Publicado 07/04/2026 10:32

A ACAI alerta que a reforma da Constituição relativa ao aborto poderia enfraquecer a proteção das mulheres

Eles defendem que ela está mais protegida agora graças às últimas decisões do Tribunal Constitucional sobre o direito ao aborto

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CONSEJERÍA DE SALUD - Arquivo

MADRID, 7 abr. (EUROPA PRESS) -

O consultor jurídico da Associação de Clínicas Credenciadas para a Interrupção Voluntária da Gravidez (ACAI), José Antonio Bosch, alertou que o projeto de reforma do artigo 43 da Constituição espanhola proposto pelo governo para garantir o direito ao aborto poderia reduzir a proteção que as mulheres já têm atualmente.

“A modificação proposta pelo governo não vai melhorar a proteção do direito ao aborto”, afirmou Bosch em declarações à Europa Press, após a aprovação nesta terça-feira, em segunda votação pelo Conselho de Ministros, do projeto de reforma do artigo 43 da Constituição.

O especialista lembrou que a decisão de uma mulher de interromper sua gravidez é amparada pelo artigo 10.1 da Constituição — que reconhece a dignidade da pessoa e o livre desenvolvimento da personalidade —, bem como pelo artigo 15, que garante o direito fundamental à integridade física e moral.

“O Tribunal Constitucional considera que, com a legislação vigente, o direito ao aborto está incluído ou protegido pelo artigo 10.1 e pelo artigo 15. Por isso, ele tem garantia constitucional de máxima proteção, por estar entre os direitos fundamentais”, explicou.

Nesse contexto, Bosch destacou que os pronunciamentos do Tribunal Constitucional sobre o aborto se baseiam nos artigos da Seção Primeira do Capítulo Segundo do Título I da Constituição Espanhola (artigos 15 a 29). No entanto, ele adverte que a reforma proposta pelo Governo modificaria o artigo 43, que se encontra na Seção Segunda.

"Isso vai alterar a interpretação do Tribunal Constitucional, porque ele não poderá mais considerar que o direito está incluído na Seção Primeira, com proteção fundamental e acesso ao registro de garantias, mas passará a estar na Seção Segunda, pelo que perderá proteção", explicou Bosch.

Assim, o consultor jurídico da ACAI ressaltou que, com essa modificação, o direito ao aborto poderia perder a proteção do Tribunal Constitucional. Nesse sentido, ele observou que modificar a Seção Primeira da Constituição exigiria uma maioria de dois terços em cada câmara e a dissolução imediata das Cortes, enquanto a reforma proposta pelo Governo poderia ser aprovada com uma maioria de três quintos em ambas as câmaras.

O projeto do Governo incorpora as melhorias realizadas pelo Conselho de Estado e acrescenta um parágrafo 4 ao artigo 43 da Constituição com a seguinte redação: “Os poderes públicos garantirão o exercício do direito das mulheres à interrupção voluntária da gravidez em condições de igualdade real e efetiva, com todas as prestações e serviços necessários para tal exercício”.

A partir de agora, a reforma promovida pelo Governo seguirá os trâmites estabelecidos, de acordo com o procedimento previsto no artigo 167 da Constituição, e exigirá a aprovação por maioria de três quintos tanto no Congresso quanto no Senado. Em caso de desacordo, seria necessária a criação de uma Comissão Mista Congresso-Senado que proporia um novo texto, o qual seria submetido novamente à votação. Caso isso não fosse alcançado, o texto poderia ser aprovado por maioria de dois terços dos votos no Congresso e por maioria absoluta no Senado.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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