GORODENKOFF/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 17 set. (EUROPA PRESS) -
A Associação Espanhola contra o Câncer (AECC), como parte de sua iniciativa “Apoios ao Desafio de 70% de sobrevida”, destinou 10 milhões de euros ao projeto “Gliolife-AECC”, liderado pelo Instituto de Oncologia Vall d’Hebron (VHIO) e pelo Hospital Universitário 12 de Outubro, com o objetivo de estudar a origem do glioblastoma para preveni-lo e desenvolver novas opções de tratamento.
Coincidindo com o Mês da Pesquisa sobre o Câncer e com o próximo Dia Internacional da Pesquisa sobre o Câncer, comemorado em 24 de setembro, a AECC apresentou a iniciativa em um evento no Hospital Universitário 12 de Outubro, onde foi explicado que o objetivo é investigar o tumor cerebral maligno mais comum em adultos e um dos que apresentam pior prognóstico, com 1.300 diagnósticos anuais e uma taxa de sobrevivência de 5%.
“O glioblastoma é um câncer em que, há anos e anos, nada aconteceu, não houve nenhuma inovação e agora (...) é hora de avançar”, destacou o presidente da AECC, Ramón Reyes, que enfatizou que este projeto, que reúne 42 parceiros e contará com uma rede de 24 hospitais distribuídos por 13 províncias, “é realmente impressionante”.
O diretor do programa de Imuno-oncologia e microambiente tumoral do VHIO, Joan Seoane, e o coordenador da unidade multidisciplinar de Neuro-oncologia do Hospital Universitário 12 de Outubro e do Grupo de Pesquisa em Neuro-oncologia do Instituto de Pesquisa i+12, Juan Manuel Sepúlveda, lideram o projeto, que terá duração de mais de cinco anos, com possibilidade de prorrogação por mais dois.
A pesquisa se baseia em cinco pilares, a saber: identificar as causas do tumor, monitorá-lo sem cirurgia, desenvolver novas imunoterapias e apoiar o paciente de maneira integral, facilitando também sua inclusão em ensaios clínicos e garantindo a equidade territorial.
Joan Seoane explicou que o glioblastoma “é um tumor muito agressivo e muito complexo”. “Cada paciente tem um tumor diferente; as células que formam o tumor são diferentes e, além disso, mudam com o tempo”, destacou, explicando que o projeto estudará os tumores dos pacientes para descobrir como eliminá-los.
Nesse ponto, os pesquisadores detalharam que haverá um aplicativo móvel ao qual qualquer paciente na Espanha poderá acessar, doar seu tumor para que seja caracterizado e, assim, participar do projeto de pesquisa.
ORIGEM DO TUMOR, CAUSAS E TRATAMENTOS
Entre os aspectos que serão abordados, Juan Sepúlveda destacou a epidemiologia e as causas da doença, que atualmente são desconhecidas e, caso sejam descobertas, poderiam ajudar a prevenir o tumor e reduzir o número de casos, indo além dos tratamentos. “Acredita-se que seja uma doença aleatória e que não esteja relacionada a fatores externos. Vamos verificar se isso é verdade ou não”, afirmou.
Nesse sentido, ele destacou que serão analisadas informações sobre onde os pacientes moram, a possível exposição ao radônio ou a outras substâncias e seu estilo de vida. “Essa análise abrangente de todo um país para identificar fatores etiológicos nunca foi feita antes e agora temos essa oportunidade”, destacou.
Paralelamente, a pesquisa também será realizada em laboratório para identificar os pontos fracos dos tratamentos disponíveis e entender por que eles não têm funcionado bem. Assim que forem identificados alvos terapêuticos, passará-se à pesquisa clínica e, segundo ele antecipou, esta terá início no próximo mês no Vall d’Hebron com o primeiro ensaio clínico.
Além disso, Joan Seoane destacou que uma das “principais” apostas do ‘Gliolife-AECC’ é a imunoterapia. Dessa forma, ele precisou que o projeto é composto por vários subprojetos, mas que “todos estão integrados e são sinérgicos”, de modo que “as informações de um ajudam o outro e vice-versa”.
Tanto Seoane quanto Sepúlveda concordaram que suas expectativas em relação aos resultados desse projeto são positivas e que, em cinco anos, será possível falar de avanços, embora tenham ressaltado que a pesquisa é uma “maratona”, “um caminho de longo prazo”.
A mesma visão favorável foi expressada pelo coordenador do comitê científico da Astuce Spain e cofundador dos projetos OligoSpain e Astuce Spain, Manuel Meléndez, que destacou que este projeto permitirá que os oncologistas tenham acesso a novas ferramentas, após 40 anos com o mesmo tratamento. “Acredito que vamos conseguir, com certeza”, afirmou.
AJUDA AO DESAFIO DE 70% DE SOBREVIVÊNCIA
“Gliolife-AECC” é o terceiro projeto financiado pela iniciativa “Ajuda ao Desafio AECC 70% de Sobrevivência’, que busca contribuir para superar a marca de 70% de sobrevivência ao câncer até o ano de 2030 e alcançar essa meta de forma equitativa, para que qualquer paciente, independentemente de onde more, possa ter mais oportunidades.
Da AECC, Ramón Reyes destacou a importância de investir em pesquisa e, em particular, na pesquisa sobre o câncer. Nesse sentido, ele destacou que o financiamento para os projetos “deve ser contínuo ao longo do tempo e progressivo” e lamentou o corte financeiro que está ocorrendo na Europa.
“Na Europa, parece que as coisas estão ficando complicadas”, afirmou ele, explicando que o financiamento do Plano Europeu de Combate ao Câncer sofreu um corte de 4 bilhões e que, no contexto do Quadro Financeiro Plurianual da UE 2028-2034, “não se fala em câncer”.
Depois de insistir que “a pesquisa não pode ser feita aos trancos e barrancos” porque é “um trabalho de fundo, incremental e colaborativo”, ele exortou a todos a se mobilizarem para exigir os recursos necessários para dar continuidade aos projetos.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático