MADRID 9 jul. (EUROPA PRESS) -
80% dos médicos do setor privado que atendem associados afirmam não ter recebido nenhum aumento em seus honorários após a renovação do acordo com a Mutualidade Geral dos Funcionários Civis do Estado (Muface), que implicou um aumento de 41,2% no subsídio do governo às seguradoras de saúde.
É o que revela uma pesquisa realizada com mais de 1.200 profissionais que atendem a segurados de mutualidades, promovida pelo Fórum Nacional de Médicos em Atividade Privada (FONMEP) da Organização Médica Colegial (OMC), que denunciaram a “profunda disparidade” entre os recursos públicos destinados ao sistema e as condições dos médicos.
Algumas entidades informaram que aumentariam os honorários em até 12% em determinados procedimentos médicos, ou em 7% em outros casos. No entanto, entre o “pequeno” grupo que percebeu algum aumento, a pesquisa mostra que, para aproximadamente um em cada três, o aumento foi de apenas entre 1% e 3%.
Este estudo evidencia que se trata de um problema acumulado, já que 74% dos médicos afirmam que seus honorários não tiveram aumentos nos últimos anos, nem mesmo para compensar o aumento do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). A OMC e o FONMEP destacaram que essa situação afeta especialmente os profissionais autônomos e as especialidades com altos custos de estrutura, atualização tecnológica e responsabilidade clínica.
Essas entidades ressaltaram que a questão vai além da remuneração dos profissionais e pode afetar a assistência oferecida pela rede da Muface, uma vez que “quando os honorários não cobrem adequadamente o tempo clínico, os custos profissionais e a responsabilidade clínica, aumenta o risco de que os médicos limitem sua atividade dentro dos quadros conveniados ou abandonem progressivamente o modelo”.
TRANSPARÊNCIA E CAPACIDADE DE NEGOCIAÇÃO
Nesse contexto, os médicos exigiram que se reforce a transparência sobre o impacto do financiamento público em toda a cadeia de atendimento. Assim, solicitaram que se garanta que os recursos destinados ao acordo contribuam de forma confiável para manter a qualidade, a acessibilidade e a continuidade da assistência médica.
Além disso, instaram a avançar em direção a mecanismos de diálogo coletivo que permitam uma negociação mais equilibrada e transparente entre os profissionais e as seguradoras. A esse respeito, nove em cada dez entrevistados consideram que as entidades profissionais, os sindicatos médicos e as organizações de profissionais autônomos podem desempenhar um papel relevante na defesa de condições salariais justas e transparentes.
A OMC e o FONMEP destacaram que o objetivo de qualquer financiamento público vinculado a um serviço de saúde conveniado deve garantir um atendimento de qualidade aos pacientes. Por isso, insistiram que o modelo deve ser sustentável para todos os atores que o tornam possível, tanto mutualistas e profissionais quanto seguradoras e o governo.
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