KATARZYNABIALASIEWICZ/ISTOCK - Arquivo
MADRID, 26 jun. (EUROPA PRESS) -
A Associação Espanhola Contra o Câncer (AECC) apresentou nesta sexta-feira sua nova campanha “Enquanto isso...”, que reflete, por meio de histórias reais de pacientes, como a vida continua para eles enquanto enfrentam o diagnóstico e o tratamento, buscando assim defender a importância de oferecer um atendimento mais humano, que não apenas cure, mas também cuide, ouça e chegue a todos.
“Na Espanha, mais de dois milhões de pessoas têm câncer. Enquanto isso, a doença é apenas uma parte de sua história”, começa o vídeo da campanha, que acompanha Natalia, Juan e Judith em seu dia a dia para mostrar suas necessidades e momentos importantes da vida, além do âmbito da saúde, nos quais também precisam de apoio.
A diretora-geral da AECC e de sua Fundação, Isabel Orbe, enfatizou que o câncer não é vivido apenas nos hospitais, mas de forma integral: em casa, no trabalho, com a família ou com os amigos. “E como cada vez mais se vive em casa, precisamos falar mais sobre o impacto fora do âmbito socio-sanitário”, afirmou ela em entrevista coletiva.
Orbe reconheceu que “falar sobre o câncer não é algo atraente”, mas ressaltou que “é preciso falar” sobre o assunto. “Não podemos pensar que só precisamos falar de como tudo o que acontece lá fora é bonito”, continuou ela, insistindo que “se continuarmos ocultando a realidade do câncer, como sociedade e como entidade, estaremos cometendo um erro”.
A nova campanha da associação baseia-se no modelo de atendimento integral centrado na humanização que a AECC apresentou no último dia 4 de fevereiro, por ocasião do Dia Mundial contra o Câncer, e que tem como objetivo colocar a pessoa com câncer “acima de tudo”. Para isso, ela conta com quatro eixos, que se concentram em abordar o tratamento de forma holística, reforçar a autonomia do paciente, promover espaços de atendimento humanizados e acessíveis e cuidar de quem cuida.
A diretora de Marketing da AECC, Darién Pinuaga, explicou que a entidade observou que as campanhas realizadas se concentravam muito no aspecto clínico, mas não refletiam os pacientes e suas necessidades, que, além disso, muitas vezes precisam se adaptar ao sistema, em vez de o sistema se adaptar a eles. Dessa forma, ela destacou que a associação, em um processo de escuta com os pacientes, percebeu que precisava promover e reconhecer o direito deles de enfrentar não apenas o câncer, mas também esses “enquanto isso”.
Entre os momentos retratados no vídeo da campanha e os aprendizados que a AECC extraiu, Pinuaga destacou a importância, para Natalia, de ser uma “parte ativa” do processo e de ter informações para tomar decisões; de Juan, o valor que o acompanhamento psicológico e a confiança nos profissionais de saúde têm para ele; e, no caso de Judith, a dificuldade de ter acesso a um tratamento, para o qual ela precisava percorrer 200 quilômetros a partir de sua residência.
A HUMANIZAÇÃO NÃO É UM ACESSÓRIO
A diretora de Atendimento ao Paciente da AECC, Carmen Yélamos, enfatizou que falar de humanização não é falar de um “acréscimo” nem de um “acessório”, mas sim levar em conta o que se sente ao receber um diagnóstico de câncer, o que se vive, e como um determinado ambiente pode alterar a experiência da doença.
Na opinião dela, a humanização “não se constrói em um escritório” ao lado de outros especialistas, mas sim ao lado dos pacientes. Justamente por isso, Yélamos moderou uma mesa redonda da qual participaram o porta-voz do programa de Participação de Pessoas com Câncer, David Mínguez; uma das protagonistas do vídeo, Natalia Calixte; e o diretor de humanização da AECC, Javier Serrano.
Calixte insistiu que o processo oncológico afeta “todas” as esferas da vida. No vídeo, é mostrado que, devido à doença, ela teve que desistir de um show, mas ela afirmou que “não é o show”, e sim planos como ser mãe ou ter outra experiência trabalhando no exterior — coisas que ela gostaria de fazer e não pode.
Com isso, ela quis destacar que muitas pessoas enxergam apenas o diagnóstico, mas que, por trás disso, há muitas coisas que o paciente deixa de viver. Nesse sentido, ela contou que teve dificuldade em compreender que não era mais a mesma de antes e colocou o foco da humanização em oferecer um “atendimento 360”, na qual o paciente seja apoiado e ouvido, e em que nem tudo gire apenas em torno do tratamento, mas que outros aspectos sejam integrados, como nutrição, esporte e apoio psicológico.
David Mínguez, a quem foi diagnosticado um câncer de testículo em 2020, explicou que o mais complicado da situação para ele não foi a aceitação, mas sim lidar com a “incerteza”. Na opinião dele, a humanização do atendimento pode ser resumida em duas palavras: “escuta ativa e presença”.
Por sua vez, Javier Serrano aprofundou as ações desenvolvidas pela AECC como parte do modelo de humanização. Conforme explicou, o foco da entidade está em colocar as pessoas com câncer e seu entorno no centro da tomada de decisões, acompanhá-las durante o processo e identificar quais são suas necessidades de ajuda e informação, além de buscar que seja o sistema que se adapte às pessoas, e não o contrário.
A ASSOCIAÇÃO DE TODOS CONTRA O CÂNCER
Juntamente com a campanha, que começará a ser veiculada a partir deste sábado na mídia, a AECC apresentou seu novo posicionamento de marca, refletido no lema “A Associação de Todos Contra o Câncer”, que aparecerá abaixo do logotipo da associação.
“Não é um ponto de partida, mas um ponto de chegada”, destacou a diretora corporativa de Assuntos Públicos, Comunicação, Marketing e Participação de Pessoas com Câncer da AECC, Nuria Masana, que explicou que o lema consolida a mudança e os aprendizados da associação ao longo de seus 73 anos de história.
Masana destacou que a AECC está ciente de que, sozinha, não pode mudar a realidade do câncer; precisa trabalhar com as demais entidades e pessoas envolvidas. Por isso, o “Todos” do lema se refere a todos os tipos de câncer, todos os pacientes, todos os familiares, todas as entidades, todos os profissionais de saúde, todos os pesquisadores e todos os meios de comunicação com os quais a AECC deseja gerar a “mobilização social” capaz de “transformar” a realidade do câncer que afeta toda a sociedade.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático