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MADRID 13 maio (EUROPA PRESS) -
68% dos espanhóis reconheceram que reduzem suas visitas ao dentista por razões econômicas, uma situação que decorre do investimento público em saúde bucal, que representa "apenas" 2% do total de gastos com saúde, um número inferior à média europeia de 31%, de acordo com um relatório apresentado pela Fundação IDIS sobre saúde bucal.
O baixo investimento significa que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) "carece" de estrutura, objetivos comuns, avaliação e planejamento no campo da saúde bucal, que se limita a ações "mínimas e fragmentadas", como extrações ou obturações simples, e que se destina sobretudo a grupos específicos, como crianças, gestantes, pacientes com câncer e deficientes.
Tudo isso significa que a maior parte da população precisa recorrer ao sistema de saúde privado para tratamentos mais avançados, embora apenas 39% dos espanhóis vão ao dentista pelo menos uma vez por ano, como destacou a diretora geral da Fundação IDIS, Marta Villanueva.
O documento também mostra que 34% da população só vai ao dentista se tiver algum problema, o que destaca a "baixa" cultura preventiva.
"Detectamos uma necessidade urgente de gerar cultura e conhecimento, para ensinar à população que, além da estética, tudo o que acontece na boca é transmitido ao nosso corpo", explicou Villanueva.
Além disso, contrasta com a situação "extraordinariamente boa" da Espanha em termos de necessidades médicas não atendidas, que é de 1%, um dos níveis mais baixos da Europa; no caos das necessidades de saúde bucal não atendidas, o número sobe para 12%, quase o dobro da média da União Europeia.
A saúde bucal tem um impacto econômico "enorme" nas famílias e representa uma média de 219 euros por ano por domicílio; há uma diferença dependendo da comunidade autônoma em que se vive, com o maior gasto na Comunidade de Madri, 319 euros, e o menor na Comunidade de Valência, 148 euros.
"Essas desigualdades refletem diferenças no poder de compra e no acesso a programas de auxílio regional", acrescentou Villanueva durante seu discurso.
A baixa cultura de prevenção, a falta de visitas ao dentista, a higiene e os hábitos alimentares significam que quase 40% das crianças têm cáries em sua dentição primária e 30% das pessoas com mais de 65 anos têm doença periodontal; além disso, apenas 26,7% da população mantém todos os dentes.
Apesar do crescente impulso do seguro odontológico, a adesão é baixa, representando apenas 3% do total de prêmios de saúde, apesar de representar 27% dos segurados.
Os gastos privados nesse setor também aumentaram nos últimos anos, chegando a 3.674 milhões de euros, embora se aproximem de 8.000 milhões de euros se forem incluídas as próteses, a ortodontia, os implantes e a cirurgia maxilofacial, em comparação com os 77 milhões de euros investidos pelo setor público de saúde.
AUMENTO NO NÚMERO DE DENTISTAS
Por outro lado, o relatório destaca um aumento de 205% no número de dentistas na Espanha entre 1995 e 2022, colocando-a em quarto lugar na Europa, e cerca de 1.600 profissionais são treinados anualmente nesse setor, como dentistas, higienistas, cirurgiões protéticos ou técnicos em radiologia.
Apesar disso, apenas 3% acabam sendo registrados na Espanha, e 94% acabam exercendo a profissão em clínicas independentes.
Vale a pena observar que 78% dos pacientes confiam principalmente no atendimento prestado pelo profissional quando decidem a que clínica recorrer.
Por sua vez, o presidente da Fundação IDIS, Juan Abarca Cidón, disse que, apesar dos esforços do sistema público, os gastos com saúde bucal na Espanha continuam sendo "insuficientes", uma situação que reforça a "urgência" de continuar avançando em direção a uma maior cobertura e equidade no acesso aos serviços odontológicos para todos os cidadãos.
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