Publicado 25/08/2026 08:03

De acordo com um estudo, 65% dos pacientes com câncer na Espanha são internados em enfermarias com médicos internistas

A SEMI pede que o médico internista seja reconhecido como parte da estrutura de atendimento aos pacientes oncológicos

Archivo - Arquivo - Médico e paciente, consulta
SEB_RA/ ISTOCK - Arquivo

MADRI, 25 ago. (EUROPA PRESS) -

Um estudo publicado na “Revista Clínica Espanhola” (RCE), editada pela Sociedade Espanhola de Medicina Interna (SEMI), conclui que 65% dos pacientes com câncer na Espanha são internados em enfermarias atendidas por médicos internistas, uma prática que, segundo os autores, justificaria o reconhecimento da medicina interna como atividade estrutural no atendimento ao paciente oncológico.

“Do ponto de vista organizacional, consideramos benéfico seu reconhecimento como profissional estrutural no atendimento ao paciente oncológico, devido à sua abordagem clínica integradora e à sua capacidade de oferecer continuidade assistencial como médico de referência do paciente durante a internação, em constante comunicação com seu oncologista de referência e coordenando a atuação dos demais especialistas envolvidos”, destacou Adrián García, primeiro signatário do artigo e especialista em medicina interna, membro da SEMI.

A prevalência do câncer aumentou, associada a uma maior complexidade dos pacientes. Nesse contexto, a SEMI destaca que a participação do internista no atendimento ao paciente com tumor sólido tem crescido nos últimos anos, dando origem atualmente a três modalidades organizacionais na internação do paciente oncológico: a internação sob responsabilidade da medicina interna; a admissão na oncologia, atendida exclusivamente por especialistas em oncologia; e a admissão na oncologia com atendimento por especialistas em medicina interna, ou modelo de atendimento compartilhado.

Este novo estudo publicado na RCE, com base em uma consulta a 481 hospitais públicos e privados da Espanha, analisou a presença e o trabalho real do médico internista no atendimento ao paciente oncológico, por meio de questionários direcionados a internistas e oncologistas.

Entre os centros contatados, foram obtidas respostas de 188 dos 481 hospitais-alvo (39,1%), representando 51,2% dos centros públicos e 16,7% dos privados das 17 comunidades autônomas. De todos os hospitais que responderam, 181 centros atendiam pacientes oncológicos internados, sendo de responsabilidade da oncologia médica em 102 centros (56,4%) e da medicina interna em 79 centros (43,6%).

Nos centros em que os pacientes eram internados sob a responsabilidade da oncologia médica, havia um internista na ala de internação — modelo de atendimento compartilhado — em 37,3% dos serviços. No total, em 64,5% dos centros, os pacientes oncológicos eram internados em alas com presença de internistas, seja por meio de atendimento direto pela medicina interna, seja pelo modelo de atendimento compartilhado, e em 35,4% em enfermarias administradas exclusivamente por oncologistas, sempre sob a responsabilidade do serviço de oncologia.

Entre os centros de pequeno porte (menos de 200 leitos), predominava a internação sob responsabilidade da medicina interna (76,8% desses hospitais), enquanto nos hospitais de maior porte eram mais frequentes as internações sob responsabilidade da oncologia: isso ocorria em 59,6% dos centros com 201 a 500 leitos, em 95,7% daqueles com 501 a 1.000 leitos e em 88,9% dos que tinham mais de 1.000 leitos.

AS INTERNAÇÕES EM ONCOLOGIA SÃO MAIS FREQUENTES EM HOSPITAIS PÚBLICOS

Por tipo de gestão, os pacientes eram internados na oncologia médica em 60,6% dos centros públicos; em 44% dos privados e em 35,7% dos privados pertencentes à rede pública. Nos demais centros, a medicina interna era responsável pelo internamento de pacientes oncológicos, representando, portanto, 64,3% dos centros privados da rede pública, 56% dos privados e 39,4% dos públicos.

Portanto, as admissões por conta da oncologia são mais frequentes nos hospitais públicos. No entanto, mais de um terço dos serviços de oncologia apostam na implementação de um modelo de atendimento compartilhado, que é mais difundido na Catalunha, onde foi implementado em 100% dos serviços que responderam à pesquisa, seguidos pela Comunidade de Madri e pela Andaluzia, com porcentagens significativamente menores, expõem os autores no estudo.

Segundo o autor, a predominância do médico internista em hospitais de pequeno porte e de gestão privada destaca o papel central dos serviços de medicina interna nesses dois tipos de centros. Entre as causas, pode-se sugerir a escassez de médicos com atendimento mais especializado em áreas de difícil cobertura (às vezes, até mesmo a ausência de um serviço próprio de oncologia em hospitais regionais) ou a necessidade de uma maior otimização dos recursos, sendo o médico internista uma opção versátil, transversal e eficiente que assume o papel de “hospitalista”, conforme definido pela literatura anglo-saxônica.

Fora da ala de internação, o médico internista também está presente no atendimento de urgência ao paciente oncológico e em consultas monográficas específicas, especialmente relacionadas à doença tromboembólica (DTE) e à toxicidade imunomediada.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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