Publicado 30/05/2025 07:15

A AECC pede que não sejam concedidas licenças para festivais de música patrocinados pela indústria do tabaco

Archivo - Arquivo - Parar de fumar.
ISTOCK - Arquivo

MADRID 30 maio (EUROPA PRESS) -

A Associação Espanhola Contra o Câncer (AECC) exigiu nesta sexta-feira que as administrações públicas não concedam licenças a festivais de música que sejam patrocinados e financiados por novos produtos da indústria do tabaco.

O presidente da AECC, Ramón Reyes, explicou que essa é uma das novas estratégias usadas pela indústria do tabaco para atingir adolescentes e jovens, seu público-alvo, apresentando dispositivos como vapes ou cigarros eletrônicos como se fossem "inofensivos", quando há evidências de seus riscos.

Reyes disse em uma coletiva de imprensa que essa é uma "farsa" que deve ser interrompida, já que 80% dos fumantes começam a consumir antes dos 18 anos e aqueles que usam vaporizadores ou fumam cigarros eletrônicos têm três vezes mais chances de se tornarem dependentes do tabaco mais tarde.

"O tabagismo é um vício que, segundo dados científicos, é o pior vício que existe. 165 pessoas morrem todos os dias na Espanha como resultado do tabagismo; metade delas de câncer de pulmão, que é causado em 90% dos casos pelo tabaco", alertou ele no contexto do Dia Mundial Sem Tabaco, que está sendo comemorado neste sábado.

Por esse motivo, ele pediu aos políticos que proíbam todos os eventos públicos promovidos e financiados pela indústria do tabaco. "Temos que alcançar uma geração livre de nicotina, não podemos ficar parados e permitir que esses produtos sejam considerados 'legais'", disse ele.

Em referência às declarações feitas nesta quinta-feira pela Ministra da Saúde, Mónica García, que anunciou uma extensão dos espaços livres de fumo na nova lei antifumo que está sendo preparada pelo governo, Reyes destacou que, "no momento, são apenas declarações". "Essas declarações são um passo na direção certa, mas precisamos dar o próximo passo, que é legislar", disse ela.

Durante o evento organizado pela AECC, ele também quis denunciar como a indústria do tabaco desenvolve suas estratégias de recrutamento nas redes sociais. Por meio de influenciadores e anúncios pagos, nove em cada dez jovens são expostos à chamada fumaça digital.

ELES NÃO AJUDAM A PARAR DE FUMAR E SÃO TÓXICOS

Carlos Jiménez, pneumologista especializado em tabagismo, alertou sobre os danos causados pelos vapers, pelo tabaco aquecido e pelos sachês de nicotina, destacando que "cada coisa é diferente", mas nenhuma delas é inofensiva, pois a fumaça e os aerossóis que emitem "estão carregados de substâncias tóxicas".

Jiménez enfatizou que esses produtos causam dependência, refutando assim um dos mantras da indústria do tabaco, que se concentra em dizer que as pessoas são livres para escolher se querem ou não fumar. Nessa linha, ele enfatizou que o uso dos novos produtos de tabaco não ajuda a parar de fumar; na verdade, entre 60 e 65% dos fumantes que começam a usar cigarros eletrônicos acabam se tornando fumantes duplos.

Em relação aos danos desses produtos, o pneumologista explicou que as substâncias que eles contêm, como acroleína, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e nitrosaminas, são capazes de causar câncer de qualquer tipo a longo prazo, especialmente câncer de pulmão. Em curto prazo, podem causar asma, facilitar infecções respiratórias e causar doenças como os danos pulmonares associados ao uso de cigarros eletrônicos ou vaping, conhecidos como "evali".

Carlos Torrado, especialista em políticas europeias e consultor da Open Evidence, detalhou o caminho que a Espanha deve seguir para continuar na luta contra o tabagismo. "Atualmente, estamos um pouco atrasados, mas temos um Decreto Real sobre a mesa que inclui uma série de propostas de medidas que já estão sendo implementadas em muitos países europeus", disse ele.

Nesse sentido, ele apontou a eficácia de medidas como a proibição de sabores em vapers, a implementação de embalagens genéricas, a regulamentação da publicidade do tabaco e de novos produtos, e o aumento dos preços por meio de um aumento nos impostos.

Ele também destacou que a indústria do tabaco também está aproveitando as brechas legais e se adaptando, como fez, de acordo com Torrado, com os sachês de nicotina que desenvolveu quando a Europa proibiu o tabaco oral. "A Holanda e a Bélgica já os proibiram e a Alemanha está a caminho", disse ele.

"Se essas políticas forem estudadas, por exemplo, o aumento dos impostos sobre o tabaco é a melhor medida, porque o consumo cai e a receita tributária aumenta, reduzindo assim a pressão sobre os centros de saúde e aumentando a receita", enfatizou o especialista.

FESTA REAL

Para conscientizar sobre essa realidade, a AECC apresentou a campanha "Real Fest", um festival simulado que tem como objetivo chamar a atenção para o patrocínio da indústria do tabaco em festivais de música por meio de cartazes que imitam os códigos e a estética comuns em festivais de música, mas, em vez de anunciar artistas, destacam os efeitos negativos e as doenças que podem ser causados pelo consumo de produtos de tabaco.

De acordo com a AECC, em 2023, dos 15 festivais nacionais mais frequentados, quatro eram patrocinados pelos novos produtos de tabaco. Especificamente, referiu-se ao Mad Cool, Primavera Sound, Sonorama e Sonar.

A iniciativa inclui uma campanha de cartazes em toda a Espanha e o uso do Instagram como uma plataforma para denúncias, em que os cidadãos poderão identificar e tornar visíveis casos reais de promoção secreta do tabaco.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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