EGOITZ BENGOETXEA IGUARAN/ISTOCK - Arquivo
MADRID 14 abr. (EUROPA PRESS) -
A Associação Espanhola de Pediatria (AEP) apresentou um conjunto de dez medidas para conter o aumento constante das infecções sexualmente transmissíveis (IST) entre adolescentes, entre as quais se destaca a garantia de acesso confidencial aos serviços de saúde, oferecendo atendimento específico, próximo e adaptado a esse grupo, respeitando sua autonomia e maturidade.
Este conjunto de recomendações faz parte de um artigo online publicado na revista “Anales de Pediatría”, publicação desta sociedade científica. Nele, expõe-se que abordar essas infecções nesse segmento da população tornou-se uma questão urgente de saúde pública, conclusão a que se chegou após analisar a situação atual e os principais desafios na prevenção, no diagnóstico e no tratamento.
“A contração de uma IST pode ter consequências relevantes não apenas a curto prazo, mas também a médio e longo prazo, incluindo gravidezes indesejadas, complicações reprodutivas, transmissão de infecções e um importante impacto psicossocial”, explicou a pediatra do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón de Madri, a Dra. María Luisa Navarro, primeira signatária de um documento elaborado pelo grupo de trabalho sobre HIV e IST da Sociedade Espanhola de Infectologia Pediátrica (SEIP), no qual este artigo se baseia.
Assim, indica-se que a adolescência é uma fase marcada por profundas mudanças físicas, psicológicas e sociais que aumentam a vulnerabilidade diante dessas patologias. Além disso, há uma série de fatores que estão contribuindo para esse aumento, como o início cada vez mais precoce das relações sexuais (16,5 anos, em média, em 2023).
A isso somam-se o uso irregular de métodos de barreira, o aumento do número de parceiros, a normalização de práticas de risco, a falta de uma educação afetivo-sexual integral, juntamente com dificuldades de acesso ao sistema de saúde e a influência dos conteúdos digitais. De fato, na Europa, os sistemas de vigilância epidemiológica têm evidenciado um aumento notável das ISTs nos últimos anos.
Nesse sentido, em 2023, foi confirmado um aumento de 31% nos casos de gonorreia e de 13% nos de sífilis em relação ao ano anterior, com um aumento acumulado de 300% e 200%, respectivamente, em comparação com 2014. Nesse mesmo ano, foram notificados aproximadamente 230.000 casos de infecção por clamídia, o que a torna a IST bacteriana mais frequentemente diagnosticada.
A INCIDÊNCIA DE GONORREIA QUASE TRIPLICOU NA ESPANHA NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS
Por sua vez, na Espanha, a tendência é semelhante, já que a incidência de gonorreia quase triplicou nos últimos cinco anos e, atualmente, é mais de 11 vezes superior à registrada em 2014. A infecção por clamídia também mantém uma incidência crescente, e a faixa etária de 15 a 24 anos concentra uma proporção significativa dos casos diagnosticados, apresentando as mulheres taxas mais elevadas de clamídia e gonorreia.
“Esses números devem ser interpretados levando em conta que muitas ISTs são assintomáticas, especialmente em mulheres, o que leva a um subdiagnóstico e a uma subestimação da incidência real”, continuou Navarro. Tudo isso, no entanto, num contexto em que se verificaram avanços no manejo integral das ISTs, tanto na prevenção quanto no diagnóstico e no tratamento, com um impacto especialmente notável na população adolescente.
No entanto, isso não tem sido suficiente, razão pela qual a AEP aposta em garantir uma educação sexual integral desde a infância, adaptada à idade, que aborde não apenas a prevenção de ISTs, mas também a afetividade, o consentimento, a diversidade e as relações saudáveis. Além disso, a AEP aposta na formação dos profissionais de saúde, especialmente pediatras, em saúde sexual com uma abordagem atualizada, integral e livre de estigmas.
Facilitar o acesso gratuito a preservativos e lubrificantes, promovendo seu uso sistemático como principal método de prevenção contra as IST; reforçar a vacinação contra ISTs evitáveis, como o vírus do papiloma humano (VPH) e a hepatite, garantindo sua correta implementação de acordo com o calendário; e promover o rastreamento em adolescentes sexualmente ativos, utilizando estratégias acessíveis como a auto-coleta de amostras para melhorar a detecção precoce, são outras das medidas propostas.
Por fim, recomendou garantir o acompanhamento e o tratamento adequados, com diretrizes simples e adaptadas que favoreçam a adesão; realizar estudos de contatos, permitindo identificar casos assintomáticos e interromper a cadeia de transmissão na comunidade; facilitar o acesso a estratégias de prevenção biomédica, como a profilaxia pré e pós-exposição contra o HIV, em adolescentes de maior risco; e abordar o impacto emocional e social das ISTs.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático