RAUL VALCARCEL/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 22 jul. (EUROPA PRESS) -
Setenta por cento da população espanhola acredita que os enfermeiros da Atenção Primária devem poder solicitar exames de diagnóstico e 63,8% dizem que eles devem poder prescrever medicamentos para doenças crônicas.
É o que revela a pesquisa "Um novo modelo de atenção primária baseado nas necessidades da população: um estudo transversal de âmbito nacional", publicada na revista científica "Nursing Reports" e liderada por pesquisadores do Instituto de Pesquisa em Enfermagem do Conselho Geral de Enfermagem (CGE) e com a participação da Federação de Associações de Enfermagem Comunitária e de Atenção Primária (FAECAP) e da Associação de Enfermagem Comunitária (AEC).
Além disso, o documento mostra que oito em cada dez espanhóis preferem ser atendidos por uma enfermeira especialista em Atenção Primária. Da mesma forma, quase 70% da população sabe que tem um Enfermeiro Especialista em Família e Comunidade designado para seu centro de saúde. Além disso, 73% gostariam que essa enfermeira monitorasse a saúde de toda a família e 62,3% dizem que visitam a enfermeira pelo menos uma vez por ano.
O estudo envolveu 1.200 pessoas e foi realizado por meio de entrevistas telefônicas. Os participantes tiveram que responder a um questionário preparado por 11 profissionais de diferentes comunidades autônomas, representando diferentes perfis profissionais (gestão, pesquisa, ensino e prática clínica).
De acordo com o Conselho Geral de Enfermagem (CGE), este estudo, focado na figura do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Família e Comunidade, é uma ferramenta "muito valiosa" para promover a Enfermagem Comunitária, "um pilar do Sistema Nacional de Saúde (SNS) e que muitas vezes não tem o apoio regulatório para desenvolver sua atividade profissional em sua totalidade", acrescenta.
"Até agora, não havia nenhum estudo nacional que fornecesse dados sobre a percepção da população sobre o valor que os enfermeiros podem contribuir a partir da Atenção Primária", disse o presidente da CGE, Florentino Pérez Raya.
O representante dos enfermeiros garante que "ter evidências empíricas nos permite identificar não apenas o grau de conhecimento que o público tem sobre esses enfermeiros especialistas, mas também as expectativas e necessidades reais em relação às suas funções".
"Isso é fundamental para orientar as políticas de saúde, melhorar a organização das equipes de saúde e aumentar o impacto da enfermagem especializada no nível de atenção primária", acrescentou Pérez Raya.
O setor enfatiza a importância de se conhecer em profundidade a realidade desses enfermeiros especializados no primeiro nível de atenção para adaptá-la às necessidades reais da assistência médica. "Os resultados são convincentes: embora apenas um em cada quatro esteja ciente dessa figura, mais de 80% da população apoia o fato de que eles fazem parte das equipes de atenção primária, apoiando também sua capacidade de solicitar exames, prescrever e garantir a continuidade do atendimento", explica Esther Nieto, presidente da FAECAP.
"Agora é o momento de começar a preparar como devemos processar essa mudança. É essencial que, a partir das sociedades científicas, promovamos um discurso claro e compartilhado que explique o que é o modelo de Especialista em Enfermagem de Família e Comunidade e qual a sua contribuição", acrescenta a enfermeira.
IMPLANTAÇÃO EFETIVA DA ESPECIALIDADE
Por sua vez, a presidente da ACS, Maribel Mármol, destaca que o apoio social refletido neste estudo "não só reforça o desenvolvimento e a implantação efetiva da especialidade de Enfermagem Familiar e Comunitária, mas, por sua vez, fornece uma base sólida para reivindicar o reconhecimento institucional e político".
"Destaca a necessidade de avançar em direção a um novo modelo de Atenção Primária à Saúde que responda às reais demandas e necessidades da população, com foco na acessibilidade, na continuidade do cuidado e na liderança do enfermeiro especialista no cuidado individual, familiar e comunitário", diz o presidente da ACS.
Da mesma forma, Francisco Javier Pérez, enfermeiro, médico e professor da Universidade Complutense de Madri, é outro dos participantes do desenvolvimento da pesquisa, com foco em sua relevância em relação à melhoria da qualidade dos sistemas de saúde.
"O apoio da maioria do público para que os enfermeiros da atenção primária assumam novas competências é evidência não apenas de uma evolução na percepção social, mas também de uma clara oportunidade de avançar em direção a modelos de atendimento mais decisivos, nos quais os enfermeiros da família e da comunidade devem exercer uma liderança significativa", diz ele.
Em termos gerais, os pesquisadores afirmam que os resultados destacam a necessidade de continuar a fortalecer o papel dos enfermeiros, promovendo estratégias que otimizem seu impacto na gestão da saúde da população.
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