A Associação Contra o Câncer apresenta a campanha “Projetos de pesquisa que impulsionam projetos de vida”
MADRID, 7 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Associação Espanhola Contra o Câncer (AECC), Ramón Reyes, defendeu nesta segunda-feira que se continue a ampliar a pesquisa na Espanha, diante da redução dos fundos europeus, e, para isso, solicitou que sejam alocados recursos financeiros no país.
“O governo precisa destinar mais recursos”, afirmou ele diante do encerramento do projeto ‘Next Generation’ e da redução no financiamento do programa ‘Horizonte Europa’, o que gera “uma encruzilhada perigosa” com orçamentos “cada vez menores”. “Devido às prioridades geopolíticas e econômicas, que não são mais as mesmas, em fevereiro de 2024 foi decidido começar a fazer cortes”, explicou.
Nesse sentido, e coincidindo com a apresentação da campanha “Projetos de pesquisa que impulsionam projetos de vida”, que tem como foco mostrar como os avanços científicos se traduzem em maior sobrevida e melhor qualidade de vida, Reyes explicou que os recursos destinados à segunda dessas iniciativas comunitárias foram reduzidos em 800 milhões de euros para sua segunda fase, prevista a partir de 2028. “O câncer já não é contemplado”, o que “aparentemente desaparece do mapa”, o que gera “preocupação”, enfatizou.
“O panorama em relação ao câncer na Europa é sombrio” e “o panorama em relação à evolução” da doença é “muito desanimador”, continuou ele, acrescentando que essa situação se configura após anos em que se apostou na pesquisa em nível continental. “Foram investidos 4 bilhões no câncer nos últimos 10 anos”, afirmou.
O VERBA PARA ESTUDOS CIENTÍFICOS NO PAÍS CRESCEU 60% DESDE 2022
No entanto, ele insistiu que o panorama atual obriga a Espanha a agir a partir de uma situação inicial em que foi feito “um esforço muito importante”, já que “houve um crescimento de 60% nos recursos destinados pelo Estado nos últimos quatro anos”. “Como vamos sustentar o aumento absolutamente necessário da pesquisa sobre o câncer na Espanha, que começamos a implementar, quando não houver esses recursos da União Europeia (UE)?”, questionou-se a esse respeito, destacando que “restam 25 bilhões” de saldo a ser aplicado.
Reyes, que destacou que a pesquisa é a “maneira de salvar vidas”, como pode ser observado no aumento da taxa de sobrevivência — que atualmente é de 65% entre as mulheres —, lembrou, no entanto, que “o câncer está aumentando”, especialmente “em pessoas com menos de 50 anos”. Por isso, e porque 50% da população terá câncer em algum momento da vida, ela insistiu em “dedicar mais recursos e apoio” aos estudos científicos.
Com base nisso, ela destacou a nova campanha da AECC por ocasião do décimo aniversário do Dia Mundial da Pesquisa sobre o Câncer, comemorado todo dia 24 de setembro, que teve início por iniciativa dessa organização e agora conta com 134 instituições promotoras. Além disso, destacou o evento internacional que será realizado em Bruxelas (Bélgica) com a presença da rainha Letizia, na véspera dessa comemoração.
Após destacar que a entidade que lidera destina anualmente mais de 157 milhões de euros para apoiar a pesquisa, ele afirmou que essa iniciativa, concebida no mês dedicado à pesquisa, traz a mensagem de que “é preciso continuar crescendo” nessa área e “que a pesquisa chegue a todos os lugares”.
PACIENTES E PESQUISADORES SE UNEM PARA DESTACAR A IMPORTÂNCIA DA CIÊNCIA
Na mesma linha, a diretora-geral da AECC, Isabel Orbe, enfatizou que a pesquisa sobre o câncer é “cada vez mais personalizada” e que seu impacto se torna visível “quando chega ao paciente”. Por isso, esta campanha valoriza esse aspecto, contando com os depoimentos de uma paciente e de pesquisadores em diferentes fases clínicas.
Após destacar que essa organização conta com “mais de 3.000 pesquisadores” e ressaltar que gerou 1.950 avanços científicos desde 2020, as protagonistas desta iniciativa explicaram seu conteúdo e suas reivindicações. “Precisamos que o talento seja reconhecido socialmente”, bem como “recursos financeiros”, afirmou Fernanda Picón, paciente oncológica que propôs um terceiro ‘X’ dedicado à pesquisa na declaração de imposto de renda.
Por sua vez, a membro da Fundação para a Pesquisa Biomédica do Hospital Universitário Puerta de Hierro de Majadahonda (Madri), Marta Molina, destacou a importância de os cientistas contarem “com tempo e estabilidade” para poderem “fazer ciência com rigor e qualidade” e “pesquisa de longo prazo”, que “é o que faz a diferença” no câncer. Essa pesquisadora busca entender por que a combinação de quimioterapia convencional e imunoterapia pré-cirúrgica não funciona em determinados pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas.
Já a pesquisadora do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa (CBM), Ana Ortega, que estuda como evitar a resistência à imunoterapia nos linfomas mais comuns em adultos, destacou a importância da pesquisa básica por ser “fundamental”, a diretora científica da AECC, Marta Puyol, enfatizou que o objetivo é “transformar ideias em realidade para o paciente”. Tudo “para que a sobrevida e a qualidade de vida sejam o foco principal”, concluiu ela.
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