambiental da bactéria causadora da legionelose, conforme evidenciado por um estudo realizado por uma equipe de pesquisadores do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII).
O trabalho, conduzido, especificamente, por cientistas do Laboratório Nacional de Referência para a Legionelose do Centro Nacional de Microbiologia (CNM) e publicado na revista especializada “Journal of Environmental Management”, constatou que os elementos de pulverização de água podem ser fontes de dispersão, por meio de aerossóis, da bactéria Legionella pneumophila.
Por isso, foi analisado o risco de infecção por inalação dos aerossóis, uma vez que a bactéria é responsável pela maioria dos casos de legionelose, doença infecciosa que se manifesta com pneumonia e que, nos casos mais graves, pode levar à morte do paciente. Assim, o estudo evidenciou que os sistemas de irrigação geram aerossóis contaminados que, em determinadas condições meteorológicas, podem se dispersar pelo ambiente urbano, favorecendo o possível contágio.
DADOS MICROBIOLÓGICOS, GENÔMICOS, EPIDEMIOLÓGICOS E METEOROLÓGICOS
“A integração dos dados microbiológicos, genômicos, epidemiológicos e meteorológicos aponta os sistemas de irrigação por aspersão como uma possível fonte de exposição que não havia sido considerada anteriormente”, afirmaram os autores e membros do CNM, Fernando González Camacho e Juana González Rubio, que acrescentaram que “a pesquisa mostra a elevada diversidade microbiana presente nessas infraestruturas agrícolas e a presença de diversos microrganismos potencialmente patogênicos”.
Na opinião deles, isso “levanta a necessidade de se dar maior atenção a esses sistemas do ponto de vista da vigilância ambiental e da saúde pública”. Nesse sentido, a identificação da Legionella pneumophila foi complementada por uma reavaliação retrospectiva de um surto de legionelose ocorrido em 2015 na mesma região onde a bactéria foi agora encontrada — uma área rural do nordeste da Espanha —, cuja origem ambiental não havia podido ser determinada na época.
Em colaboração com o Centro Nacional de Epidemiologia (CNE) do ISCIII e com a participação do Instituto de Biologia Integrativa de Sistemas — centro associado ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e à Universidade de Valência —, a avaliação aponta que a análise genética das variantes da bactéria encontradas nas lagoas e canais de irrigação indica que elas compartilham uma origem comum com a variante encontrada nos pacientes do surto.
No entanto, segundo os especialistas, os resultados “permitem abrir novos caminhos de investigação, ao identificar um possível foco ambiental até então pouco considerado no contexto da legionelose em ambientes rurais e nos planos de prevenção dessa doença”. “Além disso, confirmam a importância de integrar a microbiologia, a epidemiologia e as condições ambientais para facilitar a prevenção e a identificação de possíveis surtos nesses ambientes, bem como para compreender melhor a relação entre meio ambiente, organismos patogênicos e saúde”, concluíram.
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