Uma maior participação das farmácias poderia gerar uma economia de até 5,7 bilhões de euros por ano na Espanha, segundo um relatório MADRID 24 mar. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Fundação Weber, Álvaro Hidalgo, apresentou o relatório “O valor social da rede de farmácias”, elaborado por essa organização, do qual se conclui que a intervenção farmacêutica representa uma economia de “até 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em países desenvolvidos”, enquanto uma maior participação das farmácias poderia gerar uma economia na Espanha de até “5,7 bilhões de euros” por ano.
“Não se economizam apenas custos diretos, mas também indiretos”, pois, “com suas intervenções, evitam-se perdas de produtividade e minimizam-se deslocamentos e tempo perdido”, explicou durante o evento Infarma Madrid 2026, que está sendo realizado nestes dias no IFEMA. É necessário “avaliar os resultados clínicos graças à farmácia”, pois “se você ganha anos de vida com qualidade, isso tem repercussão econômica”, explicou.
Hidalgo, que citou repercussões monetárias relacionadas à intervenção farmacêutica, como menor número de deslocamentos e menos internações hospitalares, destacou o “impacto econômico positivo” da continuidade assistencial, que pediu para ser integrada “nos planos das Secretarias de Saúde”.
No entanto, além do aspecto econômico, destacou outros “eixos” da rede de 22.000 farmácias e 55.000 profissionais, que são o social e o clínico. “Melhor controle das doenças crônicas, maior adesão, prevenção e detecção precoce mais eficaz” são os benefícios em relação ao primeiro desses aspectos, afirmou.
A farmácia é “o recurso de saúde mais subvalorizado do sistema”, sublinhou, acrescentando que a referida “revisão da literatura” apresentou “evidências científicas para sustentar o que todos sabem: o valor da farmácia comunitária”. Isso é especialmente relevante “no manejo de pacientes crônicos, na diabetes tipo 2 — com melhor controle por meio de acompanhamento estruturado —” e “na asma e na doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)”, indicou.
MELHOR CONTROLE NA DIABETES TIPO 2, HIPERTENSÃO, ASMA E DPOC
Em termos de dados, este relatório expõe que, no diabetes tipo 2, hipertensão, asma e DPOC, observou-se um bom controle em 71,3% dos pacientes sob intervenção farmacêutica, contra 52,9% daqueles que não foram atendidos por esse profissional.
Além disso, a adesão terapêutica é de 62% em pacientes com risco cardiovascular atendidos por um farmacêutico, de 85% em pessoas com asma e de 91% em pacientes com diabetes. Essas porcentagens caem, respectivamente, para 39%, 55% e 72% quando os pacientes não são assistidos por um profissional da farmácia.
O aspecto da prevenção e da detecção precoce também é analisado neste trabalho, uma vez que se observou um aumento de 10,6% nos novos diagnósticos de HIV graças aos farmacêuticos, enquanto a cobertura contra a gripe sobe de 57% para 80%.
Na área social, este trabalho revela que 8,3% do ganho em qualidade de vida se deve à assistência farmacêutica, a qual poderia chegar a 15% com o impulso de novos serviços na farmácia comunitária.
RECOMENDAÇÕES
Por tudo isso, e por meio desta pesquisa, recomenda-se avançar para uma maior integração da farmácia nos circuitos de assistência do sistema, reforçar a coordenação com a farmácia hospitalar e priorizar os serviços farmacêuticos comunitários em áreas com evidência clínica e econômica.
Além disso, solicita-se a implantação de modelos de prestação sistemática e evitar projetos-piloto, aproveitar a rede de farmácias como estrutura de proximidade, orientar os serviços farmacêuticos para situações de maior complexidade clínica, impulsionar a formação, promover a evidência e integrar as atividades de prevenção e detecção precoce nas estratégias de saúde pública.
Hidalgo reforçou essa mensagem ao indicar que é necessário um maior protagonismo do farmacêutico “no controle da adesão”, no manejo “de pacientes crônicos” e na “prevenção”, entre outros aspectos. “O papel muitas vezes se limita apenas à dispensação do medicamento”, declarou, após o que afirmou que se deve “aproveitar todo o seu potencial”.
É necessária “vontade política” para “impulsionar a mudança”, afirmou, assinalando também que “há resistências” a ela. Diante disso, destacou a “evidência” gerada por este relatório, pelo que é necessário “financiar e remunerar a farmácia” pelos serviços a serem integrados.
“Do que reclamam os médicos e enfermeiros? Da pressão assistencial que enfrentam”, questionou-se e respondeu Hidalgo, que garantiu que essa sobrecarga de trabalho “poderia ser mitigada de forma muito significativa com a farmácia”. “Trata-se de tornar mais eficiente o trabalho de cada um dos elos do sistema”, explicou, para afirmar que a atual é uma “fase de sensibilização por parte dos tomadores de decisão para enfrentar esse desafio”.
Na mesma linha, se manifestou o diretor-geral do Colégio Oficial de Farmacêuticos de Madri (COFM), Francisco Fernández, que destacou que são necessárias “novas soluções” diante do “momento crítico” atual. É necessário “tentar mobilizar todos os recursos de saúde disponíveis para aproximar os cuidados de saúde das pessoas”, concluiu.
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