Publicado 01/04/2025 07:56

72% dos espanhóis já tentaram perder peso em algum momento, com uma média de sete tentativas, de acordo com um estudo.

O jejum intermitente é a estratégia mais comumente usada.

Archivo - Arquivo - Problemas de dieta, distúrbio alimentar: mulher infeliz olhando para um pequeno pedaço de brócolis em seu prato
RONSTIK/ ISTOCK - Arquivo

MADRID, 1 abr. (EUROPA PRESS) -

72% dos espanhóis tentaram perder peso pelo menos uma vez na vida e o fizeram, em média, cerca de sete vezes, com diferenças significativas entre os sexos, sendo que as mulheres tentaram perder peso duas vezes mais que os homens e a perda média em cada tentativa foi de 6 quilos.

Isso está de acordo com o relatório "Estratégias de perda rápida de peso na população espanhola", apresentado nesta terça-feira pela Fundación MAPFRE e pela Academia Espanhola de Nutrição e Dietética.

Esses dados foram obtidos a partir de um estudo realizado com base em 3.150 entrevistas com pessoas maiores de 18 anos, cujo objetivo é analisar a percepção dos cidadãos sobre as estratégias de perda rápida de peso, identificar os fatores que as influenciam e avaliar suas implicações para a saúde e a manutenção do peso a longo prazo.

O relatório revela que 52% da população adulta da Espanha está acima do peso ou é obesa. Nesse sentido, 53% dos espanhóis já seguiram em algum momento uma dieta popular ou milagrosa com o objetivo de perder peso, embora apenas 21% dos entrevistados tenham reconhecido que estavam plenamente conscientes de que haviam feito isso.

Apesar das evidências científicas que sustentam que uma combinação de dieta e exercícios é a melhor estratégia para perda de peso, 43% dos entrevistados admitem que cortaram carboidratos da dieta; usaram produtos dietéticos (13%); pularam duas ou mais refeições por dia (12%); e tomaram laxantes, diuréticos e pílulas sem prescrição médica (8%).

O JEJUM INTERMITENTE É A DIETA MILAGROSA MAIS COMUMENTE USADA

30,3% dos entrevistados usaram o jejum intermitente como estratégia de perda de peso, tornando-o a dieta milagrosa mais comumente usada. O jejum intermitente consiste em alternar períodos de jejum com janelas de alimentação. É também a estratégia mais reconhecida na Espanha, com 80% dos entrevistados afirmando conhecê-la.

A segunda estratégia mais usada é a dieta de baixíssimas calorias (20,4%), que envolve a redução radical da ingestão diária de calorias. Em terceiro lugar está a dieta de desintoxicação (10,7%), baseada no consumo principalmente de líquidos, como sucos e smoothies, entre outros, seguida pela dieta Dukan (10,6%), que envolve uma alta ingestão de proteínas e uma redução acentuada de carboidratos. Entre as dietas mais frequentes, destaca-se também a dieta cetogênica (9,2%).

A esse respeito, o presidente da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética, Giuseppe Russolillo, advertiu que esse tipo de dieta, sem supervisão profissional, acarreta uma série de riscos, alguns a curto prazo, como dores de cabeça, tonturas e constipação, e outros a longo prazo, como deficiências nutricionais, fígado gorduroso, cálculos renais, alterações hormonais e distúrbios alimentares, entre outros.

"Além disso, muitos deles levam a um aumento do risco de morte por qualquer causa ou do risco de mortalidade por doença cardiovascular. Se o derrame ou a causa da morte ocorresse em uma semana após o início da dieta, ninguém faria dietas milagrosas. Mas o problema é que esse é um assassino silencioso, que ocorre a longo prazo", alertou Russolillo.

Com relação ao jejum intermitente, o presidente da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética disse que "não há evidências de que ele seja eficaz para a perda de peso como o melhor tratamento". Sobre esse ponto, ele esclareceu que existem tratamentos de jejum intermitente, sob prescrição médica, que "podem ser interessantes no caso de algumas patologias".

QUASE 70% FAZEM DIETA SEM ACOMPANHAMENTO PROFISSIONAL

Sessenta e nove por cento das pessoas que seguiram jejum intermitente, dietas cetogênicas e dietas de baixíssimas calorias o fizeram sem acompanhamento médico, mas cerca de metade considerou que esse tipo de dieta milagrosa deve sempre ser feita sob supervisão profissional e que sua prática coloca as pessoas em risco de deficiências nutricionais.

Com relação às pessoas mais propensas a seguir essas dietas, a pesquisa destaca que mulheres, jovens e pessoas com obesidade são os grupos mais propensos.

O relatório também destaca que um dos problemas mais relevantes associados à perda rápida de peso é a alta taxa de recuperação do peso perdido. As evidências reunidas nesse estudo confirmam que a grande maioria das pessoas que perdem peso acaba recuperando todos ou parte dos quilos perdidos.

Esse fenômeno do efeito rebote é uma das principais limitações dos métodos de perda rápida de peso e demonstra que essas estratégias não geram mudanças nos hábitos de vida que possam ser sustentadas.

AS ILHAS CANÁRIAS E MURCIA SÃO AS CCAA ONDE A MAIORIA DAS DIETAS MILAGROSAS É PRATICADA

As Ilhas Canárias (64%), Múrcia (62%), as Ilhas Baleares (61%) e a Comunidade Valenciana (60%) são as regiões que mais praticam dietas milagrosas.

As regiões com a maior proporção de pessoas que tentaram perder peso são Navarra (79%), Ilhas Canárias (79%), Múrcia (79%), País Basco (77%) e Comunidade Valenciana (76%).

Além disso, Castilla-La Mancha (50%), Aragão (44%), Múrcia (42%) e País Basco (41%) têm a maior porcentagem de pessoas com sobrepeso, e Extremadura (26%), Galícia e Andaluzia (ambas com 22%) têm as maiores taxas de obesidade.

MAIS VEGETAIS E MENOS ANIMAIS

Por fim, Giuseppe Russolillo enfatizou que a combinação de dieta e exercícios é a melhor estratégia para perder peso. Sobre esse ponto, ele aconselhou "comer mais vegetais e menos animais".

"Isso não significa tornar-se vegano ou vegetariano. O conceito é comer mais vegetais, principalmente frutas, legumes, produtos integrais, leguminosas, nozes, óleos de sementes, óleos vegetais em geral, e comer menos carne, peixe, ovos, queijo e embutidos em geral", explicou.

Russolillo recomendou evitar soluções rápidas, consultar um profissional de saúde, optar por métodos graduais e desconfiar de dietas restritivas. "Quando nos prometem resultados sem esforço e em um curto espaço de tempo, devemos levantar uma bandeira vermelha", alertou.

Ele também aconselhou a adoção de mudanças duradouras no estilo de vida, em vez de soluções temporárias, e a solicitação de ajuda de um profissional para elaborar um plano personalizado que seja adaptado às necessidades da pessoa, que seja seguro e que ajude em caso de estagnação na perda de peso.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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