GEORGERUDY/ISTOCK - Arquivo
MADRID 5 mar. (EUROPA PRESS) - Cerca de um terço das vagas em Pediatria de Atenção Primária não são preenchidas por especialistas em Pediatria, o que repercute de “forma direta” na assistência médica de crianças e adolescentes, segundo o presidente da Associação Espanhola de Pediatria de Atenção Primária (AEPap), Pedro Gorrotxategi.
Na apresentação do 22º Congresso da AEPap, realizado entre 5 e 7 de março, foi salientado que apenas 22% dos pediatras residentes são formados em Cuidados Primários (AP), embora isso represente mais de 65% das necessidades dentro desta especialidade.
Entre 2018 e 2024, a falta de pediatras em AP aumentou de 26% para quase 30%, o que faz com que até 1,9 milhões de crianças e adolescentes não tenham “garantida a sua assistência por um pediatra”. No entanto, a Associação garantiu que os responsáveis pela formação especializada dos médicos (MIR) não estão a tomar medidas para “atenuar esta situação”.
Além disso, eles destacaram o “alto número” de pediatras se formando em subespecialidades como Neonatologia (12%) ou Cuidados Intensivos (10%), quando nessas áreas as necessidades reais são, respectivamente, de 3% e 4% dos pediatras.
“Cabe questionar se as comunidades autônomas e os hospitais estão formando novos pediatras para responder às necessidades reais ou para outros fins. Podemos afirmar que esta situação, a longo prazo, terá efeitos negativos, pois o déficit na Atenção Primária se tornará ainda mais crônico”, apontou Gorrotxategi. DIFERENÇAS ENTRE AS CCAA
Entre as comunidades autónomas existem diferenças na “percentagem que se forma em cuidados primários”. “As regiões do norte, como Galiza, Astúrias, País Basco ou Navarra”, têm menos défice de pediatras em cuidados primários do que as do sul, mas nenhuma delas ultrapassa os 35% dos pediatras. Este défice torna os lugares pouco “atraentes”, porque há profissionais que têm “mais de 1000 crianças atribuídas”. Além disso, em comunidades como Madrid ou Catalunha, das quais não se tem acesso a todos os dados, estas carências podem ser ainda maiores, uma vez que “nos grandes hospitais há menos formação em cuidados primários”.
“Os governos autônomos e as Comissões de Ensino Hospitalar deixaram que a situação precária da Pediatria de AP se tornasse crônica e, em vez de adotarem medidas para melhorá-la, concentraram todos os seus recursos na assistência hospitalar”, afirmou. CORTE DE DIREITOS
Pedro Gorrotxategi lembrou que “não garantir o acesso à pediatria na atenção primária significa um corte de direitos e gera desigualdade”. Da mesma forma, lembrou que, se “a atenção pediátrica no primeiro nível de assistência não estiver garantida”, apenas as famílias com mais recursos econômicos poderão levar seus filhos e filhas a consultas particulares.
Por sua vez, a presidente do Comitê Organizador do 22º Congresso da AEPap, Victoria Martínez, afirmou que a chegada de novas ferramentas tecnológicas ao consultório demonstra a importância da atualização dos pediatras de Atenção Primária.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático