Gabri Solera - Europa Press
MADRID 15 ago. (EUROPA PRESS) -
A Agência Estatal de Meteorologia (AEMET) observou alterações na radiação registrada em três de suas estações durante a fase do eclipse solar total ocorrido no último dia 12 de agosto. No entanto, não foram observadas variações “significativas nem generalizadas” na temperatura devido ao horário em que ocorreu — no final da tarde — e à curta duração da fase de totalidade.
Foi o que informou o órgão estatal neste sábado por meio de seu blog. No texto, explicou que selecionou três estações meteorológicas da rede EMEP/VAG/CAMP, a rede de monitoramento da poluição de fundo da AEMET, para realizar as medições. Essa rede mede a composição química da atmosfera em locais muito distantes de fontes de poluição (grandes cidades, rede de rodovias ou fábricas) para realizar comparações com esses locais.
Além disso, conta com estações meteorológicas recém-modernizadas, capazes de medir variáveis como temperatura, precipitação, umidade, pressão e também radiação solar, neste caso, global. As três estações estavam localizadas dentro da faixa de totalidade do eclipse: Els Torms (Lleida), O’ Saviñao (Lugo) e Campisábalos (Guadalajara).
Em duas das três estações, a AEMET observou a queda que ocorreu durante a fase de totalidade e a recuperação subsequente ao analisar a radiação global nas medições dessas estações no momento do eclipse. A exceção é a estação de Els Torms (Lleida), onde o sol se poria logo após a totalidade.
Por outro lado, indicou que não se observaram quedas significativas nas temperaturas, mas sim que, após o término da fase de totalidade, o valor térmico mantém um pequeno patamar no qual não desce tanto. Além disso, foi identificada uma pequena elevação após a fase de totalidade na estação de O’ Saviñao (Lugo).
“Se observarmos os gráficos diários, percebe-se como, durante a fase do eclipse, as pequenas variações de temperatura decorrentes da radiação solar — que ocorrem durante o resto do dia — se suavizam nas três estações”, explicou.
Em outra estação, Burgos, a AEMET observou um leve aumento de temperatura após a fase de totalidade do eclipse, o que não havia sido observado no dia anterior. Por sua vez, também foi possível constatar que a queda nos valores de temperatura durante o eclipse apresentou uma tendência mais acentuada em relação ao dia anterior. Nesse aspecto, a agência ressalta que a situação deve ser encarada “com cautela”, já que as condições meteorológicas não foram as mesmas.
De maneira mais geral, o órgão estatal indicou que não foram registradas quedas de 2 a 5 °C, como em outros eclipses totais, porque o da última quarta-feira ocorreu pouco antes do sol se pôr no horizonte, “um momento em que isso já não tem tanta relevância para a temperatura da superfície quanto ao meio-dia ou às primeiras horas da tarde”. Além disso, foi relativamente curto: durou menos de dois minutos, no máximo, na zona onde o sol permaneceu oculto por mais tempo.
De qualquer forma, precisou que estudos posteriores poderão determinar todas as mudanças ocorridas em mais estações da AEMET, dependendo de sua localização. Da mesma forma, ele ressaltou que o eclipse total de 2027 será uma boa oportunidade para estudar as mudanças que ocorrem nas variáveis meteorológicas, uma vez que sua fase de totalidade durará mais — até quatro minutos em Ceuta e Melilla — e ocorrerá por volta do meio-dia.
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