MADRID 11 maio (EUROPA PRESS) -
Por mais de um século, o papel higiênico tem sido o principal produto de higiene pessoal em grande parte do mundo. Entretanto, nos últimos anos, começou a surgir uma alternativa que promete maior eficiência, sustentabilidade e conveniência: os banheiros com jato de água, popularmente conhecidos como washlets ou banheiros inteligentes, de origem japonesa.
Embora essa opção ainda não possa ser considerada uma tendência de massa no Ocidente, sua visibilidade e popularidade cresceram graças à viralização nas redes sociais, à preocupação com o meio ambiente e à busca por soluções mais amigáveis à pele. O papel higiênico está vivendo seus últimos anos como padrão?
O NASCIMENTO DO PAPEL HIGIÊNICO MODERNO
Embora o uso do papel para fins higiênicos possa ser rastreado até a China antiga, o papel higiênico como o conhecemos hoje data de meados do século XIX. Seu criador foi o americano Joseph C. Gayetty, que começou a comercializá-lo em 1857 em Nova York com o nome de "Gayetty's Medicinal Paper".
O produto consistia em folhas soltas de papel de cânhamo Manila impregnadas com aloe vera e era vendido como remédio para hemorróidas. Cada folha era impressa com o nome de seu inventor, um detalhe que hoje pode parecer anedótico, mas que foi um marco na história do consumo doméstico. Anos depois, o papel em rolos - o formato atual - seria introduzido por outras empresas entre as décadas de 1870 e 1890.
WASHLETS: TECNOLOGIA JAPONESA PARA UMA HIGIENE MAIS EFICAZ
Apesar de suas raízes culturais, o papel higiênico tem limitações em termos de eficiência, desperdício e impacto ambiental. Nesse contexto, os washlets - uma evolução tecnológica do bidê clássico - começaram a ganhar visibilidade como uma alternativa mais avançada.
Esses vasos sanitários inteligentes, comuns nos lares japoneses, usam jatos de água para a limpeza íntima e até incorporam funções como controle de temperatura, secagem com ar quente ou tampa automática.
Embora sua penetração no Ocidente ainda não seja maciça, marcas como a japonesa TOTO começaram a consolidar sua presença fora da Ásia. Seus vasos sanitários inteligentes, conhecidos como Washlet, são comercializados ativamente na Europa e na América do Norte e já foram instalados em hotéis importantes, como o Mayfair Hotel, em Londres, o Park Hyatt Paris-Vendôme e o Marriott City West, em Munique.
Elas também estão chegando gradualmente às residências e a alguns espaços públicos, como aeroportos e restaurantes, onde os usuários podem experimentar suas funções antes de decidir instalá-las em casa.
POR QUE A ÁGUA É MAIS EFICIENTE DO QUE O PAPEL?
Vários estudos e especialistas concordam que o uso da água para a higiene pessoal é mais eficaz do que o papel higiênico, pois remove melhor as bactérias e os resíduos orgânicos, reduz o risco de irritação e evita infecções ou complicações dermatológicas, especialmente em pessoas com pele sensível ou condições médicas.
Um estudo publicado em 2022 no Journal of Water, Sanitation and Hygiene for Development corroborou essa ideia ao mostrar que o uso do bidê reduz significativamente a presença de microrganismos após a defecação em comparação com o uso apenas do papel higiênico.
UM HÁBITO CULTURAL... QUE É DIFÍCIL DE MUDAR
Embora os benefícios sejam claros, a adoção em massa de banheiros com descarga no Ocidente continua baixa. Os motivos são diversos: desde o preço do dispositivo e sua instalação - que requer tomadas próximas ao vaso sanitário e, em alguns casos, obras de construção - até a incompatibilidade com determinados vasos sanitários e, acima de tudo, a força do hábito cultural.
Na Espanha e em grande parte da Europa, os modelos básicos de lavatórios custam a partir de 1.200 euros, enquanto os banheiros integrados de alta qualidade podem custar entre 3.000 e 7.000 euros, o que limita sua acessibilidade ao público em geral.
Por todos esses motivos, o papel higiênico continua sendo a norma nessa parte do mundo. Entretanto, seu uso tem um custo ambiental considerável: sua produção e descarte contribuem para o acúmulo de resíduos e podem criar problemas nos sistemas de saneamento, especialmente quando combinados com lenços ou outros produtos não biodegradáveis.
Diante disso, os banheiros com descarga representam uma alternativa mais sustentável que, embora ainda seja uma minoria, está começando a ganhar espaço.
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