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A Agência das Nações Unidas para os Refugiados afirma ter recebido apenas 15% dos 391,5 milhões de euros necessários até 2026 no Afeganistão, Irã, Paquistão e Ásia Central MADRID 4 mar. (EUROPA PRESS) -
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) afirmou nesta terça-feira que está ativando “dispositivos de emergência do Irã e Afeganistão ao Líbano e Síria” para ajudar as populações que estão sendo forçadas a se deslocar em meio a uma grave crise regional protagonizada pela ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e as represálias de Teerã em vários países, mas também pela guerra entre o Paquistão e o Afeganistão.
“O pessoal do ACNUR (...) está ativando dispositivos de emergência do Irã e Afeganistão ao Líbano e Síria para ajudar as pessoas forçadas a fugir de suas casas à medida que a crise regional se agrava”, afirmou a instituição em um comunicado no qual garante “estar preparada para desempenhar um papel central na resposta humanitária”.
A Agência da ONU para os Refugiados alertou que “muitos dos países afetados já acolhem milhões de refugiados e deslocados internos”, estimando em 1,65 milhão o número de refugiados e pessoas que necessitam de proteção internacional no Irã, embora não tenha sido possível precisar o número atual de deslocados internos neste país.
No entanto, ela destacou que é a agência das Nações Unidas com maior presença no Irã — com escritórios em Teerã e em outros cinco pontos —, que todo o seu pessoal lá “está localizado” e que continua prestando assistência e apoio, mantendo ativos os centros de acolhimento de refugiados e linhas telefônicas de ajuda e “apoiando serviços essenciais como saúde, educação e proteção social”.
Além disso, o ACNUR indicou que está reforçando sua preparação nos principais pontos fronteiriços iranianos e pede a todos os países que mantenham suas fronteiras abertas para aqueles que fogem dos ataques, alertando contra a possibilidade de realizar repatriações forçadas. No entanto, apesar de lamentar uma situação prévia à ofensiva norte-americana-israelita já marcada por “uma situação económica extremamente deteriorada” e “controlos migratórios mais rigorosos e deportações (que) aumentaram a sensação de insegurança”, informou que, até esta segunda-feira, “as passagens mantinham-se dentro da normalidade”.
CERCA DE 232.500 AFEGANOS RETORNARAM SOMENTE EM 2026 Paralelamente, o ACNUR também expressou “sua preocupação com a situação dentro do Afeganistão, onde a proteção de civis, incluindo refugiados e retornados, deve continuar sendo prioritária”. “Desde outubro de 2023, cerca de 5,4 milhões de afegãos regressaram do Irão e do Paquistão, muitos deles contra a sua vontade”, afirmou a agência, que estimou em cerca de 232.500 o número de pessoas que regressaram ao país até agora em 2026: 146.206 do Paquistão e 86.253 do Irão.
Nesse sentido, denunciou que “os retornos massivos e precipitados aumentam significativamente as necessidades de proteção e ameaçam desestabilizar ainda mais o Afeganistão e a região, favorecendo até mesmo novos deslocamentos”, enquanto “os recentes confrontos entre o Afeganistão e o Paquistão provocaram também novos deslocamentos nas províncias de Kunar e Nangarhar (metade norte do lado afegão da fronteira), zonas já castigadas pelo terremoto do ano passado e que acolhem um elevado número de retornados”.
Nesse sentido, a agência alertou que, no Afeganistão, “tanto o centro de trânsito de Omari, perto da passagem de Torkham (na metade norte da fronteira com o Paquistão), quanto o centro de acolhimento de Tajtapul, perto da passagem de Spin Boldak (na metade sul), foram atingidos por ataques”. “Atualmente, a passagem de Torjam permanece fechada, enquanto Spin Boldak continua aberta para o regresso dos afegãos”, indicou. Neste contexto, e apesar de salientar o grau de preparação do seu pessoal, o ACNUR sublinhou que “os recursos disponíveis estão seriamente comprometidos após os recentes grandes regressos e os cortes no financiamento” e afirmou que, até 2026, “serão necessários 454,2 milhões de dólares (391,5 milhões de euros) para proteger e assistir as pessoas deslocadas no Afeganistão, Irão, Paquistão e Ásia Central, mas até ao final de fevereiro só tinha recebido 15% do total”.
30.000 REFUGIADOS EM CENTROS HABILITADOS PELO GOVERNO NO LÍBANO As deslocações populacionais também estão afetando mais a oeste, no Líbano, “onde o ACNUR registra um forte aumento (...) no sul, no vale do Becá e nos subúrbios do sul de Beirute, após as ordens de evacuação emitidas por Israel aos residentes de mais de 53 localidades em meio a intensos bombardeios no país”, diz o comunicado, referindo-se a uma série de ataques que, segundo as informações coletadas no último dia, já deixaram mais de 50 mortos.
“Na segunda-feira, cerca de 30.000 pessoas estavam refugiadas em centros coletivos habilitados pelo governo. Muitas outras passaram a noite em seus veículos, nas margens da estrada ou presas em engarrafamentos enquanto abandonavam o sul do Líbano”, informou a agência, que mostrou “sua preocupação com a escalada da tensão na fronteira” com Israel e exigiu “a proteção da população civil” enquanto suas equipes distribuem “itens básicos de ajuda às famílias deslocadas que chegam aos abrigos”.
Nesse contexto, o órgão da ONU para refugiados ecoou uma intensificação das travessias do Líbano para a Síria, com profissionais destacados nos postos fronteiriços “com suprimentos pré-posicionados para lidar com uma possível chegada em massa” de pessoas.
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