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MADRID 27 maio (EUROPA PRESS) -
A Associação Espanhola de Pediatria (AEP) destacou que uma recente decisão do Tribunal Superior de Justiça da Região de Múrcia recomenda a inclusão do laudo pediátrico na avaliação de risco ocupacional por exposição a agentes químicos durante a lactação.
Por isso, a AEP, por meio de seu Comitê de Saúde Ambiental (CSM), lembra que, no caso de mulheres lactantes expostas a agentes químicos no ambiente de trabalho, é fundamental avaliar não apenas a situação da mãe, mas também o possível risco para o bebê, levando em conta sua especial vulnerabilidade biológica e a possível transferência de substâncias através do leite materno.
A resolução indica que a avaliação não pode limitar-se apenas ao local de trabalho ou à saúde materna, mas deve incorporar também o possível impacto sobre a criança, bem como sua especial suscetibilidade durante os primeiros meses de vida. A resolução destaca a importância de incorporar a avaliação pediátrica do lactante potencialmente exposto nos processos de avaliação de risco durante a lactação.
A Associação considera que a decisão pode estabelecer um precedente relevante para futuras avaliações de concessão de auxílio por risco durante a lactação. Nesse sentido, o Comitê de Saúde Ambiental da AEP (CSM-AEP) ressalta que a sentença reforça o papel do pediatra na identificação precoce de riscos ambientais evitáveis.
“A amamentação constitui um ecossistema biológico, afetivo e social especialmente valioso, mas também vulnerável às exposições ambientais. Sua proteção não pode recair exclusivamente sobre a mãe; requer ambientes de trabalho seguros, políticas preventivas eficazes e uma avaliação adequada dos riscos quando a mulher retorna ao trabalho durante o período de amamentação”, indicou o coordenador do CSM-AEP, Juan Antonio Ortega.
Nesse contexto, os pediatras destacam a necessidade de avançarmos como país em direção a uma proteção trabalhista adicional que permita manter a amamentação sem expor o lactente a contaminantes evitáveis. "Nossa função como pediatras é proteger a saúde infantil, documentar exposições relevantes e contribuir para decisões preventivas informadas, colocando sempre o interesse superior da criança no centro", ressalta o Dr. Ortega, que defende a incorporação na prática clínica pediátrica "do histórico ambiental e da avaliação de exposições".
Nesse sentido, o CSM-AEP desenvolveu uma série de recursos de apoio e orientação prática para facilitar aos pediatras e outros profissionais a avaliação de lactantes potencialmente expostos, incluindo recomendações científicas.
Segundo o CSM-AEP, as Unidades de Saúde Ambiental Pediátrica (PEHSU) estão chamadas a desempenhar um papel fundamental como estruturas de referência e apoio. Assim, considera prioritário avançar para, pelo menos, uma PEHSU de referência em cada comunidade autônoma com capacidade para assessorar pediatras, parteiras, médicos de família e também profissionais de serviços de prevenção e mutuas.
Atualmente, existem unidades de referência no Hospital Clínico Universitário Virgen de la Arrixaca, na região de Múrcia, e na Catalunha, no Hospital de Olot e no Hospital Sant Joan de Déu, além de outras iniciativas emergentes.
O BEBÊ, NO CENTRO DA AVALIAÇÃO DE RISCO
O objetivo da Associação é proteger a amamentação, reduzindo exposições evitáveis, identificando os cenários de risco e avançando em direção a uma criação mais segura e livre de contaminantes.
Nesse ponto, ela indica que determinadas exposições a contaminantes no ambiente de trabalho podem gerar possíveis efeitos sobre o neurodesenvolvimento, o sistema endócrino e outros processos-chave do desenvolvimento infantil.
Assim, embora as evidências científicas nem sempre permitam estabelecer limites de segurança claramente definidos para a saúde do lactante em relação ao contato com substâncias tóxicas através do leite materno, o CSM-AEP AEP insiste na necessidade de aplicar o princípio da precaução diante de exposições potencialmente perigosas.
Entre os possíveis efeitos descritos, destacam-se os metais pesados (chumbo, manganês, mercúrio, cádmio), que podem provocar alterações no desenvolvimento neurológico, toxicidade neurológica e efeitos sobre o desenvolvimento hormonal e reprodutivo. Além dos pesticidas e produtos fitossanitários, que aumentam o risco de alterações endócrinas, têm efeitos sobre o desenvolvimento neurológico e bioacumulação no organismo do lactante.
Destacam-se também os solventes orgânicos e compostos voláteis (benzeno, formaldeído, aminas aromáticas), que estão associados a uma possível neurotoxicidade, irritação sistêmica e risco carcinogênico associado a exposições prolongadas. Além disso, a Associação destaca os fármacos citotóxicos e as substâncias utilizadas em ambientes de saúde, aos quais são atribuídos riscos de toxicidade celular, mutagênese e efeitos sobre órgãos em desenvolvimento.
Da mesma forma, indica que os desreguladores endócrinos presentes nas indústrias química e de plásticos ou em determinados produtos profissionais estão associados a possíveis alterações hormonais e do desenvolvimento sexual.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático