Publicado 16/06/2026 08:43

A AESEG reivindica uma reforma do sistema de preços de referência para garantir o fornecimento de medicamentos essenciais

Foto da coletiva de imprensa.
AESEG

MADRID 16 jun. (EUROPA PRESS) -

A Associação Espanhola de Medicamentos Genéricos (AESEG) reivindicou uma reforma estrutural do sistema de preços de referência do Sistema Nacional de Saúde, ao considerar que o modelo atual coloca em risco a sustentabilidade do mercado de medicamentos genéricos e o abastecimento de medicamentos essenciais.

"Da AESEG, queremos transmitir uma mensagem clara: o atual sistema de preços de referência está em vigor há 12 anos na Espanha e, em nossa opinião, apresenta deficiências estruturais. Não é possível garantir o fornecimento de medicamentos essenciais a qualquer preço”, afirmou nesta terça-feira a secretária-geral da AESEG, Elena Casaus, durante uma coletiva de imprensa.

Nesse contexto, a Associação apresentou várias alegações ao projeto de Portaria SND/2026, que prevê a atualização, em 2026, do sistema de preços de referência dos medicamentos no Sistema Nacional de Saúde.

Para a AESEG, o principal problema do sistema é que sua concepção introduz uma dinâmica de reduções contínuas de preços sem mecanismos de proteção suficientes quando estes deixam de ser viáveis. “O sistema introduz uma dinâmica contínua de reduções de preços que, em muitos casos, atingem níveis economicamente inviáveis, especialmente no caso de medicamentos essenciais que são estratégicos ou críticos para os sistemas de saúde”, observou Casaus.

A associação indica que o sistema estabelece um preço de referência mínimo de 1,60 euros por apresentação. “Na prática, esse limite só é respeitado quando a Administração fixa o preço, mas desaparece quando é o mercado que o determina”, destacou Casaus.

Por isso, a AESEG propõe elevar o limite mínimo para 2 euros. Segundo a organização, essa medida teria um impacto inferior a 100 milhões de euros e representaria “um custo totalmente marginal que, por sua vez, estaria protegendo a viabilidade de um setor estratégico”, acrescentou a secretária-geral da AESEG.

Além disso, considera que a manutenção dessa dinâmica está tendo efeitos diretos sobre o mercado, com a saída de operadores, menor entrada de novos genéricos e uma crescente dependência da fabricação em países terceiros.

Nesse ponto, Casaus citou como exemplo o caso da amoxicilina, que, após a Administração reconhecer um problema de viabilidade e revisar seu preço para cima há poucos meses por acordo da Comissão Interministerial de Preços de Medicamentos, o sistema de preços de referência voltou a reduzi-lo posteriormente.

“O problema não é pontual nem conjuntural; é o próprio desenho do sistema que empurra os preços para níveis incompatíveis com a produção”, explicou Casaus.

“MUDANÇAS NECESSÁRIAS NO SISTEMA”

A associação defende a necessidade de evoluir para um modelo mais coerente, previsível e equilibrado, que inclua mecanismos de proteção da viabilidade econômica, garanta uma concorrência efetiva e contribua para assegurar a continuidade do fornecimento de medicamentos essenciais.

Por tudo isso, a AESEG ressalta que, além das alegações apresentadas ao projeto de portaria, seu objetivo é promover uma revisão do sistema de preços de referência. "O que não faz sentido nem para as empresas nem para o próprio sistema é que se demore quase um ano para revisar um preço para cima e que, automaticamente, o sistema volte a reduzi-lo", afirmou a diretora técnica da AESEG, María Álvarez.

A associação denuncia a incerteza gerada pelo atual sistema de preços de referência. Segundo explicam, a cada ano se deparam com moléculas cujos preços de referência não sabem como foram calculados.

Também reivindicam uma modificação do sistema de arredondamento utilizado para calcular os preços de referência. A associação alerta que o método atual provoca uma erosão progressiva dos preços que não responde a mudanças reais no mercado, mas ao próprio mecanismo de cálculo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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