Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
MADRID 31 mar. (EUROPA PRESS) -
A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS) publicou dois novos relatórios de posicionamento terapêutico (IPT) para avaliar o valor terapêutico e a segurança de medicamentos indicados para o tratamento do linfoma folicular e da leucemia mielóide crônica.
Assim, a AEMPS divulgou o IPT do 'Breyanzi' (lisocabtagén maraleucel), da Bristol-Myers Squibb Pharma, para o tratamento de pacientes adultos com linfoma folicular em recidiva ou refratário, após duas ou mais linhas de tratamento sistêmico.
De acordo com o IPT, o 'TRASCEND FL', um estudo de fase II sem comparador, demonstrou altas taxas de resposta global e completa do 'Breyanzi'. No entanto, após uma mediana de acompanhamento de 24 meses, não foram alcançados os dados de sobrevida livre de progressão nem de sobrevida global, sendo ambos objetivos secundários do estudo.
Em relação aos eventos adversos, não foram descritos novos eventos de segurança relacionados à administração de 'Breyanzi' além dos previamente identificados para outras indicações, e eles são consistentes com os observados em outras terapias CAR-T. Os eventos adversos graves são, em sua maioria, hematológicos e reversíveis, enquanto os eventos adversos de especial interesse, como os neurológicos (SLC ou ICANs), são principalmente de grau 1 e 2, e o uso de tratamento de resgate, como corticosteroides ou tocilizumab, foi relativamente baixo.
O relatório aponta que faltam estudos que comparem diretamente o 'Breyanzi' com outras opções terapêuticas no mesmo contexto clínico. Assim, indica que as comparações indiretas publicadas apresentam limitações inerentes à sua metodologia, mas sugerem que o 'Breyanzi' apresenta eficácia semelhante a outras terapias CAR-T, como tisa-cel ou axi-cel (este último a partir da terceira linha de tratamento), e uma taxa de respostas superior em comparação com mosunetuzumab, epcoritamab, odronextamab, idelalisib, R2 e combinações de imunoterapia.
Além disso, não há comparações indiretas em relação à combinação de zanubrutinibe/obinutuzumabe. No entanto, essas comparações indiretas não podem definir um posicionamento robusto entre as diferentes terapias e devem servir de base para a confirmação de hipóteses.
Por tudo isso, a AEMPS ressalta que a falta de estudos comparativos e as limitações dos estudos indiretos posicionam o 'Breyanzi' como mais uma opção no tratamento de pacientes adultos com linfoma folicular em recidiva ou refratário, após duas ou mais linhas de tratamento sistêmico.
“A decisão sobre o tratamento neste contexto deve basear-se nos tratamentos anteriores, na duração da remissão, no perfil de segurança, nas características da doença, no perfil do paciente e nas suas preferências, bem como na disponibilidade dos medicamentos”, conclui o relatório.
LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA
O outro dos relatórios de posicionamento terapêutico avaliou o 'Scemblix' (asciminib), da Novartis, para o tratamento de pacientes adultos com leucemia mieloide crônica em fase crônica com cromossomo Filadélfia positivo (LMC-FC Ph+).
O documento indica que os resultados do estudo pivotal de primeira linha, 'ASC4FIRST', mostram que o 'Scemblix' alcança superioridade às 48 semanas, com uma diferença estatisticamente significativa em relação aos inibidores da tirosina quinase (ITC) padrão.
Além de uma maior magnitude de resposta, observou-se maior rapidez, com taxas de resposta significativamente superiores já a partir das semanas 12 e 24. Também se evidenciou maior profundidade de resposta, com porcentagens mais elevadas de respostas moleculares profundas (MR4 e MR4.5) no grupo tratado com 'Scemblix'.
Quanto à segurança e tolerabilidade, o perfil foi favorável. Apenas 4,5% dos pacientes tratados com 'Scemblix' interromperam o tratamento devido a eventos adversos, contra 11,1% no grupo controle. Da mesma forma, foram registrados menos eventos adversos de grau = 3 e uma menor necessidade de ajustes de dose em comparação com os inibidores de tirosina quinase convencionais.
Os resultados do estudo 'ASC4FIRST' posicionam o 'Scemblix' como uma opção preferencial no tratamento de primeira linha. Neste estudo, o 'Scemblix' demonstrou uma taxa de resposta molecular superior à do imatinibe e comparável à dos ITC de segunda geração, juntamente com um melhor perfil de segurança. Embora os dados disponíveis às 48 semanas sejam consistentes e clinicamente relevantes, será necessário um acompanhamento mais prolongado — o estudo prevê uma duração de até 8 anos — para confirmar a durabilidade das respostas observadas e seu impacto definitivo sobre a sobrevida.
Na segunda linha de tratamento, o 'Scemblix' posiciona-se como uma opção terapêutica após falha ou intolerância aos ITC. De acordo com a AEMPS, sua escolha é especialmente relevante em pacientes com comorbidades (cardiovasculares ou pulmonares), nos quais medicamentos como o nilotinibe ou o dasatinibe poderiam apresentar riscos adicionais.
Em linhas avançadas, de acordo com os resultados de superioridade do estudo 'ASCEMBL', a AEMPS considera que o 'Scemblix' é uma opção preferencial ao bosutinibe em pacientes intolerantes a 2 ou mais ITC. Embora o 'Scemblix' não tenha sido comparado diretamente com o ponatinib, e dado que o perfil de segurança deste último é considerado menos favorável, ele constitui uma alternativa preferencial em pacientes resistentes a dois ou mais ITC que, além disso, apresentem fatores de risco cardiovascular ou antecedentes de toxicidades relacionadas ao mecanismo de ação de ligação ao ATP dos ITC.
No entanto, a AEMPS indica que, nos pacientes que apresentam a mutação T315I, o ponatinibe continua sendo a opção preferencial, uma vez que não há dados suficientes relativos à eficácia do 'Scemblix' em pacientes com essa mutação.
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