MADRID 4 fev. (EUROPA PRESS) -
A Associação Espanhola Contra o Câncer (AECC) apresentou nesta quarta-feira, no Dia Mundial contra o Câncer, um novo modelo de atendimento integral que coloca o foco na humanização, com o objetivo de colocar a pessoa com câncer “acima de tudo”, e que será impulsionado por meio de um programa de acompanhamento a instituições sanitárias e sociosanitárias formado por pacientes e famílias.
“Porque quando uma pessoa é diagnosticada com câncer, ela passa a ser um paciente e depois se torna um prontuário médico, e assim a pessoa vai se diluindo. Essa é a realidade. Uma pessoa não pode se tornar um prontuário médico e, por isso, temos que construir um modelo de atendimento integral, que é o que nos permitirá colocar a pessoa com câncer acima de tudo”, destacou o presidente da AECC, Ramón Reyes.
O novo modelo centra-se em quatro grandes eixos de ação: atendimento integral à pessoa, autonomia e participação das pessoas com cancro, novos espaços de assistência e promoção do bem-estar e formação dos profissionais de saúde. Para o seu desenvolvimento, a AECC contou com a participação de pacientes e familiares. No primeiro dos eixos, a AECC propõe integrar o bem-estar psicológico e social como um “direito estrutural, inseparável dos cuidados clínicos ao longo de todo o processo de assistência”. Para isso, trabalhará com os centros para que as pessoas com câncer possam receber a assistência integral de que necessitam e exigem. Além disso, para responder às necessidades transmitidas pelos pacientes e familiares, a Associação ampliou sua carteira de serviços, que inclui fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, atividades em grupo ou assistência jurídica e trabalhista, entre muitos outros. Em segundo lugar, o modelo busca dotar o paciente de autonomia e capacidade para tomar decisões informadas. Nesse sentido, a Associação criou a primeira Rede de Pacientes com Voz com um convite para ajudar outras entidades de pacientes a incluir a experiência do paciente em suas atividades e gerar uma comunidade de pessoas com câncer capazes de intervir, contribuir e modificar a partir de sua participação em outras entidades.
A terceira dimensão visa promover espaços de assistência humanizados e acessíveis, não só no que diz respeito a barreiras e aspectos arquitetônicos, mas também no que se refere à equidade na assistência, redução das listas de espera, melhoria dos circuitos de assistência ou preservação da privacidade das pessoas. Além de renovar seus próprios espaços, a AECC ajudará outros a projetar espaços que respondam a essas necessidades. Por último, o modelo apresentado valoriza o trabalho das pessoas que cuidam, os profissionais de saúde, e busca promover seu bem-estar e formação contínua em assuntos como a comunicação de más notícias para diminuir o sofrimento que o diagnóstico provoca nos pacientes e familiares. APELO ÀS ADMINISTRAÇÕES
Na sua intervenção, Ramón Reyes salientou que, em Espanha, há 2,2 milhões de pessoas com cancro e que, todos os anos, são diagnosticados 300 000 novos casos, o que representa 800 casos por dia. Há dois anos que o cancro é a doença que causa mais mortes, 25% do total de óbitos no país.
“E por trás desses números, há famílias destruídas, pessoas que sofrem, muita ansiedade, incerteza e dor diante do que está por vir”, afirmou Reyes. Neste contexto, ele destacou o novo modelo de humanização, no qual a AECC trabalhará nos próximos anos, e pediu às administrações públicas que “o integrem” e trabalhem para reforçar a oncologia, o trabalho em rede, as equipes multidisciplinares e os profissionais de apoio, como os enfermeiros, bem como a estabilização de suas carreiras, além de integrar a atenção psicossocial na carteira de serviços.
“É necessário que unamos todos os nossos esforços para enfrentar a realidade desses números que comentei no início, a realidade. Porque já sabemos, e já demonstramos muitas vezes, que quando trabalhamos de forma coordenada, nossas conquistas como sociedade são maiores e chegamos mais longe”, concluiu.
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