Publicado 05/03/2026 08:26

60% das enfermeiras e fisioterapeutas consideraram abandonar a profissão devido a problemas de conciliação, segundo a SATSE.

Archivo - Arquivo - Enfermeira colocando luvas de látex.
RAUL VALCARCEL/ ISTOCK - Arquivo

O Sindicato denuncia as barreiras que estas profissionais enfrentam em todas as comunidades autónomas MADRID 5 mar. (EUROPA PRESS) -

68,36% das enfermeiras e fisioterapeutas mostram-se insatisfeitas com a conciliação entre a sua vida profissional e a sua vida pessoal e familiar, e 60,4% já pensaram em abandonar a profissão por este motivo.

É o que indicam os resultados de uma macro pesquisa apresentada nesta quinta-feira pelo Sindicato de Enfermagem (SATSE) no âmbito da celebração do Dia Internacional da Mulher, da qual participaram 11.481 enfermeiras e fisioterapeutas. Destas, 87,85% são mulheres e 12,15% homens. A pesquisa faz parte da nova campanha de informação e sensibilização que, sob o lema “Não deixe sua vida em pausa”, pretende visibilizar e denunciar os graves problemas de conciliação que sofrem as profissionais de enfermagem e fisioterapia na Espanha.

“O direito de conciliar nossa vida profissional com a pessoal é permanentemente violado pelas administrações públicas e pelas empresas privadas de saúde, que priorizam a economia e a produtividade acima das pessoas. É um problema grave que nos afeta a nível profissional e pessoal e que também prejudica o sistema de saúde e a atenção e cuidados aos pacientes”, afirmou a adjunta da Secretaria de Ação Sindical da SATSE, Paloma Repila.

Além disso, 61,2% das inquiridas afirma que os problemas de conciliação afetam a sua saúde mental e 56,87% afirma que afetam a sua saúde física. Metade refere que afetam as suas relações familiares e pessoais e 47,15% afirma que afetam o seu desempenho.

Por sua vez, oito em cada dez (78,82%) destacam que a falta de medidas de conciliação afeta o cumprimento de suas responsabilidades familiares e quase a mesma proporção (77,82%) detalha que as tensões geradas no trabalho afetam sua vida pessoal e familiar. FALTA DE PROFISSIONAIS

A pesquisa da SATSE também pergunta quais são as condições de trabalho que mais afetam a conciliação, e 81,61% apontam a falta de pessoal nos centros. Além disso, 69,54% referem-se a mudanças de turnos imprevistas; 60,48% ao trabalho aos fins de semana e feriados; 57,87% à falta de antecedência com que é facilitado o quadro de trabalho e 55,48% ao trabalho noturno.

“Não temos enfermeiros suficientes na Espanha e temos que lutar para que as equipes se adaptem à complexidade dos cuidados de saúde”, indicou Repila em relação à proposta de lei sobre a proporção de enfermeiros, que se encontra em fase de emendas no Congresso dos Deputados.

Quanto às consequências dos problemas e barreiras para conciliar, a secretária da Comissão de Igualdade da SATSE, Carmen Guerrero, explicou que as principais são a perda de oportunidades de desenvolvimento profissional e laboral, bem como económicas, e a dificuldade em fazer planos a curto, médio e longo prazo.

Assim, 61,48% acreditam que os problemas de conciliação afetam muito o seu desenvolvimento profissional e laboral. Concretamente, 47,9% renunciam a oportunidades de formação; 23,5% a oportunidades laborais e 14,4% a oportunidades de promoção. No aspecto económico, mais de metade (54,71%) indica que os problemas de conciliação afetam muito a sua economia. Oito em cada dez profissionais (80,12%) têm alguém a seu cargo (filhos, familiares dependentes) e, por esse motivo, 39,06% tiveram que solicitar uma licença para reduzir sua jornada, com a consequente perda salarial. SOLUÇÕES REFLETIDAS NO NOVO ESTATUTO-QUADRO

A adjunta da Secretaria de Ação Sindical da SATSE, Paloma Repila, destacou que, a nível estatal, conseguiu-se que a reforma da Lei do Estatuto-Quadro do pessoal estatutário dos serviços de saúde contemplasse “melhorias e avanços reais”. “Como o reconhecimento expresso da conciliação como um direito, a regulamentação da jornada para 35 horas, a limitação dos plantões e uma maior previsibilidade no planejamento dos turnos”, destacou.

Em seguida, referiu-se ao reconhecimento da “sobreposição de jornada” como tempo efetivo de trabalho; à ampliação da consideração do período de trabalho noturno e ao fato de que os serviços de saúde deverão negociar um Plano de Conciliação que até agora não era obrigatório. Também é reconhecido o direito à desconexão digital fora do horário de trabalho e ao gozo fracionado da licença para cuidados familiares.

Por isso, ele garantiu que a SATSE exigirá aos partidos políticos no Congresso que todas essas melhorias não sejam modificadas ou “desvirtuadas” durante a tramitação da lei e, uma vez aprovada, exigirá nas mesas de negociação de cada autonomia que elas se tornem realidade o mais rápido possível.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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