MADRID 20 mar. (EUROPA PRESS) -
A Associação Espanhola de Pediatria (AEP) está realizando na cidade de Jerez de la Frontera, na província de Cádiz, suas XVII Jornadas de Imunizações, nas quais propôs três mudanças no calendário vacinal diante do aumento dos casos de sarampo, hepatite A e meningococo B, sendo que a mudança relacionada à primeira dessas doenças se destaca pelo adiantamento da segunda dose da vacina para os dois anos de idade.
Segundo indicaram os especialistas, essas doenças infecciosas preveníveis por vacinação vêm apresentando, nos últimos anos, sinais de ressurgimento na Espanha e em outros países europeus. “O ressurgimento de algumas infecções não significa que as vacinas tenham deixado de funcionar”, esclareceu, no entanto, o coordenador do Comitê Consultivo de Vacinas e Imunizações dessa sociedade científica (CAV-AEP), o Dr. Francisco Álvarez.
“Esse fenômeno costuma estar relacionado a quedas pontuais na cobertura vacinal, mudanças epidemiológicas ou a importação de casos de outros países”, continuou ele. Assim, e com a recente retirada, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), do status de zona livre de sarampo para a Espanha, em 2025 foram notificados 397 casos, quase o dobro do registrado em 2024, quando foram registrados 227.
Para evitar a circulação do vírus, é necessário que, pelo menos, 95% da população esteja vacinada com duas doses, mas no país a cobertura da segunda dose situa-se em torno de 93%, com diferenças entre as comunidades autônomas. A isso soma-se “o fluxo de pessoas provenientes de países com coberturas vacinais mais baixas, o que favorece a transmissão do sarampo entre pessoas não vacinadas”, destacou.
O sarampo, em bebês menores de um ano que ainda não foram vacinados e em pessoas com doenças de base, pode causar complicações graves, como pneumonia e comprometimento neurológico. Por sua vez, a doença meningocócica é uma infecção bacteriana grave, que causa a doença por meio de cinco sorogrupos: A, B, C, W e Y, sendo o B o mais frequente.
VACINAÇÃO CONTRA O SEROGRUPO B DO MENINGOCOCO TAMBÉM PARA ADOLESCENTES
Estender a vacinação contra o serogrupo B do meningococo também aos adolescentes, e não apenas aos lactentes, é outra solicitação da CAV-AEP, uma vez que se trata de uma doença devastadora devido à rapidez de sua evolução, podendo afetar pessoas previamente saudáveis e evoluir em poucas horas de um estado aparentemente normal para uma sepse fulminante ou uma meningite grave.
Atualmente, um em cada quatro adolescentes está colonizado pelo meningococo, ou seja, é portador do patógeno na nasofaringe sem chegar a desenvolver a doença, o que torna essa faixa etária um dos principais reservatórios da bactéria na população. No entanto, defende-se a proteção de todos os bebês menores de 12 meses contra os serogrupos ACWY, e não apenas contra o C.
Além disso, os especialistas demonstraram seu apoio à introdução da vacina contra a hepatite A para bebês entre 12 e 15 meses e da vacina de recuperação para o restante das crianças e adolescentes não vacinados. Isso porque essa patologia também está apresentando uma mudança em seu padrão epidemiológico na Espanha, com um aumento significativo de casos nos últimos anos.
“A situação nos obriga a reforçar a vigilância epidemiológica e a fortalecer a prevenção por meio da vacinação”, enfatizou o membro do CAV-AEP, o Dr. Valentí Pineda, enquanto o presidente da AEP, o Dr. Luis Carlos Blesa, defende uma visão integral da saúde. “Hoje, sabemos que a prevenção de doenças infecciosas exige uma visão de ‘Uma Só Saúde’”, sublinhou este último.
Conforme expôs, “as vacinas são uma das ferramentas mais eficazes para proteger a população e evitar o impacto de doenças” que se acreditava estarem “controladas”. “A vacinação de pais, cuidadores e pessoas que convivem com as crianças contribui para reduzir a circulação de patógenos e criar uma barreira de proteção em torno das crianças, especialmente das mais pequenas ou daquelas que ainda não completaram seu calendário vacinal”, concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático