GEMMA HARVEY, QUEEN MARY UNIVERSITY OF LONDON
MADRID 18 fev. (EUROPA PRESS) -
Uma síntese global pioneira identificou 603 espécies, gêneros ou famílias que influenciam os processos da superfície da Terra, ou seja, moldam as paisagens das quais dependemos.
Desde as minúsculas formigas que mudam o solo até o salmão que remodela os leitos dos rios, o estudo - liderado pela professora Gemma Harvey, da Queen Mary University of London - destaca a diversidade e a escala do impacto animal nos ecossistemas terrestres e de água doce.
Ao estimar a energia coletiva desses "engenheiros naturais", a pesquisa publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) mostra que suas contribuições geomórficas rivalizam com as de centenas de milhares de grandes inundações.
As principais conclusões do estudo incluem:
- Diversidade inesperada: Além de exemplos icônicos, como castores e salmões, o estudo identifica centenas de espécies (incluindo insetos, mamíferos, peixes, pássaros e répteis) que moldam as paisagens de maneiras notáveis.
- Ecossistemas de água doce em destaque: apesar de cobrirem apenas 2,4% da superfície do planeta, os habitats de água doce são o lar de mais de um terço dessas espécies notáveis.
- Impressionante produção de energia: Os animais contribuem coletivamente com pelo menos 76.000 gigajoules de energia por ano para moldar a superfície da Terra, um número comparável a centenas de milhares de inundações extremas. É provável que essa estimativa seja conservadora, pois há lacunas significativas no conhecimento, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais, onde a biodiversidade é maior, mas as pesquisas são limitadas.
- Exemplos fascinantes: Os cupins constroem vastas redes de montes no Brasil, alguns dos quais cobrem milhares de quilômetros quadrados, enquanto a desova do salmão pode mover tantos sedimentos quanto uma enchente anual. Até mesmo as formigas, por meio de suas pequenas, mas inúmeras ações, alteram a estrutura e a drenagem do solo.
O professor Harvey explica: "Esta pesquisa mostra que o papel dos animais na formação das paisagens da Terra é muito mais importante do que se pensava. Desde os castores que criam zonas úmidas até as formigas que constroem montes de terra, esses diversos processos naturais são cruciais, mas corremos o risco de perdê-los com o declínio da biodiversidade.
Cerca de 30% das espécies identificadas são raras, endêmicas ou ameaçadas, o que significa que os processos geomorfológicos vitais podem cessar antes que sua importância total seja percebida. Essa perda pode ter consequências profundas para os ecossistemas e as paisagens que eles sustentam.
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