MADRID 23 abr. (EUROPA PRESS) -
Mais de 60% das mulheres na menopausa estão com sobrepeso ou são obesas, condições que exacerbam os sintomas associados a essa fase vital, fazendo com que, por exemplo, 61,5% das mulheres com obesidade nesse período afirmem sofrer episódios de afrontamentos, ondas de calor ou sudorese de intensidade moderada-alta, em comparação com 39,4% das mulheres com peso normal que afirmam experimentá-los, de acordo com os resultados provisórios de um estudo realizado pela Sociedade Espanhola de Ginecologia e Obstetrícia (SEGO) e pela Clínica Palacios.
O diretor e fundador da Clínica Palacios, Santiago Palacios, enfatizou em uma coletiva de imprensa na quarta-feira que, ao contrário da crença tradicional de que as mulheres com mais massa gorda eram menos afetadas pela menopausa, pois convertem a testosterona em estrogênio, as evidências científicas mostraram que elas sofrem mais porque sofrem alterações no centro termorregulador, no endotélio e no sistema nervoso simpático.
O estudo que está sendo realizado pelo centro dirigido por Palacios em conjunto com a SEGO, com base em uma pesquisa on-line que até o momento coletou 207 respostas e espera ultrapassar 500, colocou em números o impacto que o sobrepeso (IMC 25-29,9) e a obesidade (IMC acima de 30) têm sobre a frequência e a intensidade dos sintomas comuns durante a menopausa. Ela enfatiza que há um aumento dos sintomas dependendo do índice de massa corporal.
Entre os resultados, ela destaca que 80,01% das mulheres obesas e 69,92% das mulheres com sobrepeso relatam desconforto muscular e articular moderado a grave, em comparação com 49,3% das mulheres com peso normal. Além disso, a obesidade e o sobrepeso também aumentam os problemas de micção, com 67,69% e 36,63% das mulheres dizendo que sofrem com isso, respectivamente, em comparação com 32,4% das mulheres com peso "normal".
Por sua vez, os problemas sexuais enfrentados pelas mulheres nessa fase da vida, como menor desejo sexual, relações sexuais menos frequentes ou menor satisfação sexual, são semelhantes em todas elas, independentemente do peso. Assim, 74,64% das que têm peso normal dizem que os têm, assim como 63,39% das que estão acima do peso e 76,93% das que sofrem de obesidade.
A pesquisa também se concentrou na saúde mental, detectando o mesmo padrão. As mulheres obesas (64,62%) ou com sobrepeso (54,9%) relatam uma proporção maior de "não gostar de si mesmas", em comparação com as que têm peso normal (23,5%), além de evitarem com mais frequência se olhar no espelho (56,91%, 33,81% e 14,09%).
PAPEL DO GINECOLOGISTA
Durante a apresentação do estudo, o vice-presidente da Seção de Saúde Privada da SEGO, Manuel Marcos, enfatizou o papel do ginecologista no diagnóstico de sobrepeso ou obesidade e no início do tratamento adequado. "O único médico que muitas mulheres procuram é o ginecologista, portanto, em muitos casos, atuamos como médicos de família", destacou.
Justamente para que os profissionais de ginecologia saibam como lidar com a obesidade, a seção privada da SEGO elaborou um documento de posicionamento com instruções e recomendações para especialistas em todas as fases da vida da mulher, desde a fertilidade, gravidez e amamentação, menopausa e idosos.
A chefe do Departamento de Ginecologia do Hospital Quirónsalud San José, Carmen Pingarrón, explicou que os ginecologistas não precisam de grandes aparelhos para identificar o excesso de peso, mas podem recorrer à medição do índice de massa corporal usando peso e altura; à medição da circunferência da cintura com uma fita métrica; e, para um diagnóstico mais preciso, ao ultrassom nutricional, que mede a gordura visceral.
Em termos de tratamento, Pingarrón disse que as mudanças no estilo de vida, incluindo uma dieta saudável e atividade física, são cruciais para manter a perda de peso em longo prazo. Sobre esse ponto, ela pediu aos profissionais que conheçam os hábitos de seus pacientes para chegar a um acordo com eles sobre os objetivos nessa área e não focar a meta apenas no peso.
Além disso, novas terapias farmacológicas também são úteis para a perda de peso em mulheres, como os tratamentos injetáveis com peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1). Em mulheres com sobrepeso e diabetes, medicamentos como o semaglutide ("Ozempic") oferecem benefícios metabólicos e de controle de peso. Para mulheres sem diabetes, a opção semaglutide 2,4 mg ("Wegovy") demonstrou uma perda média de 16% a 17% do peso corporal, além de melhorar os fatores inflamatórios, o controle glicêmico, a pressão arterial e a autoestima.
O chefe de ginecologia do Hospital Quirón Málaga, Rodrigo Orozco, explicou esses benefícios e especificou que a recomendação é iniciar o tratamento com o 'Wegovy', devido às suas vantagens, mas sem esquecer que ele deve ser combinado com padrões de vida saudáveis.
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